Pacto político vai ter que passar por cima de interesses partidários e individuais

André Navarro em 20 de Abril de 2018

Garantir que Corumbá tenha possibilidade de eleger deputado estadual e deputado federal. Este é o objetivo das principais lideranças políticas corumbaenses que se preparam para discutir o assunto abertamente passando por cima de interesses partidários e de vaidades individuais. Um desafio que não será nada fácil de ser vencido, e que, entretanto, poderá significar muito para o município que precisa de representatividade na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e na Câmara Federal. 

Essa proposta começou a ser discutida pelo prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PSDB), já falecido, com o presidente da Câmara de Corumbá, Evander Vendramini Duran (PP). Agora, a responsabilidade de conduzir as conversações ficou a cargo do prefeito Marcelo Iunes (PSDB), que já disse que deve levar à frente o projeto e que vai trabalhar por um pacto que seja seguro e ajude a cidade a fazer os seus representantes. 

O próprio governador Reinaldo Azambuja (PSDB) que esteve em Corumbá na semana passada reforçou que irá honrar o compromisso de fazer investimentos na cidade, mas destacou a necessidade de Corumbá fazer os seus representantes. “Sei da importância disso para a região. É uma luta de todos nós e no que depender do governador e de sua equipe, faremos tudo para que se concretize”, afirmou Azambuja. 

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Prefeito Marcelo Iunes é defensor de candidaturas que tenham reais chances de se eleger

O prefeito Marcelo Iunes defende o pacto e afirma que se trata de uma questão muito maior do que preceitos políticos. “Isso tem que ser discutido pelos políticos corumbaenses, por pessoas que amam Corumbá, que vivem em Corumbá, que brigam por Corumbá”, enfatizou. 

Hoje, alguns nomes já são citados como prováveis pré-candidatos, tanto a deputado estadual, quanto a deputado federal. O entendimento entre Câmara e Prefeitura é que pode definir quais realmente serão aqueles que entrarão na disputa. “Nas eleições de 2014, eu e o finado Ruiter, 'batemos na trave', ficamos na suplência, mas os dois poderiam ter sido eleitos se não houvesse a pulverização dos votos”, lembrou Iunes. 

Ao que tudo indica a questão do lado do Executivo estaria definida com a indicação da ex-primeira-dama Beatriz Cavassa de Oliveira (Bia). Até mesmo o governador Reinaldo apoiou o nome dela e afirmou que “gostaria de ter a Bia na Assembleia Legislativa”. Ela é filiada do PSDB e parece contar com unanimidade do partido e aliados. 
Já no Legislativo a questão é mais complexa. Pelo menos quatro nomes são cogitados para concorrer a uma vaga de deputado estadual. Os vereadores Domingos Albaneze (PV), Irailton Santana, o Baianinho (PSDB), Manoel Rodrigues (PRB) e Tadeu Vieira (PDT), podem estar buscando a oportunidade.

O ex-prefeito Paulo Duarte, que migrou para o MDB, é outro pré-candidato. Ele já foi eleito em dois mandatos de deputado estadual, sendo que no último, cumpriu dois anos e depois renunciou para assumir a Prefeitura de Corumbá em 2013.

Por outro lado, ao que parece, para deputado federal não haverá tantos problemas, pelo menos é o que está se desenhando até agora. São três nomes cogitados, o do ex-prefeito Éder Moreira Brambilla (MDB), que comandou o Executivo corumbaense por dois mandatos, depois de ter sido vice-prefeito de Ladário e duas vezes deputado estadual; e o do ex-vereador Carlos Alberto Machado (PT) que foi legislador por três mandatos e já concorreu à Câmara Federal em 2010, obtendo mais de 22 mil votos. Outro nome, o do vereador Gabriel Alves de Oliveira, não vai concorrer nesta eleição, segundo a sua assessoria.

Pulverização de votos

Um bom exemplo da pulverização de votos e da necessidade do pacto foi o que aconteceu nas eleições de 2010, quando pelo menos seis políticos de Corumbá e Ladário concorreram à Câmara Federal. Só os três primeiros colocados nas urnas da região, obtiveram 27,3 mil votos e todos eles juntos, mais de 30 mil. Ou seja, se o primeiro colocado, o vereador Machado tivesse somados aos seus 16 mil votos locais, mais os 14 mil dos outros candidatos, teria um total estadual de 36 mil votos e estaria eleito naquela ocasião.  

Além da divisão dos votos entre os próprios corumbaenses, a votação em candidatos que vêm de fora prejudica a cidade na questão de representatividade. É por isso que o prefeito Marcelo Iunes e o presidente da Câmara Vendramini devem começar uma maratona de conversação em busca de consenso. Eles terão até agosto quando serão realizadas as convenções partidárias para concluir o pacto e assegurar que Corumbá possa ter poucos e bons candidatos com reais chances de se eleger.

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