Campo Grande News em 13 de Dezembro de 2025
Reprodução/Redes Sociais

Leonir e Ângela participaram de culto na noite anterior ao crime
Leonir, apesar de estar em atendimento médico, teve a prisão preventiva decretada no dia seguinte ao feminicídio. O homem passou quatro dias na Santa Casa e na manhã de sexta-feira (12), recebeu a alta médica. O caso é investigado em sigilo, mas conforme apurou a reportagem, por estar internado, o empresário não foi ouvido na custódia.
Vítima do 38º feminicídio de Mato Grosso do Sul, em 2025, Ângela foi morta após uma discussão levá-la a pedir o divórcio. Na noite do domingo (7), o casal estava em um culto e, depois da briga, a mulher decidiu ir para a casa da mãe. Leonir, na manhã seguinte, foi procurá-la para tentar uma reconciliação.
Registro policial
Segundo o boletim de ocorrência, o homem chegou à residência da sogra, “calmo e tranquilo”, à procura de Ângela para tentar uma reconciliação. Ele então seguiu para a casa nos fundos do terreno onde a mulher estava e, em alguns minutos, o cenário se transformou com os “ânimos exaltados”.
Por conta do barulho, a mãe da vítima decidiu ir ver o que estava acontecendo. Ao chegar, ela se deparou com Ângela já caída, sendo golpeada por Leonir. A mulher chamou a neta e as duas arremessaram telhas na tentativa de conter o autor. O homem jogou os objetos de volta e atingiu a sogra e a filha.
Desesperadas, elas correram para a rua para pedir ajuda e, neste momento, Leonir começou a se ferir com o canivete usado para golpear a esposa. A Polícia Militar foi acionada e encontrou Ângela caída, inconsciente e perdendo muito sangue. A equipe chamou o Corpo de Bombeiros, que tentou reanimar a vítima por alguns minutos, até que o óbito foi constatado.
Leonir estava ao lado da mulher, também ferido, e foi atendido por equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O homem estava com uma faca nas mãos, desorientado e com a marca de facada no pescoço. Ele foi encaminhado para a Santa Casa, onde ficou sob escolta. A mãe e a filha da vítima foram encaminhadas para atendimento médico por conta dos ferimentos causados ao tentar conter o autor.
A delegada Analu Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), relatou que Leonir usou um canivete e uma faca de cozinha para golpear a vítima e se ferir. O casal não tinha histórico de violência doméstica.
Ângela entra para a triste estatística de vítima de feminicídio, crime que ocorre quando a vítima é morta em razão de ser mulher, em Mato Grosso do Sul. São 38 casos neste ano. Este já é o terceiro pior ano desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, atrás apenas de 2020 (40 casos) e 2022 (44 casos).
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