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Fortes nevascas e baixa visibilidade obrigam autoridades a fechar fronteira entre Chile e Bolívia

Leonardo Cabral em 01 de Julho de 2025

Reprodução El Deber

Neve na fronteira entre Chile e Bolívia prejudica visibilidade nas estradas

Se o frio intenso que atinge a região do Pantanal já é preocupante, do lado boliviano, mais precisamente na fronteira com o Chile a situação é de extrema atenção. As baixas temperaturas, fortes nevascas e redução de visibilidade forçaram as autoridades chilenas a fechar o Complexo Fronteiriço de Chungará, afetando diretamente o tráfego na passagem Tambo Quemado-Chungará, a mais importante “porta de entrada”, para as exportações bolivianas ao Pacífico.

O colapso já deixou pelo menos 2.000 caminhões retidos, de acordo com Jorge Gutiérrez, líder do setor de transporte pesado. “O tráfego para o Chile foi brevemente reaberto na sexta-feira e no sábado, mas foi fechado novamente devido ao mau tempo. Muitos trabalhadores estão sem atendimento médico, abrigo e em estado crítico”, alertou Gutiérrez nesta terça-feira em entrevista à Rádio Panamericana.

Ele relatou que, embora tenham sido feitas tentativas de reabrir a passagem, a queda de neve tornou a rota intransitável, enquanto a polícia chilena está impedindo que mais caminhões cheguem à área de fronteira, que está localizada a uma altitude de mais de 4.000 metros acima do nível do mar.

Em comunicado, a Unidade de Travessias de Fronteira do governo chileno confirmou que o complexo foi fechado ao meio-dia de sábado, 28 de junho, e que sua reabertura está sujeita às condições climáticas.

O impacto

Segundo dados oficiais, mais de 21% das exportações bolivianas utilizam esta rota, que conecta a Bolívia ao porto de Arica, autorizado para o livre trânsito de bens e mercadorias pelo Tratado de 1904.

Reprodução redes sociais

Policiais bolivianos na fronteira com o Chile

De acordo com o Ministério da Economia e Finanças Públicas, mais de 1 milhão de toneladas de mercadorias saíram por este porto nos primeiros dois meses de 2025, apesar de uma queda de 19% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Direção Nacional de Alfândegas informou que, graças às operações contínuas, nos últimos quatro meses, houve um aumento de 38,4% nas exportações por Tambo Quemado. Mas essa eficiência está sendo prejudicada pelas condições climáticas, que, segundo Gutiérrez, estão considerando retornar às operações exclusivamente diurnas, como nos anos anteriores.

“Se só permitirem a passagem durante o dia, criará um congestionamento enorme. Já passamos por isso antes, quando os transportadores dormiam três ou quatro noites para atravessar. Pedimos horários estendidos e que levemos em conta a situação humanitária e econômica que está sendo gerada”, explicou.

Além dos atrasos, os transportadores enfrentam perdas financeiras significativas devido à interrupção das entregas no porto e ao acúmulo de custos logísticos. “Trabalhamos com rotas e prazos. Se não entregarmos os contêineres no prazo, somos multados. Atrasos se traduzem em dívidas”, lamentou Gutiérrez.

O fechamento também compromete o abastecimento de combustível para os veículos que transitam por essa área. “Estamos preocupados que, se não for liberado em breve, também afete os sistemas de abastecimento e crie uma reação em cadeia”, acrescentou.

Gutiérrez também pediu a não aplicação de um decreto que concede prazo de 21 dias úteis para a entrega de contêineres em casos excepcionais, uma regra que, segundo ele, “está adormecida há anos”.

Embora as condições climáticas devam melhorar, os transportadores exigem uma resposta imediata das autoridades chilenas e bolivianas para evitar maiores danos econômicos e humanitários.

Com informações do jornal El Deber.

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