Portaria do Exército determina desativação da 18ª Brigada em Corumbá

Da Redação em 07 de Junho de 2016

A data ainda não está definida, mas o Comando do Exército já decidiu pela desativação da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira em Corumbá. A 3ª Companhia de Fronteira de Forte Coimbra deverá ter seu efetivo atual reduzido para se transformar em pelotão. Também está determinada a desativação da 18ª Companhia de Comunicações de Fronteira, sediada em Corumbá e subordinada à 18ª Brigada.

“No dia 23 de maio foi publicada uma portaria do comandante do Exército determinando estudos para desativação do Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira. Duas portarias subsequentes desativavam a Companhia de Comando da Brigada e a 18ª Companhia de Comunicações de Fronteira. Essa portaria determinava procedimentos para realização de estudos para a desativação, pela complexidade que é desativar uma Brigada. Quanto ao Forte de Coimbra, ainda é um estudo, não tem nenhum documento oficial. Mas, o fato é que diante do cenário de transformação pelo qual o Exército está passando, em um estudo interno do Comando Militar do Oeste (CMO), analisou-se a possibilidade de reduzir o efetivo de Forte Coimbra de uma companhia para um Pelotão Especial de Fronteira. Tudo isso atende critérios da transformação focando a racionalização”, disse ao Diário Corumbaense o comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, general de brigada João Denison Maia Correia.

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Estudo propõe incorporação de estrutura da 18ª Brigada pelo 17º Batalhão de Fronteira

De acordo com o general Denison, o Comando da 18ª Brigada agora aguarda novas ordens para saber as condições da desativação. “A portaria determina início dos estudos para a desativação. Nós concluímos uma primeira etapa desses estudos. Agora, estamos informando ao escalão superior para verificarmos as condições de desativação”, complementou. “O 17º Batalhão de Fronteira continua, a 18ª Brigada é que está em estudo a desativação. Forte Coimbra será remodelado, para deixar de ser uma Companhia com efetivo de mais de 200 militares para ser um Pelotão Especial de Fronteira com efetivo aproximado de 99 homens. O patrimônio permanece. Há interesse e aproximação do CMO com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para estabelecer um convênio que permita aos cursos utilizarem o espaço histórico do Forte Coimbra e suas instalações”, observou.

A este Diário, o comandante da 18ª Brigada afirmou que o estudo solicitado já foi encaminhado ao Comando Militar do Oeste e que a Brigada aguarda novas diretrizes do Exército. “O fato é que o documento que determina que a Brigada será desativada já saiu. Só não precisou a data”, disse o general. Ele lembrou que com a desativação, o quartel do 17º Batalhão de Infantaria de Fronteira (17º BFron) deverá incorporar material, efetivo e patrimônio da Brigada. “Desativação envolve planejamento, cuidado com pessoal que está servindo e que precisa ser transferido. Tudo isso implica custos, estamos trabalhando num planejamento que foca a vertente pessoal e a vertente material. Existem viaturas ligadas ao Comando da Brigada que o escalão que nos enquadra, o logístico, é quem vai determinar a destinação desse material de emprego militar. Baseado nessa determinação, pode ser que o 17º Batalhão receba parte desse material ou que vá suprir outras unidades. Isso integra estudo. Trato com pessoal e movimentação e estamos tendo muito cuidado com isso. A movimentação está dentro da rotina, mas a desativação vai promover movimentação saindo maior que o normal e ninguém chegando”, argumentou.

O general de brigada Denison avaliou que ao desativar a 18ª Brigada em Corumbá, o Exército Brasileiro não está deixando a fronteira Oeste do Brasil desguarnecida. “Considerando que o Comando da Brigada está no nível de Comando, eu não emprego as unidades que vão ser desativadas diretamente na atividade de patrulhamento de fronteira, fiscalização, controle e operação. Esse comando podia estar sediado em Campo Grande, Cuiabá, que não faria diferença, ou em Forte Coimbra como já esteve em períodos históricos. O posicionamento do Comando não interferiria na eficiência do cumprimento da missão, que o 17º Batalhão de Fronteira vem cumprindo nessa área. Vamos deixar o 17º BFron reforçado com as estruturas necessárias para que essa missão na fronteira não sofra decréscimo na eficiência”, disse.  “O efetivo continua considerável. Talvez serão 150 ou 200 a menos. Só o 17º BFron tem efetivo que beira 700 homens. Um percentual considerável ainda permanecerá na guarnição”, pontuou.

“A desativação da Brigada não significa dizer que esta área é menos importante para o Exército. No processo de transformação, o Exército foca a força terrestre, que é seu braço armado, preparado para o emprego, já que é um instrumento militar de guerra. Focando a força terrestre, verificou-se a necessidade de rearticular as forças. Existe um estudo também de desativação da 18ª Brigada aqui em Corumbá e ativação de uma Brigada de Selva em Macapá (AP), considerando que o ambiente amazônico é prioritário de emprego do Exército, de atenção com desdobramento de força. A desativação da brigada, não implica em retirar o Exército de Corumbá. Nós permanecemos aqui com o 17º Batalhão de Fronteira”, concluiu.

Terreno doado pela Prefeitura deve ser devolvido

Com um patrimônio considerável em Corumbá, o Exército poderá transferir muito de sua estrutura para a posse do 17º Batalhão de Fronteira. É o que indicam os estudos feitos pela 18ª Brigada, prestes a ser desativada. “Temos os próprios nacionais residenciais (imóveis), além desta instalação que serve ao quartel general da Brigada. Estudamos a possibilidade de jurisdicioná-lo ao Comando do 17º BFron e conferir mais meios, pessoal e estrutura administrativa para que ele tenha condições de gerir esse patrimônio. O 17º é uma instalação muito antiga, já não comporta confortavelmente todo seu efetivo. Neste caso, este prédio seria destinado a uma das seções de apoio administrativo do Comando do 17º BFron. Estamos indicando para o escalão superior que é interessante a manutenção deste prédio, que oferece condições de instalação que não são típicos da atividade do 17, porque ele não é o comando da Brigada. Por exemplo, o tratamento com órgão pagador de inativos e pensionistas, a responsabilidade é da brigada; nossa estrutura de mobilização pessoal, está dentro do comando da brigada. Estas duas estruturas teriam de permanecer na guarnição, sob controle do Batalhão, que não tem espaço físico para absorvê-las. A manutenção desse prédio é uma linha de ação que propomos para que seja o segundo quartel do 17 para essas funções mais administrativas”, disse o general Denison.

Os imóveis também deverão ser incorporados ao 17º Batalhão. “Não temos quantidade de próprios que atenda todo efetivo militar, muitos ainda moram de aluguel. Então, existe a possibilidade de o 17 absorver esses próprios para uso de seu pessoal, já que terá reforço considerável em seu efetivo”, destacou o comandante da Brigada. O estudo propõe algumas linhas de ação, como reforçar as estruturas administrativas do 17º Batalhão de Fronteira para que a organização militar tenha condições de assumir o comando da guarnição e sua consequente administração patrimonial. O efetivo de pessoal que não permanecer aqui será lotado em outras cidades do país.

“Documento que determina que a Brigada será desativada já saiu. Só não precisou a data”, disse general Denison

Em julho do ano passado, a Prefeitura de Corumbá doou uma área, na região do Anel Viário, para o Exército construir uma nova sede da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, que passaria a contar com as Companhias de Comunicação Mecanizada e a de Polícia do Exército. Esse terreno deve ser devolvido, antecipou a este Diário o general. “O próprio decreto de cessão determina que se não fosse usado dentro de um o prazo de três anos, ele retornaria a posse da Prefeitura. Pretendemos informar oficialmente da situação que estamos enfrentando. Ainda é fase de estudos e aguardamos diretrizes do escalão superior para oficializar algumas informações e a da Prefeitura é uma delas”, informou o comandante.

A desativação deverá tirar de Corumbá a figura do general no comando das tropas do Exército Brasileiro. “Analisamos a criação de uma estrutura de Comando que possa enquadrar todos esses elementos que realizam uma trabalho importante na fronteira. Aqui na fronteira oeste, a vida do Exército é missão real. Estamos garantindo a nossa soberania todo o dia. Essa estrutura de Comando não será chefiada por um general, será chefiada por um coronel, numa estrutura um pouco mais enxuta, com sede em Campo Grande, de onde tenha melhores condições de ter em seu arco fronteiriço desde o 2º Batalhão de Fronteira, em Cáceres (MT), que está fora da subordinação da 18ª Brigada atualmente, até a Companhia de Porto Murtinho”, afirmou o general de brigada João Denison Maia Correia ao destacar que dessa forma a estrutura de apoio logístico, com essa nova configuração, se mostrará “mais enxuta e eficiente” no emprego das unidades de fronteira”. 

História

O aniversário da 18ª Brigada de Infantaria de Corumbá é comemorado dia 12 de junho, e relembra a evolução histórica da presença do Exército na fronteira Oeste do Brasil. A data foi escolhida por ser o dia da transferência da 2ª Brigada Mista da sede de Campo Grande para Corumbá, em 1946, cujas funções são exercidas até os dias de hoje, que se destinam são coordenar as unidades de destacamento do Exército existentes na área de fronteira Oeste.

Ao longo destes anos, ela recebeu em 1980 a denominação histórica de Brigada Ricardo Franco, que em 1985 foi modificada para o atual nome de 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, porém sendo mantida a denominação histórica de Brigada Ricardo Franco. 

 

Comentários:

Tulio Augusto Martins Siqueira: É com muita tristeza que recebo esta noticia, que me deixa realmente preocupado com o quadro geral que enfrentamos neste momento politico do Brasil. Servi por cinco anos na Campainha de Comando da Brigada, na época 2ª Brigada Mista,sei da importância, desse comando e do seu significado estratégico, ter um oficial General no comando de fronteira,faz toda diferença. Corumbá uma cidade com economia frágil, onde a presença das guarnições militares, muito influencia em sua renda per capita. Caso isso se concretize toda a região sofrera o reflexo desta situação nunca dantes pensada. Este caso carecia de uma intervenção politica de toda região no sentido de reverter essa decisão.Fica aqui minha total indignação com esta decisão extremamente prejudicial ao nosso Brasil.Um fraternal abraço ao povo Corumbaense.

Joelson Silva Carvalho: Ok desativem a Brigada! Mas instalem outro batalhao de preferência mecanizado , pois nossos vizinhos nao brincam de fazer GUERRA ,vao abandonar CORUMBÁ novamente? Quer cortar gastos acabem com as vagas de senadores, deputados e vereadores, acabem com a farra deles . OBRIGADO !

Cleuson Salvio Trierweiler: Fico triste ao ler uma notícia como esta, tendo em vista que servi na Cia Cmdo da 2ª Bda Ms e posteriormente na Cia Cmdo da 18ª Bda Inf Fronteira, e sei o valor de se ter um General no comando de uma área estratégica, que é o nosso pantanal e ainda mais por ser área de fronteira. Se fôr pra economizar, é só acabar com várias regalias que existem no Planalto Central. Quem perde com isso é o município de Corumbá, economicamente, e a nação brasileira, que ficará sem um comando forte na fronteira com a Bolívia.

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