Leonardo Cabral em 01 de Agosto de 2026
Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

Foram cinco dias de intenso aprendizado para os participantes
Realizada no barracão da agremiação, localizado na rua Monte Castelo, a iniciativa teve como foco a cidadania e a preservação do patrimônio cultural imaterial do Carnaval corumbaense. A proposta foi aproximar crianças, adolescentes e a comunidade das raízes culturais da cidade, mostrando que o Carnaval vai muito além do desfile realizado na avenida.
Integrante da família fundadora da escola de samba, Silvania Santos Pereira da Silva contou ao Diário Corumbaense que a ideia da colônia de férias vinha sendo amadurecida há algum tempo. Segundo ela, o projeto nasceu com a intenção de apresentar aos participantes todo o processo que envolve a construção do Carnaval ao longo do ano.
“Tivemos a ideia de fazer uma colônia de férias para que eles entendam que o Carnaval não é só o desfile em si. Tem os bastidores, tem toda uma identidade, existe um intenso trabalho de planejamento, pesquisa, arte, música, dança, figurino, alegorias, percussão, organização e compromisso social, desenvolvido por dezenas de pessoas que mantêm viva essa importante manifestação cultural”, explicou Silvania.
Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

À direita, Gustavo junto ao mestre de bateria aprendendo a manusear os instrumentos
Entre os participantes estava Gustavo Afonso, de 13 anos. Entusiasmado com a experiência, ele contou que decidiu participar assim que soube da realização da colônia. O momento que mais chamou sua atenção foi a oficina com o mestre de bateria da agremiação, Igor Medeiros, quando teve contato com diferentes instrumentos e conheceu mais de perto o funcionamento de uma bateria de escola de samba.
“Aqui eu aprendi muita coisa nesses dias, como, por exemplo, a socialização junto à comunidade. Mas o que mais gostei mesmo foi ter contato com a bateria. Conheci alguns instrumentos, vi como funciona e o que realmente me chamou muita atenção foi o contato com a malacacheta, que aprendi a tocar. Quero muito fazer parte da bateria da escola”, afirmou Gustavo.
A participação também envolveu famílias da comunidade. Elaine Regina Garcia levou a filha, Manoela Eliza Garcia da Albuquerque, de oito anos, acompanhada de duas primas. Moradora da região da Major Gama, ela destacou a importância de oferecer às crianças uma atividade que unisse lazer, aprendizado e valorização cultural.“Aproveitei e trouxe a família toda. Moro ali na Major Gama e, quando ficamos sabendo, resolvi trazê-las. Achei muito legal para ocupar as crianças e adolescentes. Fora o que elas aprenderam, que foi esse gosto pela cultura, pelo Carnaval em si e de como ele acontece. A minha filha chegava em casa e contava tudo. Além de ela aprender, nós também aprendemos”, relatou Elaine.
Para Manoela, um dos momentos mais marcantes foi o encontro com a rainha de bateria, Ariane Urquiza. A experiência despertou na menina o desejo de, no futuro, participar do desfile da escola. “Aprendi muita coisa, mas gostei quando eu sambei com a rainha da bateria. Foi muito legal. Eu já quero desfilar também sambando”, contou, entre risos.
Leonardo Cabral/Diário Corumbaense Momento especial para as meninas foi aprender a sambar com a rainha de bateria da Major Gama
Além de aproximar o público infantil e juvenil do Carnaval, Silvania destacou que a iniciativa integra as ações sociais desenvolvidas pela GRES Unidos da Major Gama. Para ela, a iniciativa reforça o papel da escola de samba como espaço de educação, convivência, inclusão e valorização da cultura popular.
“A Colônia de Férias ‘Grandes Voos’ demonstra que uma escola de samba é muito mais do que um desfile: é um espaço de aprendizagem, convivência, preservação da cultura popular e transformação social”, finalizou Silvania.
O barracão da Major Gama fica na rua Monte Castelo, nº 136 (antigo pagode do Magno).
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