Da Redação em 13 de Maio de 2026
Eduardo Melo/IHP

Além da troca técnica, a parceria busca fortalecer a articulação diplomática entre Brasil e Bolívia
O intercâmbio ocorreu no dia 12 de maio de 2026, com duração de seis horas, em um momento considerado crítico para os dois países. Em 2024, a Bolívia enfrentou o pior cenário de incêndios de sua história, levando a força naval boliviana a assumir papel estratégico nas ações de resposta a desastres ambientais.
Por meio do Centro Nacional de Formación para Expertos en Desastres Naturales, a Armada Boliviana já capacitou cerca de 600 oficiais e civis. Atualmente, uma nova turma com 32 oficiais participa de um ciclo de formação de seis semanas, incluindo imersão nas metodologias aplicadas pelo IHP no Pantanal brasileiro.
No Brasil, o alerta também preocupa. O Pantanal está sob decreto federal de estado de emergência entre abril e dezembro de 2026 devido ao risco de estiagem severa.
Tecnologia e IA no monitoramento ambiental
Um dos principais pontos da cooperação é o compartilhamento de tecnologias de monitoramento para ampliar a conservação em áreas estratégicas de biodiversidade, como a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, em Corumbá, além das Áreas Naturais de Manejo Integrado San Matías e Otuquis, na Bolívia.
Durante a capacitação, o IHP apresentou sistemas de detecção precoce com uso de Inteligência Artificial (IA), capazes de identificar focos de calor antes que evoluam para incêndios de grandes proporções. As ferramentas incluem tecnologias do Sistema Pantera, desenvolvido em parceria com a startup Um Grau e Meio.
A programação também contou com oficina prática de resgate de animais silvestres em situações de desastre ambiental, com foco na redução da mortalidade da fauna.
“A conservação do Pantanal não reconhece fronteiras políticas. Este trabalho conjunto é fundamental para garantir ações coordenadas e eficazes nos dois lados”, destacou Angelo Rabelo, diretor-presidente do IHP.
Cooperação binacional e agilidade nas respostas
Além da troca técnica, a parceria busca fortalecer a articulação diplomática entre Brasil e Bolívia para permitir ações conjuntas de combate ao fogo com menos burocracia. A proposta prevê maior agilidade na circulação de brigadistas e recursos durante emergências ambientais.
O Capitão de Fragata José Martín Torrico Bravo, do 5º Distrito Naval Santa Cruz da Armada Boliviana, afirmou que a experiência fortalece a atuação dos bombeiros florestais em áreas transfronteiriças.
“Esse curso amplia o conhecimento dos oficiais no uso de tecnologias, no resgate de animais silvestres e na atuação em campo durante incêndios florestais”, ressaltou.
Com informações da assessoria de imprensa do IHP.
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