Rosana Nunes em 23 de Julho de 2026
Reprodução/Laudo da PF

Parte da carga retida no Porto Seco de Corumbá
A manifestação foi divulgada um dia após a Polícia Federal informar que os exames periciais realizados em Corumbá descartaram a presença de cocaína em todas as amostras analisadas, contrariando a suspeita que levou à retenção da carga e à divulgação do caso como uma possível apreensão recorde de droga.
Segundo a Receita, a retenção ocorreu após autoridades bolivianas manifestarem interesse no retorno da carga ao território daquele país para a realização de medidas de controle. O órgão classificou a situação como "incomum", por envolver uma carga que já havia ingressado em recinto aduaneiro brasileiro.
Por meio de nota, a Receita informou ainda que, durante a fiscalização, foram realizados narcotestes preliminares por servidores do órgão e pela FELCN. De acordo com o órgão, "os resultados apresentaram reação indicativa da possível presença de cloridrato de cocaína". Mas ressaltou, porém, que "esses testes têm caráter preliminar e não substituem os exames periciais realizados em laboratório".
Com base nas informações de inteligência e nos resultados dos testes iniciais, a Receita disse que "procedeu à retenção cautelar da carga e comunicou imediatamente o fato à Polícia Federal, para a adoção das medidas investigativas e periciais cabíveis".
Carga continua retida
Em relação ao laudo da Polícia Federal, a Receita confirmou ter recebido, nesta quinta-feira, 23 de julho, comunicação informando que "todas as amostras analisadas apresentaram resultado negativo para cocaína, bem como para outras substâncias de interesse forense, consideradas as técnicas e metodologias aplicadas".
Apesar disso, o órgão destacou que "a apuração, contudo, ainda não foi concluída". Segundo a Receita, ainda são aguardados laudos do Instituto Nacional de Criminalística, enquanto a Polícia Federal instaurou inquérito para dar continuidade às diligências, "com ciência ao Ministério Público Federal e à Receita Federal".
Por esse motivo, a carga continua retida. A nota relata que a Receita, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal "realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição".
O órgão acrescentou que "a eventual liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira".
Sobre os custos de armazenagem, a Receita esclareceu que eventual pedido de ressarcimento "poderá ser apresentado pelos meios administrativos próprios", mas ressaltou que o requerimento dependerá da análise do caso concreto e que "não há reconhecimento automático do direito ao ressarcimento".
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A investigação teve início após a Receita Federal anunciar, em 21 de junho, a retenção de cargas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sob suspeita de estarem impregnadas com cocaína líquida. A ação integrou a Operação Timber Shield, conduzida por autoridades brasileiras, norte-americanas e bolivianas para apurar uma possível nova modalidade de tráfico internacional de drogas.
Com informações do portal Campo Grande News.
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