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Saneamento muda rotina de comunidades e coloca Mato Grosso do Sul entre referências nacionais

Da Redação em 26 de Junho de 2026

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Dona Madalena conviveu com a escassez de água por anos

O saneamento básico costuma ser uma infraestrutura pouco percebida no cotidiano, mas seus impactos aparecem diretamente na saúde, na qualidade de vida e no desenvolvimento das comunidades. Em Mato Grosso do Sul, a expansão dos serviços de água tratada e esgotamento sanitário tem transformado a realidade de milhares de moradores e deve levar o Estado a alcançar a universalização do saneamento antes do prazo previsto pelo Marco Legal do setor.

Atualmente, o Estado possui cerca de 80% de cobertura de esgoto e a expectativa é chegar a 90% até 2027. A meta anteciparia em cinco anos o prazo estabelecido nacionalmente para a universalização dos serviços.

Um dos exemplos dessa mudança está no bairro Potiguar, em Ladário, onde moradores passaram anos convivendo com dificuldades no abastecimento. Aos 66 anos, Madalena Evangelista da Silva lembra da emoção ao ver a água chegar regularmente à torneira de casa, em 2024, após mais de uma década enfrentando ligações improvisadas, falta de pressão e incertezas sobre o fornecimento.

“Foi maravilhoso, um dia inesquecível”, recorda a moradora. Antes da implantação do sistema, a rotina incluía armazenamento em baldes e caixas d’água vazias. Com a chegada do abastecimento regular, a realidade da comunidade começou a mudar.

A solução veio por meio de um projeto social desenvolvido pela Sanesul, em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, voltado para áreas onde dificuldades técnicas ou documentais impediam a instalação convencional da rede. No Potiguar, cerca de 30 famílias foram atendidas em uma região considerada de difícil acesso devido às características do terreno e à distância dos sistemas tradicionais de distribuição.

A transformação também alcançou comunidades quilombolas de Corumbá. Na comunidade Campos Correia, moradores relatam que, antes da implantação da rede, a água chegava de forma irregular, muitas vezes apenas durante a madrugada e por conexões improvisadas.

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Pescador profissional Paulo Correia, um dos filhos dos fundadores da comunidade

O pescador profissional Paulo Correia, de 48 anos, conta que o abastecimento trouxe mais segurança para as famílias. “Agora temos água sem interrupção nas torneiras. Melhorou nossa vida”, afirma.

A pescadora Adriana Santos resume a importância da mudança em uma frase: “A água é vida”. Segundo ela, a comunidade enfrentou anos de dificuldades devido a problemas de regularização territorial e ausência de infraestrutura. A solução foi implantada em 2023, com uma rede adaptada que permitiu levar água potável às residências.

Além dos efeitos imediatos para os moradores, estudos do Instituto Trata Brasil apontam impactos econômicos e sociais associados à ampliação do saneamento. A estimativa é que os investimentos realizados em Mato Grosso do Sul gerem R$ 82,5 bilhões em benefícios sociais entre 2005 e 2040, considerando ganhos relacionados à saúde, produtividade, valorização urbana e outros setores.

O levantamento indica ainda que, para cada R$ 1 investido em saneamento no Estado, o retorno para a sociedade chega a R$ 5,90, considerando os benefícios gerados pela melhoria dos serviços.

Especialistas destacam que o saneamento ultrapassa a questão da infraestrutura. O acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário está relacionado à prevenção de doenças, melhores condições ambientais e maior desenvolvimento econômico das regiões atendidas.

Com informações da Agência de Notícias da Secom MS. 

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