Leonardo Cabral e Rosana Nunes em 30 de Dezembro de 2025
Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

Prazo legal para conclusão das investigações é de 30 dias, mas a equipe trabalha para finalizar o quanto antes
Inicialmente, nem o vereador Elio Moreira Júnior e nem o vendedor haviam registrado queixa-crime. Em depoimento, Elizeu afirmou que teria sido incentivado pelo vereador e por um policial civil a não registrar o BO, sob a justificativa de que a situação poderia ser resolvida diretamente na delegacia. Segundo o vendedor, ele teria sido forçado a gravar um vídeo amenizando a confusão e recebido a quantia de R$ 100. Apesar disso, a Polícia Militar registrou a ocorrência, o que possibilitou a abertura formal do inquérito pela Polícia Civil.
As investigações apuram a confusão e os possíveis crimes cometidos contra o vendedor ambulante, como injúria, ameaça e dano, com base em vídeos e nos relatos da vítima. Outra frente, investiga a conduta do policial civil envolvido no caso. Ele ainda não prestou depoimento, mas será ouvido nos próximos dias.
“Instauramos um procedimento para apurar a conduta do servidor e verificar se houve ou não coação ou outra forma de interferência indevida na decisão do vendedor ambulante. Caso confirmada qualquer irregularidade, o servidor será submetido a procedimento administrativo para apuração de falta disciplinar”, afirmou o delegado regional Fabrício Dias dos Santos ao Diário Corumbaense.
O vendedor já foi ouvido, enquanto o vereador deverá prestar depoimento em data ainda a ser definida. O prazo legal para conclusão da investigação é de 30 dias, mas, conforme a Polícia Civil, a equipe trabalha para finalizar o procedimento o mais rápido possível, em razão da gravidade do caso e da repercussão social.
Por meio de nota, a instituição ressaltou que atua com base em princípios institucionais rígidos, sem qualquer tipo de favorecimento ou discriminação, mesmo quando o caso envolve autoridades ou pessoas influentes. A instituição também reforçou a importância da confiança da sociedade nas forças de segurança e destacou que denúncias ou reclamações podem ser feitas por meio da Corregedoria, da Ouvidoria ou diretamente na Delegacia Regional.
Comissão de ética e decoro
Também por meio de nota, a Câmara Municipal informou que todas as partes envolvidas serão ouvidas e, se necessário, o caso poderá ser encaminhado à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
A instituição destacou ainda que o comportamento dos parlamentares deve ser pautado pela ética, tanto no exercício do mandato quanto fora do recinto legislativo. "Atitudes que atentem contra a imagem do Poder Legislativo estão sujeitas às penalidades estabelecidas no Código de Ética e no Regimento Interno", informa a nota.
O caso
A confusão envolvendo o vereador e o vendedor de salgados, ocorreu no final da tarde de sábado (27) em frente à lanchonete da família do parlamentar, localizada na rua Delamare, centro de Corumbá.
As imagens, gravadas pelo ambulante, indicam que tudo começou após uma divergência com a esposa do vereador, que estava no estabelecimento comercial. José havia parado em frente ao prédio para vender seus salgados.
Durante a gravação, o vereador aparece, afirma ser o proprietário da lanchonete e acusa o homem de incomodar sua esposa. Em seguida, enquanto as imagens ainda eram gravadas, Elinho Jr. faz ameaças e quebra o isopor utilizado pelo vendedor para armazenar os salgados. O vídeo termina com o vereador e a esposa mandando que as imagens fossem apagadas.
Horas depois do ocorrido, o ambulante publicou um vídeo dizendo: "eu me alterei, eles também se alteraram, então, pessoal, não leve isso adiante". No entanto, na tarde de domingo, José Elizeu fez nova postagem em sua rede social, na qual afirma ter sido forçado a fazer a publicação.
Já o vereador também se pronunciou no domingo por meio de vídeo e afirmou ter "perdido a cabeça".
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Francisco Reis : Vai ter que se explicar com a justiça vereador, simples assim.
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