Leonardo Cabral em 08 de Agosto de 2025
Foto enviada ao Diário Corumbaense

Morador relatando o que aconteceu a integrantes de órgãos que acompanham o avistamento de onças desde março
Valdinei da Silva Pereira, de 57 anos, foi socorrido na manhã de quinta-feira (07) pelo 3° Grupamento de Bombeiros Militar, após avisar a esposa. Ele sofreu escoriações na testa, um corte no nariz, lesão no olho direito e se queixava de dores na região torácica. Recebeu atendimento no pronto-socorro e teve alta.
Segundo o médico-veterinário Diego Viana, que conversou com o morador, não houve sinais de mordidas ou arranhões característicos de ataques do felino. “Baseado no tipo de ferimento e no relato da vítima, foi um incidente. Se a onça quisesse matá-lo ou se alimentar dele, teria feito. Ainda assim, houve contato e precisamos reforçar os cuidados”, destacou.
Ele disse que, conforme o relato de Valdinei, ao se aproximar de casa ele percebeu “um borrão” vindo em sua direção, no escuro, e o afastou com um pedaço de pau.
Diego ressaltou a necessidade de proteção extra para as residências e animais domésticos. Ele lembrou que moradores já haviam sido orientados a recolher cães do local, que fica em uma área próxima do rio Paraguai, de mata fechada. Mas, os animais voltaram a ficar soltos. “É uma somatória de fatores. É preciso manter os cães fechados à noite, evitar deixá-los vulneráveis, e redobrar a atenção naquela área. A casa onde o incidente aconteceu já vai ter uma proteção a mais, com telas pra fechar os animais domésticos”, afirmou ao Diário Corumbaense.
Fabiane Gonçalves, analista ambiental do Ibama e responsável pela fauna no Mato Grosso do Sul, reforçou que o caso é tratado com prioridade. “Vamos intensificar as ações de monitoramento e conscientização junto à comunidade. A captura do animal é uma possibilidade, mas precisa de avaliação técnica”, afirmou.
Equipes da Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal (FMAP), do Ibama/Prevfogo, da Polícia Militar Ambiental (PMA) e do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) iniciaram em março - quando os primeiros relatos de aparecimento de onças foram registrados - o Plano de Ação Interinstitucional,.
“Hoje, a gente já tem um pouco mais de informação e vamos ver se isso é suficiente. O que nós, Ibama, com a parte técnica, junto com o ICMBio, estamos fazendo é esse trabalho de monitoramento, é um passo prévio para facilitar uma captura, se necessária. Então, assim, nós vamos compilar esses dados todos que nós temos, vamos avaliar, reavaliar, e se for o momento adequado, a gente vai para um passo de buscar os equipamentos necessários para uma captura, com o uso de laços. O estudo diário pra realocar esse animal é importante”, reforçou a analista ambiental.
“As câmeras são essenciais pra gente avaliar se os repelentes estão funcionando, até que ponto eles funcionam e também onde o animal tá passando mesmo, para poder diminuir a área de uma possível captura. Se a área é muito extensa, a probabilidade diminui muito”, concluiu Fabiane Gonçalves.
Os laços são cabos de aço com radiotransmissores e molas amortecedoras para não machucar o animal. “Quando a onça pisa no laço, o dispositivo aciona o transmissor, permitindo que a equipe faça a anestesia e a remoção segura do animal”, explicou o veterinário Diego Viana ao Diário Corumbaense.
"A onça, quando vê uma gaiola, ela não conhece aquele ambiente, então ela vai tentar evitar. Já o laço, ela não vê. Cientificamente, nós fazemos a captura com laço, porque é o mais indicado e com uma maior possibilidade de sucesso”, afirmou. Apesar da preparação, o veterinário lembra que a captura pode não ocorrer. “Mesmo com dezenas de laços e uma equipe numerosa, há a possibilidade de o animal não pisar no equipamento.”
As ações de monitoramento, instalação de câmeras e uso de repelentes seguem sendo realizadas para mapear o deslocamento da onça e, caso seja necessário, reduzir a área de atuação durante uma possível captura.
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