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Boliviano morto em operação do Bope era integrante de alto escalão do tráfico de cocaína

Campo Grande News em 08 de Agosto de 2026

Divulgação

José Mariano Paz Chavez, apontado pelo Bope como figura de alto escalão do tráfico de cocaína na América do Sul

José Mariano Paz Chavez, de 29 anos, um dos quatro bolivianos mortos em confronto com o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) na noite de sexta-feira (7), em São Gabriel do Oeste, era apontado pelas autoridades bolivianas como uma figura de alto escalão do tráfico de cocaína na América do Sul.

Segundo a Polícia Militar, ele atuava principalmente na região de fronteira da Bolívia com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e tinha histórico ligado ao transporte aéreo de drogas.

A informação foi detalhada neste sábado (8) pelo comandante do Bope, coronel Rigoberto Rocha, durante entrevista sobre a operação, em Campo Grande, que mobilizou cerca de 50 policiais ao longo de oito dias na região do Rio Coxim.

Além de José Mariano, morreram no confronto Cristian Guzman Parada, de 31 anos, Bruno Bascope Jordan, também de 31, e José Oscar Lacoa Rapu, de 26 anos.

Conforme o coronel, José tinha várias passagens relacionadas ao tráfico de drogas, principalmente com utilização de aeronaves, além de registros envolvendo sequestro. A polícia boliviana também o apontava como uma pessoa de alta periculosidade.

“Trata-se, segundo as informações recebidas, de uma figura importante do tráfico de cocaína na América do Sul, principalmente na região de fronteira da Bolívia com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, afirmou o comandante.

Osmar Veiga/Campo Grande News

Coronel Rigoberto Rocha, comandante do Bope, durante entrevista neste sábado (8), quando apresentou detalhes da operação que terminou com quatro bolivianos mortos em São Gabriel do Oeste

Segundo o Bope, os quatro bolivianos atuariam como fornecedores de cocaína em grande escala, negociando a droga no atacado e abastecendo principalmente a região de fronteira com o Brasil. A polícia acredita que eles ocupavam um nível elevado dentro da estrutura do crime organizado boliviano.

Até o momento, porém, não foi identificada ligação direta dos quatro com uma organização criminosa específica.

A estrutura utilizada pelo grupo também chamou a atenção dos investigadores. Além do uso de aeronaves, a polícia identificou várias tentativas de resgate dos fugitivos durante os oito dias em que permaneceram escondidos na mata.

De acordo com o comandante, havia pessoas dispostas a pagar valores elevados para retirar os quatro da região. Questionado sobre a nacionalidade dos responsáveis pelas tentativas de apoio, o coronel afirmou que eram brasileiros.

Os detalhes sobre quem participou dessas ações e como os resgates seriam realizados não foram divulgados para preservar as investigações.

Relógio avaliado em mais de R$ 2 milhões

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Relógio da marca Richard Mille, avaliado em mais de R$ 2 milhões, foi apreendido durante a operação

Entre os objetos de alto valor encontrados no avião interceptado pela FAB (Força Aérea Brasileira) em 31 de julho estava um relógio Richard Mille RM 67, avaliado, conforme informações preliminares recebidas pela polícia, em mais de R$ 2 milhões. Também foi localizada uma quantidade significativa de moeda boliviana.

Apesar do histórico do grupo no narcotráfico, nenhuma droga foi encontrada na aeronave. Segundo o Bope, naquele episódio, o avião teria sido utilizado exclusivamente para retirar os quatro homens da Bolívia. O destino seria o Estado de São Paulo.

A polícia também recebeu informações de que a mesma aeronave já teria sido utilizada anteriormente no tráfico de drogas. Há ainda a suspeita de que outro avião tenha sido empregado para retirar outros integrantes do grupo em direção ao norte da Bolívia. Essa possibilidade continua sendo investigada.

Fuga começou após morte de policial

A saída dos quatro da Bolívia ocorreu depois de uma emboscada contra integrantes das forças especiais daquele país, em 30 de julho, na região de San Matías, próxima à fronteira com Mato Grosso.

O policial boliviano Yerson Salazar Aliendres morreu no ataque e outro policial ficou ferido.

Conforme informações compartilhadas com o Bope, os ocupantes do avião interceptado no Brasil seriam suspeitos de envolvimento no crime. O comandante afirmou ainda ter recebido a informação de que a morte do policial ocorreu em uma propriedade ligada a um dos integrantes do grupo.

A motivação do ataque ainda não é conhecida pelas autoridades brasileiras.

Para o comandante, os quatro estavam fugindo da Bolívia. A aeronave seguia diretamente para São Paulo e voava em baixa altitude, possivelmente em uma tentativa de evitar a detecção.

A partir do pouso forçado, o Bope iniciou uma operação especializada em área de mata. Cerca de 30 policiais do batalhão participaram diretamente dos trabalhos, além de aproximadamente 20 integrantes de outras unidades e forças de segurança.

O Grupamento de Policiamento Aéreo, o DOF (Departamento de Operações de Fronteira), o Batalhão de Polícia Militar Rural e o 5º Batalhão da Polícia Militar estiveram entre as unidades que prestaram apoio.

Após sucessivas ações de inteligência e rastreamento, as equipes chegaram aos quatro suspeitos em uma área de mata a cerca de oito quilômetros do local do pouso forçado.

Segundo o comandante, uma equipe avançou em formação de patrulha e houve confronto. O Bope já trabalhava com informações de que os homens poderiam estar fortemente armados, inclusive com até quatro fuzis.

Após o confronto, foram encontrados um fuzil calibre 5,56 e uma pistola calibre 9 mm.

Os quatro bolivianos foram atingidos e levados ao Hospital Municipal José Valdir Antunes de Oliveira, onde as mortes foram constatadas. Nenhum policial ficou ferido.

Conforme o Bope, José Mariano acumulava registros na Bolívia por crimes como tráfico de drogas, sequestro, ameaças, lesões graves e leves, associação criminosa, tráfico e porte ilícito de armas e assassinato. Parte dos procedimentos foi rejeitada ou encerrada, enquanto outros ainda estavam em andamento.

Cristian Guzman Parada tinha registro por tráfico de drogas em 2015, com condenação. Alguns dos integrantes do grupo já eram conhecidos das autoridades bolivianas havia mais de dez anos.