Cibalena prova que além de numeroso e democrático, também é folia de família

Lívia Gaertner em 10 de Fevereiro de 2018

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Avenida General Rondon, a passarela do samba, tomada pelos foliões do Cibalena

Dois mil e dezoito foi um carnaval especial para o Cibalena que completou 40 anos de criação se reafirmando como o maior bloco de sujos de Corumbá e também o mais democrático reunindo milhares de foliões pelas ruas da cidade com fantasias desde as mais elaboradas até as totalmente improvisadas.

Tradicionalmente, a ordem do cotidiano é invertida e homens se vestem de mulher e mulheres de homem, mas vale mesmo é qualquer fantasia para cair na folia. Alguns como Caroline Aragão aproveitam a festa para despertar reflexão. Usando roupa de presidiário e máscara do atual presidente da República, ela diz não perder as esperanças de ver o Brasil melhorar.

“A gente tem que perceber a fase que o país está passando: o golpe de Estado que ocorreu. Todo momento é momento de falar sobre a consciência política. A roupa de presidiário não é à toa porque se a fantasia é o imaginário popular que a gente deseja no nosso íntimo, o meu é de ver usurpadores de poder e corruptos na cadeia”, afirmou.

Entretanto o que dominou nas fantasias mesmo foi a irreverência: personagens de novelas, vídeo games, desenhos animados e filmes se juntaram às famosas cantoras de funk do momento como Jojô Todynho e a fantasia hors concours deste carnaval, o unicórnio.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Presidente do bloco, Elias Ferreira, lembrou como surgiu o Cibalena 40 anos atrás

Ao comemorar suas 4 décadas de existência, o Cibalena também trouxe uma nova porta-bandeira, posto que, nos últimos anos, foi ocupado por “Coroinha” e que, por motivos de saúde, deixou o cargo agora assumido oficialmente pelo funcionário público Elias Alencar. “É uma honra e uma alegria muito grande conduzir esses milhares de foliões no carnaval de Corumbá, mas tenho o apoio da minha família e de amigos, inclusive do trabalho, que patrocinaram minha roupa especial e maquiagem”, contou o novo porta-bandeira.

Bloco de amigos e família

O presidente do Cibalena, Elias Ferreira, contou ao Diário Corumbaense que os cerca de 30 mil foliões que acompanham o bloco até a avenida General Rondon surgiu com apenas 4 foliões na década de 1970.

“Valério tinha um bar e o Manduca chegou se queixando de dor de cabeça. Como já haviam acordado que, naquele ano, eles sairiam no carnaval, o Manduca perguntou qual seria o nome do bloco e o Valério respondeu com o comprimido nas mãos que havia oferecido para o amigo: Cibalena. Se juntaram a eles, Edinho Rachid e o radialista Jonas Lima. Eles alugaram um carrinho de mão, colocaram o som em cima e os quatro saíram”, relembrou sobre como surgiu o bloco bastante querido dos corumbaenses.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Foliões de todas as partes da cidade vêm brincar no maior bloco de sujos de Corumbá

O exemplo desse amor pelo Cibalena é a família de Júlia Mariana Neri Câmara que cresceu curtindo os carnavais no bloco e hoje já transfere o sentimento para o casal de filhos que a acompanha do lado do marido. É tradição, a gente mora perto de onde o bloco por muitos anos se concentrou. O Cibalena é um carnaval sadio, minha mãe sempre me trazia e tenho orgulho em trazer meus filhos e falar, de verdade, que a gente ama o Cibalena, que é isso família”, resumiu.

Trajados de sereia, os quatro participaram do também já tradicional concurso que escolhe a Musa do Cibalena. A roupa que foi costurada durante uma semana pela avó Ione, junto com a alegria da família, conquistou os jurados que deram a segunda colocação a ela.

Reforçando que Cibalena é um bloco surgido da reunião de amigos e que coloca num mesmo espaço foliões de todas as origens e de várias idades, num mesmo clima de brincadeira e descontração, mais uma família ganhou destaque no concurso.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Vencedores do concurso de fantasias: Capitão Jack e Princesa Elza; A Família das Sereias; Índia e Havaianas

Vestindo o pirata Capitão Jack Sparrow, o corumbaense Júnior Ferreira e a filha, de apenas 5 anos de idade, Ana Júlia, levaram o primeiro lugar no concurso que acontece ali mesmo, em meio à concentração do bloco onde um corpo de jurados avalia não apenas a fantasia, mas também a animação dos candidatos.

Participar do concurso, segundo Júnior, foi um pedido da filha que, com o troféu na mão, não escondia a felicidade de já integrar a maior festa popular da região. “Ano passado ela queria e daí a gente foi arranjar uma fantasia que ela gostasse. Ela está muito feliz e o carnaval no Cibalena é assim: com alegria, segurança, entre amigos e família”, disse Júnior a este Diário.

Esse ano, além do troféu, os três primeiros colocados levaram premiação em dinheiro, o valor de R$ 500, que foi dividida entre eles, conforme a classificação:

1º lugar: Capitão Jack e Princesa Elza (R$ 250 + troféu)

2º lugar: A Família das Sereias (R$150+ troféu)

3º Lugar: Índia e Havaianas (R$ 100 + troféu)

Folia em Verde e Rosa

O Cibalena seguiu para a avenida pouco depois das 22 horas e, durante sua passagem, foi dado início ao primeiro show nacional na praça Generoso Ponce. Com passistas, intérprete oficial e representação da bateria da Mangueira, o show Folia em Verde e Rosa trouxe um repertório cheio do melhor samba-enredo carioca para Corumbá.

Do alto dos seus 61 anos de idade, o intérprete Ciganerey, considerado por muitos como “o novo Jamelão” da Mangueira interagiu com a galera e fez uma grande festa convidando a Corte de Momo do Carnaval de Corumbá também para o palco.

Foram quase duas horas de apresentação que extasiou o folião corumbaense tão fixado às raízes dos sambas-enredos e às escolas de samba a julgar que, na cidade, há 10 agremiações, sendo a maioria com nomes inspirados nas escolas cariocas.

Em seguida, o palco na praça Generoso Ponce recebeu o show do grupo baiano “Axé Blond”.

Clóvis Neto/PMC

No palco montado na praça Generoso Ponce, Folia em Verde e Rosa e Axé Blond comandaram a folia

Galeria: Cibalena 2018

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