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Oferendas e pedidos de paz e saúde marcam Louvação a Iemanjá em Corumbá

Leonardo Cabral em 31 de Dezembro de 2025

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Tradicionalmente, a noite de 30 de dezembro é a que reúne maior número de pessoas; no dia 31, muitos também fazem os seus pedidos na prainha

A tradicional Louvação a Iemanjá voltou a reunir fiéis, religiosos e simpatizantes das religiões de matriz africana na noite de terça-feira (30), na prainha do Porto Geral, em Corumbá. A manifestação de fé, que se repete há décadas no município pantaneiro, contou com a participação de moradores da região e de devotos vindos de outras cidades e da Bolívia.

Realizada anualmente no dia 30 de dezembro, a celebração reúne adeptos, principalmente da Umbanda e do Candomblé, que se encontram às margens do rio Paraguai para agradecer pelo ano que se encerra e renovar pedidos de saúde, paz e prosperidade para o ano que se inicia.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Louvação é momento de gratidão e reflexão, diz a mãe de santo Cidinha

Para a mãe de santo Cidinha de Padilha, do terreiro Ganzuá da Mãe Iemanjá, presença constante no evento, a louvação é, sobretudo, um momento de gratidão e reflexão.

“É agradecer pela saúde, pela irmandade, pedir paz para a humanidade e para Corumbá. Também desejamos mais humanidade, respeito e união entre as pessoas. É uma troca de energia”, destacou.

Ao som dos atabaques, entidades como caboclos, pretos-velhos e orixás de diversos terreiros da cidade prestaram homenagens à Rainha do Mar. Longas filas se formaram na prainha para o ritual do “passe”, prática espiritual que simboliza a troca de energia, com objetivos de equilíbrio físico e espiritual, limpeza de energias negativas e harmonização.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Devotos lançam barcos com pedidos e agradecimentos

Entre os participantes estava Laura Cuellar, que veio de Campo Grande com a família. “É um momento de renovação. Pedimos proteção, saúde e paz para 2026, esperando um ano melhor para todos”, afirmou.

Um dos momentos mais marcantes da celebração foi o lançamento dos tradicionais barquinhos de isopor no rio Paraguai, contendo oferendas como perfumes, espelhos, batons e outros objetos associados à vaidade feminina, características atribuídas a Iemanjá. O gesto simboliza pedidos de proteção, prosperidade e força para o novo ano.

Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

Rubia participa da louvação desde a infância

Rubia Natane Souza de Campos participa da louvação desde a infância, tradição herdada do avô, Mario Preto, fundador da Tenda Nossa Senhora Aparecida, no bairro Cristo Redentor. “Isso representa a união da nossa família e a continuidade da cultura que ele nos deixou. Todos os anos trazemos o barquinho com nossos pedidos e nossa fé”, relatou.

A imagem de Iemanjá, de sete metros de altura, instalada na Prainha, pertence à escola de samba Mocidade Independente da Nova Corumbá e passou recentemente por um processo completo de restauração realizado por Jamil Canavarro. A reforma foi custeada integralmente pela empresária cultural Morocha. 

A louvação a Iemanjá continua nesta quarta-feira (31), também na prainha do Porto Geral.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Imagem de Iemanjá tem sete metros de altura

Iemanjá

Na mitologia iorubá, Iemanjá é conhecida como a mãe dos filhos-peixe e filha de Olokun, soberano dos mares. Considerada a mãe de todos os orixás, é o orixá mais popular do Brasil. Seu dia é celebrado oficialmente em 2 de fevereiro, mas também recebe homenagens em datas como 15 de agosto e 31 de dezembro, especialmente durante as celebrações de fim de ano.

A devoção a Iemanjá no Brasil teve início com a chegada dos africanos escravizados, especialmente do povo Egba, originário da região de Abeokuta, na Nigéria.

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