Bolivianos fecham fronteira em protesto ao Código Penal e Evo Morales

Lívia Gaertner em 09 de Janeiro de 2018

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Caminhões bloqueiam passagem de veículos pela fronteira Brasil/Bolívia

Um protesto iniciado pelo setor de transporte boliviano está fechando a fronteira entre o Brasil e a Bolívia, nas cidades de Corumbá e Puerto Quijarro, desde a zero hora desta terça-feira, 09 de janeiro. O fluxo de veículos está interrompido e a passagem de pessoas só é permitida a pé.

A medida visa, segundo Angél Saavedra, presidente da Associação de Transporte Pesado de Arroyo Concepción (distrito fronteiriço de Puerto Quijarro), pressionar o Governo Nacional para revogar artigos incluídos na Lei 1005 - Código de Sistema Penal e que afetam tanto o setor de transporte como o médico, classe essa que, em toda Bolívia, também vem se manifestando contra a legislação.

O novo Código Penal Boliviano prevê em seu artigo 205 a penalização de médicos e funcionários do setor por práticas negligentes, sendo esse julgamento feito por um novo órgão regulamentador do governo. Já o artigo 137 aumenta as sanções por homicídio culposo durante condução de veículo, além de prever o ressarcimento de danos e outras providências.

“Estamos apoiando a medida nacional do setor de transporte, porém não é um problema apenas dos motoristas de transporte pesado, mas de todos os bolivianos para que se revoguem uma lei do código penal”, afirmou Angél Saavedra em entrevista ao Diário Corumbaense que destacou ainda que a manifestação é para que se respeite a democracia na Bolívia.

Angél Saavedra, presidente da Associação de Transporte Pesado de Arroyo Concepción, diz que bloqueio é por tempo indeterminado

“Esse governo está querendo implantar um comunismo como o que existe na Venezuela e isso, como bolivianos, não queremos. Queremos que respeite a vontade do povo que disse 'não' para ele (Evo), que se respeite o referendo com o qual se realizou uma consulta ao povo e foi dito não ao mandato consecutivo do presidente”, declarou Saavedra ao informar que o movimento também bloqueou as fronteiras com Peru, Chile e Argentina.

Em janeiro de 2016, a população boliviana rejeitou a possibilidade de reeleição indefinida durante um plebiscito. Na ocasião, 51% dos que participaram da consulta popular rejeitaram alterar a Constituição boliviana, que estabelece limite de dois mandatos consecutivos para presidente, vice-presidente, governador e prefeito, entretanto, em novembro de 2017, a Justiça da Bolívia decidiu acabar com o número mínimo de mandatos consecutivos no país, favorecendo o quarto mandato do presidente Evo Morales.

Bloqueio

A viagem pela América do Sul, programada há pelo menos 5 meses, por integrantes de um moto clube da cidade paulista de Ilha Solteira começou um tanto frustrada com o bloqueio na fronteira Brasil/Bolívia.

Grupo de motociclistas que planejou viagem pela América do Sul aguarda abertura da fronteira

“É a primeira vez que estou passando por isso. Temos todo um cronograma, mas ele já furou. Ontem foi dia para tirarmos todos os documentos e, hoje, quando fomos passar, estavam as duas carretas bloqueando a via. A notícia que chega para a gente é que isso está em toda a Bolívia, estamos receosos de conseguir entrar e nem chegar à Santa Cruz de la Sierra. Estamos esperando para ver o que vai acontecer”, disse Claudomiro da Rocha Filho, do Moto Clube ‘Dus Largado’.

João Vitor Cshiba, veio de Dourados para visitar a mãe que mora na cidade  boliviana de Puerto Suárez, e não teve como seguir  com seu veículo. “Eu não sabia da manifestação, mas o jeito agora será atravessar a pé e pegar um táxi”, contou.

Moradora de Corumbá, Fabiana Fardim, veio com a família fazer compras para uma viagem de férias e também encarou atravessar a fronteira à pé. “É um transtorno, mas a gente vai assim mesmo porque estamos em busca de malas para nossa viagem”, comentou.

O bloqueio não tem prazo para terminar, segundo o presidente da Associação de Transporte Pesado de Arroyo Concepción, que informou ainda que, no período da tarde, o movimento deve ser reforçado com a participação da classe médica e de integrantes dos Comitês Cívicos das cidades de Puerto Quijarro e Puerto Suárez.

Galeria: Fronteira fechada

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Comentários:

Joao Emanuel: Por gentileza só não avisem ao senhor Angél Saavedra que o sistema venezuelano é chamado de bolivariano.

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