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Advogado de delegado é preso por suspeita de vazamento de operação

Campo Grande News em 29 de Setembro de 2026

Osmar Veiga/Arquivo Campo Grande News

Amilton durante a Operação Infiltrados, na quinta-feira (24)

O advogado Amilton Ferreira de Almeida, que representava o delegado Hoffman D’Ávila, preso na Operação Infiltrados, foi preso temporariamente por 30 dias na manhã desta terça-feira (29), em Campo Grande. A prisão ocorreu durante a segunda fase da operação, denominada “Obstructio”, que investiga o vazamento de informações sigilosas.

Amilton foi preso em casa, na Vila Albuquerque, e levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada).

Em nota, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informou que, além da prisão temporária, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

As medidas fazem parte da investigação que apura o vazamento de informações sigilosas durante a primeira fase da Operação Infiltrados, deflagrada na quinta-feira (24).

Segundo o Ministério Público, há “evidências já materializadas” de que ocorreu o que o órgão classifica como “comunicação criminosa” da ação policial. Conforme o MPMS, o suposto vazamento teria atrapalhado diretamente a investigação do Gaeco sobre a atuação da organização criminosa investigada. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acompanhou o cumprimento das medidas por Amilton ser advogado.

A advogada Damares Costa Machado, responsável pela defesa de Amilton, afirma que a prisão estaria relacionada à suspeita de que ele tenha avisado Hoffman, então seu cliente, sobre a operação. Ela nega que tenha ocorrido vazamento de informações.

Segundo Damares, na manhã da operação, Amilton havia combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h. O horário, conforme a defesa, era habitual porque eles costumavam sair cedo para caminhar. Depois do encontro, Hoffman não retornou para casa, não foi localizado pelos policiais e se apresentou voluntariamente no final da tarde.

Damares sustenta que Amilton não tinha conhecimento prévio da operação. “Imaginar o que pode acontecer no processo criminal do cliente faz parte da função do advogado criminalista, mas não há nenhuma prova de vazamento de informação”, afirmou.

Segundo a defesa, Amilton também disponibilizou o celular para análise. Hoffman passou a ser representado pelo advogado José Roberto Rosa.

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco na quinta-feira (24) para investigar um esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul. Segundo a investigação, parte dos entorpecentes era omitida dos registros oficiais ou retirada de depósitos de delegacias e depois repassada a traficantes para voltar a ser comercializada.