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Corumbá promove festas mais inclusivas e sustentáveis com restrição a fogos com estampido

Rosana Nunes em 20 de Junho de 2026

Renê Marcio Carneiro/PMC

Mudança visa transformar os eventos públicos em ambientes mais acolhedores, diz Fundação

O Arraial do Banho de São João, uma das maiores celebrações culturais de Corumbá, tem pelo segundo ano consecutivo, uma ação voltada à inclusão e à preservação ambiental: a restrição do uso de fogos de artifício com estampido nos eventos promovidos pela Prefeitura.

A medida integra uma política adotada pela administração municipal nos grandes festejos públicos e tem como objetivo tornar os espaços de celebração mais acessíveis, respeitando pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), neurodivergentes, idosos, crianças, além de animais e outros grupos afetados pelo excesso de ruído.

Com programação iniciada na sexta-feira, 19 de junho, e encerramento no dia 23, com a tradicional descida dos andores para o banho do santo nas águas do rio Paraguai, na Prainha do Porto Geral, o evento mantém suas características culturais, mas incorpora práticas de cuidado coletivo.

Para o prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira, preservar uma tradição centenária também significa acompanhar as mudanças da sociedade e criar condições para que mais pessoas possam participar das festividades. "A tradição do Banho de São João é preservada em toda a sua essência, mas é possível celebrar respeitando as pessoas que sofrem com os estampidos e também o meio ambiente. Essa é uma medida de cuidado com a nossa população”, destacou.

A diretora-presidente da Fundação da Cultura de Corumbá, Wanessa Rodrigues, explica que a restrição aos fogos sonoros faz parte de uma estratégia mais ampla de acessibilidade e responsabilidade ambiental, já aplicada em outros eventos municipais.

“A partir do Carnaval e também no ano passado, passamos a adotar essa postura nos grandes eventos. É uma forma de garantir respeito às pessoas que possuem sensibilidade aos ruídos e permitir que todos tenham acesso às manifestações culturais promovidas pelo município”, afirmou.

Segundo ela, o impacto dos estampidos pode provocar desconforto e sobrecarga sensorial em parte do público, dificultando a participação de algumas famílias nas atividades. A mudança busca transformar os eventos públicos em ambientes mais acolhedores.

A iniciativa também está relacionada à proteção do rio Paraguai, cenário principal do Banho de São João e patrimônio cultural imaterial de Corumbá. De acordo com a Fundação da Cultura resíduos provenientes da queima de fogos podem chegar ao curso d’água e comprometer a qualidade ambiental do local.

“O rio Paraguai é parte fundamental dessa celebração. A tradição existe porque temos esse patrimônio natural, então precisamos pensar também na preservação desse espaço”, ressaltou Wanessa.

A preocupação ambiental se estende a outras ações implementadas durante o evento. A Fundação da Cultura orienta grupos de quadrilhas e apresentações culturais a evitarem o uso de materiais metalizados que possam gerar resíduos e contaminar as margens do rio. Também foram instalados banners educativos incentivando o descarte correto do lixo e alertando sobre os impactos da poluição no principal curso d'água da região.

Para Wanessa Rodrigues, a restrição aos fogos com estampido representa uma adaptação às transformações sociais e ambientais observadas nos últimos anos.

“A questão dos fogos cruza com essa transformação social que estamos vivendo e com uma demanda crescente por inclusão. Ao mesmo tempo, existe a questão ambiental, que está intimamente ligada ao Banho de São João de Corumbá”, concluiu.

Projeto de lei

Por outro lado, está em discussão projeto de lei que proíbe a utilização, queima e soltura de fogos de artifício com estampido no município. A proposta foi aprovada na Câmara Municipal e depois vetada pelo Executivo para correção de um ponto jurídico.

De acordo com a Procuradoria-Geral do Município, o texto aprovado pela Câmara apresentava um vício na redação relacionado ao termo “comercialização”. O entendimento técnico é de que o município não tem competência para legislar sobre esse aspecto, atribuição que caberia à União, o que poderia abrir margem para questionamentos judiciais e até a suspensão da lei.

Com informações da Assessoria de Comunicação da PMC. 

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