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Amor e tradição: uma história de união no coração do Pantanal

Lívia Gaertner em 21 de Janeiro de 2026

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Descida do andor dos noivos pela laderia Cunha e Cruz

Qual a possibilidade de você encontrar o amor em pleno Pantanal? Essa pergunta serve para começarmos a contar uma dessas histórias que dão inveja até para o mais experiente roteirista de filme romântico. E ela aconteceu em Corumbá, no coração do maior bioma alagável do mundo, onde as distâncias são um fator presente no cotidiano.

Bruna, uma pantaneira de sangue, vinda de gerações que convivem no Pantanal, e Gabriel, recém-chegado à região, cruzaram seus caminhos entre porteiras, gado, leilões e a natureza exuberante.

A Fazenda Alegria, onde Bruna trabalha como gerente, está na família há gerações, sendo um legado da avó, Dona Emília. “Apesar de a minha avó e das minhas tias morarem no Rio de Janeiro, eu e meu pai moramos em Campo Grande e temos uma ligação muito forte com a região”, conta. Essa conexão com o Pantanal não é apenas geográfica, mas também cultural e emocional.

Gabriel, por outro lado, não descende de uma família pantaneira. Ele veio de um ramo completamente diferente, a biotecnologia, e encontrou na pandemia uma oportunidade para investir em fazendas. “No começo da pandemia, eles decidiram investir no Pantanal do Paiaguás, comprando uma fazenda lá”, explica Bruna. Essa decisão levou Gabriel a cruzar frequentemente o caminho de Bruna, literalmente, já que precisava passar pela Fazenda Alegria para chegar até sua própria propriedade.

Caminho marcado

Nas lonjuras do Pantanal, Gabriel não sabia, mas uma estratégia que ele usou para não perder o caminho, acabou marcando o dele ao de Bruna. Ele pintava um sinal nas porteiras com tinta spray verde para sinalizar o caminho até sua fazenda, Campo Verde. “Tinha 33 porteiras até chegar na Fazenda Campo Verde. Daí, fiquei sendo chamado de ‘o menino do caminhão que pintava os portões’”, conta Gabriel sobre sua estratégia para não se perder.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Banho das imagens dos santos nas águas do rio Paraguai

Por vezes, nesse trajeto ele avistava uma moça no campo e ficava bastante curioso sobre ela até que num leilão de gado, Gabriel resolvi se aproximar da tal moça. “Eu não ia a todos, mas em um dos leilões do Novo Horizonte, Gabriel resolveu puxar papo”, lembra Bruna. Apesar de já ter visto Bruna em outros eventos, Gabriel nunca havia conversado com ela. “Eu estava sempre compenetrada no serviço”, comenta.

Foi nesse leilão que Gabriel mencionou a necessidade de comprar touros para sua fazenda, e Bruna, como boa comerciante, prontamente ofereceu seus melhores animais. Essa interação deu início a uma série de visitas à Fazenda Alegria, onde Gabriel comprou mais touros do que inicialmente pretendia. Daí o Menino da Caminhão passou a ser o Menino dos Touros.

Tradição e cultura

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

O andor dos noivos, enfeitado com rendas da avó de Bruna

E nessa interação, o casal foi se aproximando até iniciar um namoro que culminou em casamento que aconteceu em Corumbá em diferentes momentos numa tentativa de reunir o maior número de familiares e amigos dos noivos que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

Mas não foi apenas isso, o casamento de Bruna e Gabriel destacou também as raízes e a cultura do povo pantaneiro, pois ambos têm a certeza que encontraram não apenas o amor, mas também uma conexão profunda com a região.

Quando decidiram se casar, eles optaram por Corumbá como o cenário ideal para sua cerimônia. “Por toda essa ligação que temos com a região, pensamos, por que não Corumbá?”, explica Bruna. A logística para reunir as famílias, que estão espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, foi um desafio, mas aos poucos tudo se encaixou.

Imagens: Arthur MM Festas

Imagens dos momentos do casamento de Bruna e Gabriel

As festividades começaram com um jantar de confraternização, seguido pelo “Banho dos Noivos”, uma tradição inspirada nas festas populares de São João. “Desceremos a Ladeira do santo, que é uma festa popular lindíssima em Corumbá”, detalha Bruna, entusiasmada com a ideia de recriar essa tradição em seu casamento, ao responder à reportagem do Diário Corumbaense às vésperas da celebração, ocorrida na sexta-feira, dia 16.

Noivos, familiares e amigos desceram a ladeira Cunha e Cruz com direito a andor e bandinha que tocou o Hino à São João Batista, ritual esse que faz parte da manifestação popular religiosa considerada Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O andor foi especialmente preparado com renda da avó da noiva e tinha as imagens de Santa Ana, São João e os bonequinhos que representaram os noivos. 

Joãozinho Miguéis

Cerimônia do casamento foi realizada em um espaço de eventos na cidade

No dia 17, sábado, o casamento como conhecemos aconteceu num espaço de festas, em Corumbá. Depois desse momento, grande parte dos convidados seguiu para a Fazenda Alegria, pois as festividades seguiram com o resgate da Festa de São Sebastião, no dia 20, uma tradição antiga daquela propriedade rural. “Desde que meu avô faleceu, a região perdeu um pouco dessa cultura, e estamos tentando resgatar”, diz Bruna. A celebração incluiu missa, corrida de cavalos, churrasco e jogos, trazendo de volta a alegria e a união que essas festas proporcionavam.

E, por fim, neste dia 21, as comemorações terminam na Fazenda Campo Verde e, segundo a Bruna, tudo isso para levar a união do casal a todos que fazem parte do cotidiano. Com essa união, eles perpetuam um legado de amor e respeito pela terra e pelas pessoas que dela fazem parte, garantindo que a cultura pantaneira continue viva para as futuras gerações.

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