Rosana Nunes em 25 de Agosto de 2025
Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

Festeiros e fiéis levam o andor com a imagem do santo para ser banhado nas águas do rio Paraguai
O espaço reúne diversas ferramentas interativas. Moradores, famílias festeiras e pesquisadores podem escrever histórias sobre o Banho de São João, visualizar no mapa as comunidades festeiras, enviar postais digitais, registrar depoimentos com memórias e vivências, acessar uma biblioteca de referências - com textos, fotos e materiais de apoio - e consultar uma aba de programação, especialmente útil no período das celebrações.
Por ser colaborativa, a plataforma permite que as próprias comunidades festeiras atualizem informações a partir de celulares e computadores, com suporte técnico da Fundação.
O lançamento, no último dia 21, no auditório do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), contou com a presença de representantes da Fundação de Cultura, festeiros cadastrados, convidados e membros da comunidade. A programação incluiu uma roda de vivências, em que participantes compartilharam lembranças familiares, experiências de organização da festa e aspectos religiosos e devocionais que sustentam a força histórica e cultural do Banho de São João.
De acordo com a Fundação, a iniciativa reforça a ideia de que o patrimônio cultural é vivo, construído diariamente pela população e em diálogo com o território pantaneiro. Ao reunir histórias, mapas, postais, depoimentos, biblioteca e programação, a plataforma transforma memória em ação, reconhecendo o protagonismo das comunidades festeiras e abrindo caminhos para a educação patrimonial, a pesquisa e o turismo cultural.
A plataforma já está disponível no endereço saojoao.corumba.ms.gov.br e pode ser acessada tanto em dispositivos móveis quanto em computadores.
Patrimônio Imaterial
O Banho de São João de Corumbá e Ladário foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil em 2021, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Com o registro, Mato Grosso do Sul passou a ter um bem imaterial exclusivamente registrado em seu território, já que no registro do Modo de Fazer a Viola-de-Cocho é compartilhado com o estado de Mato Grosso.
Os primeiros registros do Banho de São João são datados do final do século XIX em jornais da época que já relatavam a forma singular dos festejos juninos nas duas cidades pantaneiras. Estudiosos afirmam que os festejos reúnem uma miscelânea de influências de povos, entre eles, os árabes e portugueses. Também marcam os festejos, o sincretismo religioso, sobretudo entre o catolicismo e as religiões de matrizes africanas.
É uma manifestação cultural religiosa e festiva que acontece na virada do dia 23 para o dia 24 de junho. Um ponto de destaque da festa pantaneira é quando diversas procissões carregam andores até as margens do rio Paraguai e banham a imagem do santo.
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