Rosana Nunes em 24 de Agosto de 2026
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Rio Paraguai, em frente a prainha do Porto Geral de Corumbá
Os dados de 19 de agosto mostram diferenças entre os trechos. Entre Barra do Bugres e Cáceres, no Mato Grosso, Barra do Bugres apresentava nível considerado normal para o período, enquanto Cáceres estava abaixo da faixa de normalidade. No trecho entre Ladário e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, os níveis permaneciam dentro dos padrões esperados.
Também nos principais afluentes monitorados - Cuiabá, Palmeiras e Miranda - as cotas estavam dentro da faixa considerada normal. Ainda assim, todos os trechos do rio Paraguai entre Barra do Bugres e Porto Murtinho apresentavam níveis inferiores à media histórica registrada para 19 de agosto, aproximando-se do limite inferior da normalidade.
Em Ladário, estação de referência para o acompanhamento do comportamento do rio, a cota registrada às 7h do dia 19 era de 2,28 metros. O nível apresentou redução de 13 centímetros em sete dias e de 20 centímetros em duas semanas. Nesta segunda-feira (24), o nível do rio chegou a 2,20 metros. Para a data, a faixa considerada normal na estação varia de 0,86 metro a 4,51 metros.
Segundo o SGB, a tendência de queda dos níveis é esperada neste período do ano. A situação, entretanto, ocorre após uma sequência prolongada de níveis abaixo da média histórica. Entre janeiro e julho de 2026, a precipitação acumulada na bacia ficou 5% acima da média histórica, considerando a série de 1998 a 2025.
Apesar do resultado favorável das chuvas, os níveis dos rios ainda estão abaixo dos registrados até 2020. Naquele período teve início uma sequência de anos com cotas inferiores à média, que já se prolonga por quase sete anos. O cenário atual, no entanto, é considerado mais positivo quando comparado a anos de estiagem severa, como 2021 e 2024.
Pouca chuva prevista para os próximos dias
A previsão para os próximos dias indica baixo volume de chuva na bacia. De acordo com o modelo GEFS/NOAA, o acumulado médio esperado é de apenas 2 milímetros. A região de Miranda, em Mato Grosso do Sul, deve concentrar as maiores contribuições, também com previsão de 2 milímetros, enquanto não são esperadas chuvas significativas em Barra do Bugres, no Mato Grosso.
Com a previsão de pouca chuva, a expectativa é de que o rio Paraguai continue em processo de recessão nos próximos dias. Para Ladário, a projeção aponta queda de 17 centímetros em sete dias e de 34 centímetros em 14 dias, em relação ao nível registrado no último boletim.
O comportamento dos rios continuará condicionado à ocorrência de chuvas ao longo do Paraguai e de seus afluentes. Por isso, o acompanhamento dos volumes precipitados e da resposta dos cursos d’água permanece essencial para avaliar a evolução do cenário hidrológico.
O monitoramento é realizado pelo SGB por meio do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, com dados da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). As previsões são produzidas a partir de modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas próprias desse tipo de estimativa.
Com informações do Serviço Geológico do Brasil.
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