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Mãe de menino torturado e abusado diz que seu erro foi acreditar no ex-companheiro

Midiamax em 09 de Novembro de 2012

Depois de a história de tortura e violência sexual envolvendo o filho de 4 anos e 11 meses se tornar pública por meio do noticiário estadual, a mãe do menino quebrou o silêncio e contou como era a convivência dela, o ex-companheiro e a criança. Em clima de família unida, onde o amor e a confiança pareciam intocáveis, ela afirma que embora fosse muito presente na vida do filho não conseguiu perceber as agressões que ele estava sofrendo nos últimos tempos.

Nessa matéria, a mãe da criança será identificada com o nome fictício de Suzana. Ela não quer ser identificada, principalmente para que futuramente quando o filho receber alta hospitalar não seja apontado na rua. Ela inicia contando que conheceu o agressor de seu filho quando ambos tinham aproximadamente 11 anos. Cada um seguiu sua vida e depois de duas décadas se reencontraram. "Foi aquela explosão, tudo muito bom. Descobrimos que tínhamos filho e porque não tentarmos. Foi tudo muito rápido e depois de um tempo resolvemos morar juntos", conta.

Reprodução/SBT MS

"Suzana" diz que não quer qualquer notícia do ex; quer apenas ter uma vida junto do filho

Suzana diz que a criança chama A.L. de B.O. de pai e não padrasto. O ex-companheiro também demonstrava amor pelo menino e o chamava de filho. Inclusive, segundo a mãe, a pediatra da criança e muitas outras pessoas vendo a união dos dois diziam que ela tinha encontrado uma pessoa legal para o filho e para ela ter uma família. "Aparentava que ia nos fazer muito felizes. Só agora estou vendo que isso não era verdade", diz com voz embargada.

Questionada quando percebeu que o filho estava com problema de saúde, Suzana responde: "eu sempre participei muito ativamente da vida do meu filho. Sempre o levei ao pediatra para fazer exames de rotina. Ele começou com vômitos e reclamações de dores abdominais. Uma série de vezes e uma série de médicos sempre com o mesmo diagnóstico de problema estomacal ou possível alergia", conta.

De acordo com a mãe, a criança nunca tinha contado para ela ou a avó materna, que são as pessoas mais próximas, sobre o que realmente estava acontecendo. O diagnóstico médico também era sempre o mesmo: algo que tinha comido e depois melhorava após o tratamento indicado. "Os médicos não desconfiaram de nada. Ele não apresentava nenhum hematoma. Era uma criança normal com dor no estômago", frisa.

"Só agora eu vejo que acreditei na pessoa errada. Meu erro foi esse, acreditar nele", diz Suzana quando questionada da decepção que teve ao saber da verdade: o homem que ele estava morando e que conhecia há tampo tempo, na verdade, tinha torturado seu filho. Pelo relato da mãe da criança, A.L. de B.O. era uma pessoa envolvente, sedutora emocionalmente e que passava credibilidade, confiança.

Suzana ainda vai além e diz que não só se decepcionou com o ex-companheiro como todos seus sonhos acabaram depois que ficou sabendo do sofrimento que seu filho passou. "Todos os meu sonhos acabaram. O sonho de ter uma família, o sonho de ter mais um filho. O sonho de ser feliz com meu filho e outra pessoa acabou", diz com os olhos marejados.

A verdade

Suzana disse que só ficou sabendo da verdade no hospital, no caso a Santa Casa de Campo Grande, local que ela afirma que ele se sentiu a vontade depois de alguns dias internado. "Foi um choque total. Dói muito saber que mesmo eu como mãe muito presente na vida do meu filho não consegui perceber o tipo de pessoa que eu estava me relacionando. Se bem que é impossível adivinhar o que realmente a pessoa é. Ninguém vem com adesivo estampado. Eu tinha confiança nele, esse foi meu erro: confiar nele", diz.

A mãe disse que depois que soube da verdade questionou o filho por que não contou. A criança disse que quando aconteciam as agressões ela nunca estava em casa. "Eu sempre trabalhei fora e muito. O meu sentimento hoje é ter minha vida com meu filho".

O ex-companheiro

Questionada sobre o futuro, se um dia quer saber do ex-companheiro que até então era uma pessoa amada na família, Suzana afirma que nunca mais quer vê-lo ou ter notícias dele. Seu desejo agora é ter uma vida com seu filho e espera por justiça. "Não se acaba com a vida de alguém dessa forma, ainda mais com um inocente", finaliza.

O caso

Depois que a mãe internou a criança na Santa Casa de Campo Grande com um quadro de vômito, diarréia e desidratação, os médicos desconfiaram de maus tratos e acionaram o Conselho Tutelar Centro. Uma conselheira e uma psicóloga o escutaram no próprio hospital. Pela primeira vez o menino disse que sofria tortura do padrasto, inclusive em certa vez colocou o "piupiu na boca dele", uma alusão ao sexo oral.

Depois que a criança foi escutada, a conselheira tutelar encaminhou um relatório para a delegada titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Regina Márcia Rodrigues. Foi requisitado um mandado de prisão, que foi concedido Justiça. No dia 1º de novembro o agressor foi preso.

A.L. de B.O. confirmou o relato da criança. Ele chegou a dizer que precisava de um tratamento psiquiátrico e que tinha medo que fizessem com ele na prisão o mesmo que fez com a criança. O agressor revelou que praticava as agressões para ver a criança sofer, mas não sabia dizer porque queria tal cena. Inclusive, muitas delas aconteciam quando a mãe do menino estava dormindo.

*Esta matéria foi produzida com base em entrevista exclusiva concedida para a repórter Débora Alves, da emissora de televisão SBT MS. Com autorização da entrevistada, o Midiamax repercute o material.

 

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