PUBLICIDADE

Seminário Municipal debate patrimônio cultural de Corumbá

Rosana Nunes em 23 de Agosto de 2021

Renê Marcio Carneiro/PMC

Imagem de Nossa Senhora do Carmo foi trazida de Forte Coimbra para o evento

Começou nesta segunda-feira, 23 de agosto, o I Seminário Municipal de Patrimônio Cultural de Corumbá. O evento acontece no Centro de Convenções do Pantanal, é promovido pela Prefeitura, por meio da Fundação da Cultura e do Patrimônio Histórico e integra o XI Simpósio Estadual de Educação Patrimonial, uma realização do Governo do Estado, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

Antes da solenidade de abertura, os participantes fizeram o receptivo da imagem de Nossa Senhora do Carmo, considerada milagrosa pela comunidade católica. Por mais de dois séculos, a celebração do Dia da Padroeira de Forte Coimbra, comemorado em 16 de julho, cultua a fé e mantém vivos relatos que comprovam manifestações da Santa em pelo menos dois episódios históricos: credita-se a Nossa Senhora do Carmo os milagres ocorridos duramente as batalhas contra espanhóis e paraguaios, em 1801 e 1864, respectivamente.

A imagem foi levada pelo padre Edivaldo Pinho, capelão do Exército, e recepcionada pelo prefeito Marcelo Iunes, pelo diretor-presidente da Fundação da Cultura e do Patrimônio Histórico de Corumbá, Joilson Silva da Cruz, pelo diretor-presidente da Fundação da Cultura de MS, Gustavo de Arruda Castelo, bispo diocesano Dom João Bergamasco e outras autoridades militares, políticas e eclesiásticas.

Com o tema “Entre Guerras e Bênçãos: A Construção do Patrimônio Cultural Corumbaense” o I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá enfatiza a importância dos patrimônios culturais Forte de Coimbra e Banho de São João. O Forte está localizado no município de Corumbá em Mato Grosso do Sul, e foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro em 1974, quando foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Ele foi construído em 1775, às margens do Rio Paraguai, e situa-se entre morros, pouco acima onde existe o marco da tríplice fronteira – Brasil, Paraguai e Bolívia – entre os pantanais de Corumbá e Porto Murtinho.

Sua construção, numa época de total fragilidade dos limites de Portugal com a Espanha, gerou polêmica, ao ser erguido em local errado. O ponto escolhido era o Fecho dos Morros, já próximo de Murtinho. Credita-se a Nossa Senhora do Carmo milagres ocorridos durante as batalhas contra espanhóis e paraguaios, em 1801 e 1864, respectivamente.

Já o Banho de São João, reconhecido pela Fundação de Cultura de MS desde 2010 como Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul, foi este ano reconhecido também como Patrimônio Imaterial do Brasil. A aprovação nacional do registro aconteceu em 19 de maio de 2021 durante a 95ª Reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Com o registro, Mato Grosso do Sul passou a ter um bem imaterial exclusivamente registrado em seu território.

O Banho de São João é uma manifestação cultural religiosa e festiva que acontece na virada do dia 23 para o dia 24 de junho. De acordo com o ritual a imagem do santo é levada em procissão até o Porto Geral, às margens do rio Paraguai, para o banho que irá renovar as forças de São João e abençoar tudo o que se relaciona com as águas e com o homem.

Os primeiros registros do Banho de São João em Corumbá e Ladário são datados do final do século XIX em jornais da época que já relatavam a forma singular dos festejos juninos nas duas cidades pantaneiras.  Estudiosos afirmam que os festejos reúnem uma miscelânea de influências de povos, entre eles, os árabes e portugueses. Também marcam os festejos, o sincretismo religioso, sobretudo entre o catolicismo e as religiões de matrizes africanas. Somente em Corumbá, atualmente, pelo cadastro da Fundação da Cultura e do Patrimônio Histórico há pelo menos quase cem festeiros no território urbano.

Programação

Na abertura, o evento contou com a apresentação de Viola de Cocho com a professora da Rede Municipal e Estadual de Ensino, Leidiane Garcia, e seus alunos. Na palestra “Elaboração do Dossiê de Registro do São João”, José Gilberto Rozisca demonstrou como aconteceu todo o processo de registro do Banho de São João de Corumbá e abordará sobre os festeiros, a fé, a diversidade de religiões, entre outros assuntos. Durante o evento foi exibido o vídeo-documentário “Filhos de Coimbra” e palestra com o tema “O Forte Coimbra e seu contexto Histórico Paisagístico”, com o pesquisador Fabio Almeida, e o lançamento do livro “Prática de Salvaguarda do Forte Coimbra”, que terá a mediação da presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Corumbá, Marcelle de Saboya Ravanelli.

No dia 24, será um dia de vivências de educação patrimonial na Praça da República, Ladeira Cunha e Cruz e no Muphan. Na Ladeira Cunha e Cruz aconteceu o final da Guerra do Paraguai, e é o ponto alto dos festejos do Banho de São João, com as descidas dos andores pela ladeira. Na ocasião, a arquiteta Joanita Ametlla falará sobre a Praça da República e seu entorno, uma das regiões mais importante para o patrimônio cultural de Corumbá, pois reúne importantes prédios históricos como a primeira igreja do Estado de Mato Grosso, a Matriz Nossa Senhora da Candelária, o primeiro grupo escolar de Corumbá, conhecido como ILA, o primeiro mercado municipal, onde hoje é o lugar das Lojas Americanas, e sobre o Obelisco. A historiadora Ramona Ortiz vai contextualizar a ocupação do Casario do Porto, uma área que era estritamente comercial. Em seguida acontece um cortejo com uma banda até o Porto Geral de Corumbá com Banho de São João, onde haverá também o levantamento do mastro com mestres cururueiros e uma roda de siriri.

O evento será finalizado com a abertura oficial do III Festival de Viola de Cocho de Corumbá, que reproduzirá vídeos nas escolas municipais onde se trabalhará de diversas formas as práticas relacionadas ao modo de fazer a viola de cocho, além da Cozinha Show que detalha a história e o processo de produção gastronômica do sobá, prato tão importante para a cultura campo-grandense, registrado como Patrimônio Cultural campo-grandense desde 2006, e que também foi eleito em votação de 2018 como o “Prato Típico de Campo Grande”. A Cozinha Show contará com a presença de Helcio e Marlei Kohagura, casal que produz massa para preparo do sobá okinawano/campo-grandense.

PUBLICIDADE