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Ciclos que se renovam: Cosme e Damião mantêm vivas fé e devoção

Ricardo Albertoni em 27 de Setembro de 2025

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Filhos e sobrinhos de Juliene Rachid, na manhã deste sábado, durante distribuição de doces

A tradição se mantém viva. Os anos passam, os pais dão lugar aos filhos, ou, em muitos casos, os acompanham, mas todo dia 27 de setembro o ritual se repete. Ao longo do tempo, a quantidade de fogos ouvidos pode ter diminuído, assim como os doces nos saquinhos, mas o Dia de Cosme e Damião continua presente em Corumbá.

Desde as primeiras horas da manhã, a cidade já se movimentava com a tradicional corrida aos doces. Mesmo sob o forte calor, milhares de crianças saíram às ruas em busca dos saquinhos recheados de guloseimas, mantendo viva uma tradição que une fé, devoção e alegria, tanto de quem distribui quanto de quem recebe. Jovens e adultos também não perdem a oportunidade.

A corumbaense Juliene Rachid, de 39 anos, estava acompanhada dos filhos Raphael (13), Kawanny (12), Mikaela (7), Maria Flor (2) e dos sobrinhos Éder e José Carlos, ambos de 11 anos. Ao Diário Corumbaense, ela contou que não abre mão de participar há 13 anos.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Para Rosiane Moraes dos Santos, a data já virou parte da vida

"Eu mantenho essa tradição e trago meus filhos todos os anos, mesmo quando estava grávida", disse.

Virou parte da vida

Para Rosiane Moraes dos Santos, de 49 anos, a ligação com a data é ainda mais antiga. Ela explica que tudo começou com a mãe, há 46 anos, e desde então se tornou uma homenagem familiar.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Distribuição dos doces acontece neste sábado (27)

"Eu distribuo há 46 anos. Isso virou tradição porque, naquela época, minha mãe fez uma promessa. Cumprimos a promessa por 45 anos e, no ano passado, encerramos. Mas, mesmo assim, continuamos porque virou parte da nossa vida", contou emocionada.

Segundo Rosiane, a maior recompensa é ver a felicidade das pessoas. "A satisfação em realizar essa festa é cumprir a palavra dada à minha mãe. Não existe sensação melhor do que ver crianças, jovens e idosos recebendo doces, cachorro-quente, refrigerante. Mas o momento mais especial da festa de Cosme e Damião é a queima de fogos", destacou.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Irmãos gêmeos ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro

História de Cosme e Damião

Os irmãos gêmeos Cosme e Damião eram médicos e viveram na Ásia Menor. Ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro. Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Na religião católica, o dia 26 de setembro lembra os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo. Eles são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis. São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças. Na Igreja Ortodoxa, os santos são celebrados no dia 1º de novembro.

Já os ortodoxos gregos comemoram em 1º de julho. São Cosme e Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.

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