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Grito de guerra de novos policiais militares chama atenção pela violência; Governo determina apuração rigorosa

Campo Grande News em 01 de Agosto de 2025

Campo Grande News

Um grito de guerra entoado por novos soldados da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre o discurso violento dentro da corporação. A frase inicial: “Bate na cara, espanca até matar”, seguida de menções a tortura, assassinato e cancelamento de CPF, tem sido criticada por organizações de direitos humanos e especialistas em segurança pública. A gravação teria sido feita durante o curso de formação da 38ª turma da PMMS, formada nesta quinta-feira (31), em Campo Grande, com 427 novos soldados.

Para a advogada Giselle Marques, ex-presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza, o discurso é inaceitável: “não podemos permitir que a PM continue a naturalizar o espancamento. Usar a tortura em interrogatório é algo que repugna nossa condição de pessoa civilizada. Viola o princípio constitucional da dignidade humana. Ensinar isso aos nossos jovens é apologia ao crime”, diz.

Nas redes sociais, internautas dividem opiniões - enquanto alguns veem o grito como parte da "cultura militar", outros denunciam o estímulo à violência policial e à tortura. "Temos vivenciado uma sociedade cada dia mais violenta e, em vez do aprendizado de técnicas humanizadas de atendimento e de táticas de imobilização, vemos essa apologia e incentivo à barbárie", diz uma internauta.

"É normal dentro da polícia, para incentivo durante o desfile, na formatura, um estímulo. É apenas uma canção, sempre existiu. Cantos de guerra, nada que vá trazer para o psicológico do formando algo ruim ou instigue a fazer algo de ruim. Isso faz parte", disse um militar à reportagem, que preferiu ter o nome preservado.

Em nota, o Governo do Estado repudiou "quaisquer condutas que incentivem a violência" e afirmou ter determinado a adoção imediata das providências cabíveis, com “rigorosa apuração dos fatos e aplicação das sanções legais previstas”. 

O Governo classificou o episódio como uma "manifestação isolada", sem vínculo com os valores e protocolos oficiais da instituição. “A expressão utilizada não foi criada pela instituição e tampouco faz parte de seus protocolos oficiais. A preparação do efetivo inclui disciplinas voltadas à valorização da vida, respeito às minorias e atuação comunitária”, diz o texto.

O Governo encerra a nota destacando que forma policiais para “defender a sociedade, a vida, a segurança e a paz”.

Comentários:

Julio Nunes Rodrigues: Não há nada mais para nossos políticos fazerem? A sociedade está gerando críticas banais em algo que nem merece atenção. Para quem não sabe ou nunca passou próximo a um centro de formação militar. Durante atividades físicas e em momentos que o corpo está em exaustão as "Canções Militares" são entoadas para animar o militar. Não vejo nada de disseminação do ódio ou algo parecido. Temos assuntos mais importantes a tratar!

Ernesto Vargas de Cespedes: O quê realmente vcs querem, policiais de verdade ou bananas na Rua. Aí ferem os direitos humanos excitação a violência, só uma pergunta: Quem rasgou a Constituição, uma pessoa que se diz dono do mundo e ninguém fala nada nada, triste demais