Leonardo Cabral e Rosana Nunes em 01 de Julho de 2026
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Comandante-geral da PMMS, coronel Renato Garnes, veio a Corumbá acompanhar as ações
Participaram o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes e o comandante do 6º BPM, tenente-coronel Samuel Castilho Ferreira Aragão. Segundo a corporação, a ação teria relação com um desacordo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e não com uma disputa entre facções criminosas rivais.
O comando da PM informou que a investigação aponta que o episódio teria sido motivado por um conflito interno relacionado ao tráfico de drogas na região de fronteira. Corumbá, por fazer divisa com a Bolívia, é considerada uma área estratégica para o crime organizado devido às rotas utilizadas para o transporte de entorpecentes, principalmente cocaína.
De acordo com a PM, durante a operação foram presos dois homens e uma mulher suspeitos de envolvimento no caso. São eles: Everton da Silva Viana, de 41 anos; Rubens Zilio Neto, de 35 anos e Kalissa das Neves Guadalupe, de 33 anos.
Também foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas e um revólver, além de munições, todos encaminhados para perícia para identificação da origem.
A mulher presa seria companheira de Everton, segundo a PM, e responsável por guardar o armamento utilizado pelo grupo. Ela não possuía antecedentes criminais. Já Everton, tinha passagens por tráfico de drogas. O outro homem, Rubens, tem um mandado de prisão expedido pelo Distrito Federal pelo mesmo tipo de crime.
Segundo o tenente-coronel Samuel, as investigações indicam que Everton teria sido o responsável pelos disparos que atingiram o policial durante a perseguição.“A perícia da Polícia Civil vai apontar exatamente a posição de cada envolvido, mas tudo leva a crer que quem estava no banco de trás do veículo e realizou o disparo contra o policial militar foi o Everton”, explicou. O suspeito morreu após confronto com uma das equipes policiais.
Operação mobilizou mais de 100 policiais
Após o ataque, a Polícia Militar ampliou o efetivo nas ruas de Corumbá. Inicialmente, cerca de 70 policiais participaram das buscas. Com o apoio de unidades especializadas, como o Batalhão de Choque, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e o Grupamento de Policiamento Aéreo, o número ultrapassou 100 agentes envolvidos.
A corporação informou que barreiras foram montadas para impedir a fuga dos suspeitos para a Bolívia. A integração com as forças de segurança bolivianas também foi destacada como fundamental para a prisão dos envolvidos.
O comandante do 6º Batalhão disse que os dois suspeitos já haviam atravessado para a Bolívia quando foram localizados e presos pela Polícia Boliviana. Em seguida, foram trazidos de volta a Corumbá.
O tenente-coronel Samuel informou que durante as buscas pelo armamento, Everton tentou dificultar o trabalho policial, indicando locais diferentes onde supostamente estariam escondidas as armas. Em determinando momento, ele tentou tomar a arma de um dos policiais e acabou baleado. O suspeito foi levado ao Pronto-Socorro, mas não resistiu e veio a óbito.
Ainda de acordo com o comandante, as armas foram encontradas posteriormente na casa de Kalissa Guadalupe, escondidas dentro de sacos.
O veículo utilizado pelo trio, um Fiat Argo, cor prata, também foi encontrado. Conforme a PM, informações de inteligência apontaram que o carro havia saído do local onde o armamento foi localizado, na rua Joaquim Murtinho. Já Rubens Zilio Neto, apresentava ferimentos nas costas provocados por estilhaços de munição.
Terceiro suspeito continua foragido
A Polícia Militar confirmou que um terceiro envolvido segue sendo procurado. As buscas continuam com participação também da Polícia Civil, Polícia Federal e da Polícia Boliviana.
A possibilidade de fuga para a Bolívia não foi descartada. Por isso, o comandante-geral da PMMS, disse que a cooperação entre os países deve auxiliar na localização do suspeito. "Vamos continuar trabalhando até que esse indivíduo esteja sob os cuidados da Justiça”, afirmou o coronel Renato Garnes.
Polícia nega vídeos recentes sobre armamentos
Sobre vídeos que circularam nas redes sociais após a morte do soldado da PM, mostrando armamento de grosso calibre, a PM afirmou que parte desse conteúdo seria antigo e estaria sendo utilizado para gerar insegurança na população.
A corporação classificou as publicações como desinformação e afirmou que os armamentos apreendidos na operação foram aqueles encontrados durante o cumprimento das diligências.
Questionado sobre a possibilidade de retorno de estruturas específicas de policiamento de fronteira, como o Comando de Policiamento de Área (CPA), o comandante-geral afirmou que as unidades especializadas já atuam na região quando necessário, citando o Bope e o Choque.
"O DOF também mantém suas atribuições, mas os grandes comandos regionais e batalhões também possuem responsabilidade pela segurança urbana, rural e das áreas de fronteira", disse.
O comandante reforçou que novas ações poderão ocorrer conforme o avanço das investigações. “Vamos fortalecer o trabalho e continuar dando resposta dentro da legalidade”, declarou.
Apoio à família
O comandante-geral da Polícia Militar afirmou que a morte do policial representa um momento de tristeza para a corporação, mas destacou que o enfrentamento à criminalidade faz parte da missão da instituição.
“Quando ingressamos na Polícia Militar, assumimos o compromisso de manter o policiamento ostensivo e a ordem pública, mesmo com o risco da própria vida”, afirmou.
O coronel Renato ressaltou que a Polícia Militar está prestando toda a assistência à família do policial Marcelo Pimenta, que deixou uma filha, de 7 anos.
O velório começou às 16h desta quarta-feira, na Capela Cristo Rei, localizada na rua Major Gama esquina com a 13 de Junho, no centro da cidade. O sepultamento será às 10h30 desta quinta (2), no cemitério Santa Cruz.
(matéria editada para acréscimo do horário do sepultamento)
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