PUBLICIDADE

Laudo aponta que segundo tiro de Alcides Bernal foi à queima-roupa

Campo Grande News em 11 de Abril de 2026

Laudo pericial

Simulação de onde estaria a vítima quando recebeu o primeiro tiro: em pé, em frente a uma mureta

Laudo pericial sobre a morte de Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, aponta que o segundo disparo efetuado pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, ocorreu à queima-roupa. O documento, elaborado pelo Instituto de Criminalística, detalha a trajetória dos projéteis e a dinâmica do crime ocorrido em 24 de março deste ano.

De acordo com o exame, o primeiro tiro foi disparado a longa distância. Naquele momento, o autor estava posicionado logo após a primeira coluna da varanda do imóvel, enquanto a vítima permanecia em pé, em frente a uma mureta. O projétil atingiu a parte superior do abdômen, logo abaixo das costelas, do lado direito de Mazzini, saiu pela região dorsal, colidiu contra uma parede e um vidro, sendo parado por um carregador móvel.

A perícia concluiu que, após o primeiro disparo, o autor se aproximou da vítima para efetuar o segundo tiro. Este atingiu a região lateral esquerda do corpo. Segundo o relatório, o disparo à curta distância foi realizado quando a vítima já estava caída, deitada sobre o lado direito do corpo, ou ainda em pé, mas com o atirador posicionado próximo ao alvo.

"Ainda que não seja possível estabelecer uma distância exata entre a arma e o corpo, segundo França (2017), a distância geralmente correspondente no disparo para armas convencionais de empunhadura (revólver e pistola) com munição usual (carga simples) utilizadas no Brasil é de 10cm a 50cm em tiros à curta distância", cita o laudo.

O documento estabelece que o autor entrou pelo portão social enquanto a vítima estava perto da porta da residência. Após o primeiro impacto e a aproximação do atirador, o segundo projétil não apresentou orifício de saída, ficando alojado no corpo de Mazzini.

O caso foi encerrado pela perícia como morte violenta por homicídio, causada por instrumento perfurocontundente. O laudo integra o inquérito da Polícia Civil que investiga a conduta do ex-prefeito no episódio.

Dois anos de débitos

O ex-prefeito Alcides Bernal, que está preso, passou dois anos sem pagar parcelas de financiamento da casa da rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, que foi palco da morte do fiscal tributário. A informação está em relatório da Caixa Econômica Federal anexado ao inquérito. A dívida, acumulada entre 2022 e 2024, chegou aos R$ 393 mil, sem contar juros e correção monetária.

Confisco

Conforme consta em registros cartorários, o imóvel foi comprado pelo casal Alcides Bernal e Mirian Elzy Gonçalves por R$ 1.669.422,87, no dia 16 de agosto de 2016. Do valor total, R$ 858 mil foram financiados e deveriam ser pagos em 352 meses, ou seja, cerca de 29 anos, com parcelas iniciais de R$ 9.193,34 a partir de junho de 2013 e juros de 8,18% ao ano. Como garantia, o próprio imóvel foi dado ao banco, o que significa que, em caso de falta de pagamento, a propriedade poderia ser retomada pela instituição financeira. Mazzini comprou a residência da Caixa em dezembro do ano passado por R$ 2,4 milhões.

O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça. O delegado Danilo Mansur manteve o enquadramento por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo, já que o registro do revólver calibre 38 e a autorização para porte estavam vencidos.

A defesa sustenta que o ex-prefeito agiu para se proteger.