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Mulher alega legítima defesa ao matar ex-companheiro em Rio Verde

Campo Grande News em 14 de Setembro de 2026

Rio Verde News

Corpo de Erismar no local onde foi morto pela ex-companheira

"Achei que ele ia pegar um canivete para me matar." Foi com essa justificativa, tomada pelo medo de ter o mesmo fim da irmã assassinada há um mês, que Nathaly Rodrigues Nogueira, de 24 anos, prestou depoimento à Polícia Civil após matar o ex-companheiro, Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos, na madrugada de quarta-feira (9), em Rio Verde de Mato Grosso, cidade a 203 quilômetros de Campo Grande.

Em depoimento prestado à delegada Danielle Felismino, Nathaly afirmou ter agido em legítima defesa por medo de ser mais uma vítima de feminicídio. A preocupação da jovem tem fundamento na história recente da família: ela é irmã de Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta a facadas pelo companheiro no dia 6 de agosto deste ano, também no município.

Segundo o relato de Nathaly, as ameaças de Erismar eram frequentes e, por conta do trauma com a morte da irmã, ela passou a andar com uma faca para se proteger. "Eu andava com a faca no sutiã porque tinha muito medo do que ele podia fazer comigo”, disse a jovem.

Horas antes do crime, a Polícia Militar já havia sido acionada para conter uma briga do casal em via pública, onde a investigada relatou ter sido agredida pelo ex-marido. A guarnição realizou buscas, mas não encontrou o homem; em seguida, conduziu a mulher ao hospital e a acompanhou até em casa.

Mais tarde, Nathaly foi a um bar com amigas. Por volta das 3h10, Erismar surgiu no local e deu início a uma nova discussão cobrando as chaves da residência. A jovem relatou aos policiais que, no meio do desentendimento, acreditou que o ex-companheiro sacaria um canivete para atacá-la e, desesperada com a possibilidade de morrer igual à irmã, puxou a faca do sutiã e desferiu um golpe no peito do homem. “Pensei que ele estava armado, achei que ia puxar um canivete. Fiquei desesperada".

Apesar da versão de legítima defesa apresentada por Nathaly, a perícia técnica não encontrou nenhuma arma com a vítima, apenas uma carteira com documentos pessoais. Erismar chegou a caminhar por alguns metros após ser atingido, mas caiu na via pública e faleceu antes da chegada do socorro.

Nathaly foi autuada em flagrante por homicídio simples e passou por audiência de custódia quando o juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva decidiu conceder a liberdade provisória à jovem, determinando que ela não saia da cidade e mantenha o endereço atualizado, além de proibi-la de frequentar bares e congêneres.

21º feminicídio no ano

Nathália foi morta com golpes de faca por volta das 3h30 do dia 6 de agosto, em frente à residência onde morava com o suspeito, na rua Joaquim Voltinha. O crime aconteceu na presença dos dois filhos da vítima, de 9 e 5 anos. Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, se apresentou na delegacia um dia depois do crime e acabou sendo preso.

Na época, segundo a delegada Danielle, responsável pelo caso, a Polícia Civil realizou uma série de diligências após o crime, incluindo a oitiva de testemunhas, análise de imagens de câmeras de segurança e outras medidas investigativas para esclarecer os fatos e identificar a autoria.

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a autoridade policial representou pela prisão preventiva de Jucimar. O pedido foi deferido pelo Poder Judiciário. Na manhã seguinte, o investigado compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia de Rio Verde de Mato Grosso, onde o mandado foi cumprido.

A investigação aponta que o casal teria discutido antes do ataque. Após o crime, Jucimar teria telefonado para um familiar dizendo que havia feito uma "cagada" e, em seguida, desligado.

Equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas, mas a jovem já estava sem vida quando os socorristas chegaram. Policiais militares, civis e a Perícia Técnica atenderam a ocorrência.

Ainda conforme a Polícia Civil, o suspeito possui registro anterior por violência doméstica, datado de 2019.  Com a apresentação espontânea e o cumprimento do mandado de prisão preventiva, Jucimar permanecerá preso enquanto o inquérito policial prossegue para o completo esclarecimento do feminicídio.