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Projeto resgata memória de Dr. Gabriel Vandoni de Barros e aproxima estudantes da história de Corumbá

Ricardo Albertoni em 05 de Setembro de 2026

Diário Corumbaense

O Café Literário também contou com apresentações culturais

Projeto de Linguagem desenvolvido na Escola Estadual Doutor Gabriel Vandoni de Barros, em Corumbá, uniu pesquisa, comunicação e educação para apresentar aos alunos a trajetória do patrono da instituição.

Conhecer a história de uma cidade também é uma forma de compreender a própria identidade. Com esse propósito, alunos e professores da unidade de ensino, desenvolveram um projeto voltado ao resgate da trajetória e do legado do patrono da escola.

Intitulado “Memória e Identidade: a trajetória do Doutor Gabriel Vandoni de Barros e seu legado na educação de Corumbá (MS)”, o trabalho envolveu pesquisa, produção de textos, entrevistas, fotografias e atividades relacionadas à comunicação. A proposta foi levar os estudantes a conhecer melhor a história da pessoa que dá nome à escola onde estudam.

Segundo a diretora da unidade, Rosângela do Carmo Leite Olarte, o projeto é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo do ano pela equipe pedagógica, com destaque para a área de Linguagens. “Nosso elo foi mostrar quem é o nosso patrono, quem é o cofundador, o querido doutor Gabriel Vandoni de Barros”, explicou.

De acordo com Rosângela, além de ter contribuído com a doação do terreno para a construção da escola, Gabriel Vandoni de Barros deixou um legado que ultrapassa os limites da instituição. A escola também recebeu peças relacionadas ao patrono, entregues por um sobrinho dele, que deverão integrar a reinauguração da biblioteca que leva seu nome.

Diário Corumbaense

Varal de poesias preparado pelos alunos participantes

A iniciativa também busca aproximar os alunos da leitura, da escrita e da comunicação, áreas que fizeram parte da trajetória de Gabriel, que atuou como escritor, advogado, jornalista e radialista.

Educação e memória

O professor Rosenil dos Santos Gomes, coordenador da área de Linguagens, explica que o projeto faz parte de uma programação desenvolvida ao longo do ano, envolvendo as quatro áreas do conhecimento da escola.

“No primeiro bimestre trabalhamos Matemática; no segundo, Ciências da Natureza, com o tema meio ambiente, e agora, no terceiro bimestre, a área de Linguagens trabalhou a identidade e a memória da escola”, explicou.

Segundo Rosenil, a proposta surgiu da necessidade de fazer com que os alunos conhecessem melhor a história do local onde estudam e a trajetória de seu patrono. “Eles precisam conhecer essa identidade. E o doutor Gabriel nos possibilitou trabalhar muito bem essa questão”, afirmou.

A experiência também despertou o interesse dos estudantes. O projeto foi apresentado na Expotec do Estado, junto a outros cinco trabalhos da escola, e recebeu elogios da equipe da Coordenadoria Regional de Educação.

Diário Corumbaense

Convidados do Café Literário e equipe de professores que coordena o projeto

Para Rosenil, a iniciativa também contribui para aproximar os alunos da comunicação e orientá-los diante do desafio das fake news, estimulando o senso crítico e a capacidade de identificar informações falsas.

O Café Literário GVB foi a culminância do projeto na sexta-feira (4) e recebeu a jornalista Rosana Nunes, do Diário Corumbaense; o radialista Pedro Paulo, o Pepê; e a professora doutora Rosangela Villa da Silva. Na ocasião, também foram lembrados os radialistas Jonas de Lima, Chicão de Barros e Toddynho, além dos jornalistas André Navarro e Caio Tumelero. Os profissionais da comunicação foram retratados em desenhos produzidos pelos alunos, como forma de reconhecimento ao trabalho desenvolvido por eles na imprensa.

Resultados também aparecem na aprendizagem

Além da valorização da memória local, a escola destaca os resultados obtidos pelos estudantes nas avaliações educacionais.

Segundo a direção, a unidade alcançou 6,20 no 5º ano no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), apontado como o melhor resultado entre as escolas estaduais de Corumbá. No 9º ano, a instituição alcançou 5,11, resultado que, segundo a direção, colocou a escola em primeiro lugar, juntamente com a Escola Estadual Maria Helena Albaneze.

Para a diretora Rosângela Olarte, os resultados reforçam a importância do trabalho desenvolvido com a Língua Portuguesa e as diferentes formas de comunicação.

Alunos como protagonistas

Diário Corumbaense

Biblioteca em breve será inaugurada na escola; livros e peças foram doados por familiar do Dr. Gabi

Mais do que conhecer uma personalidade histórica, o projeto também abriu espaço para que os estudantes descobrissem novas possibilidades para o futuro.

É o caso de Julia Pereira Escobar, de 13 anos, aluna do 8º ano, que participou das atividades e teve contato com a programação de rádio. “Foi legal, gostei, me senti acolhida”, contou a estudante. A experiência despertou em Julia o interesse pela área da comunicação. “Eu queria ser uma jornalista”, revelou.

Para ela, projetos como esse são importantes porque ajudam os estudantes a desenvolver novas habilidades e perceber que a escola pode contribuir para a construção de seus sonhos. “Eu quero subir um degrau que dê orgulho para minha família”, afirmou.

Lucca Gabriel, de 12 anos, aluno do 6º B, também viveu uma boa experiência por meio do projeto. Ele representou o Dr. Gabriel na fase adulta. "Eu achei que ia ser difícil, que ia 'travar', mas consegui fazer o personagem. Dr. Gabi é uma inspiração para todos nós", disse o estudante. 

Preservar para não esquecer

Ao reunir pesquisa histórica, produção textual, comunicação e participação dos estudantes, o projeto transforma a escola em um espaço de preservação da memória de Corumbá.

A trajetória de Gabriel Vandoni de Barros é conhecida não apenas pelos registros históricos, mas também pelas novas gerações que frequentam a instituição que leva seu nome.

Para professores e alunos, resgatar essa história significa reconhecer as contribuições de quem ajudou a construir a comunidade e compreender que preservar essas memórias também é papel da escola.

Nascido em 10 de julho de 1907, em Corumbá, e falecido em 1988, Dr. Gabi se consolidou como uma das figuras mais influentes na preservação do patrimônio e da literatura pantaneira.  

Reprodução

Dr. Gabi e sua esposa, dona Augusta Barros, na biblioteca da casa onde viveram; o imóvel abriga desde 2016 a Casa de Memória do Dr. Gabi

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