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Em dois dias, focos de queimadas triplicaram em Corumbá; NASA capta imagens de fogo no Pantanal

Leonardo Cabral em 12 de Março de 2020

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Praça da Independência, um dos pontos de visitação de Corumbá, tomada pela fumaça

O Pantanal de Mato Grosso do Sul passa por uma fase praticamente atípica nesta época do ano. Isso acontece em razão dos focos de queimadas na maior área alagada do planeta, na região de Corumbá, que mais uma vez amanheceu encoberta pela fumaça que vem dos focos de incêndio.

Por conta da situação, o satélite Terra da NASA – Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada (MODIS) – registrou imagens de cor natural da fumaça de incêndio florestal na região pantaneira.

Uma das imagens, capturadas pela Operational Land Imager (OLI) no Landsat 8, mostra focos de incêndio ocorridos no dia 04 de março deste ano. O fogo estava queimando ao norte de áreas úmidas perto da região do rio São Lourenço. A maioria dos focos, de acordo com as imagens, estava concentrada em Corumbá e no município de Poconé (MT). Essa atividade de incêndios florestais no Pantanal – atípica para o período de janeiro a março – segue uma temporada de incêndios incomumente intensa ocorrida em 2019.


Reprodução Nasa

Imagem capturada pela Nasa no dia 04 de março no Pantanal de Corumbá

O site Earth Observatory, da Nasa, destaca também que a temporada de incêndio florestais no Pantanal está apenas começando. Em 2019, o número de focos de calor detectados na região pelo Aqua MODIS entre 01 de janeiro e 09 de março representou apenas 5% do total detectado daquele ano, explicou Alberto Setzer, cientista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "Mas, como a maioria dos incêndios no Pantanal ocorre entre julho e dezembro, não vemos nenhuma razão específica para alarme neste momento do ano", disse.

Focos seguem em Corumbá


Desde o início da semana, brigadistas do Corpo de Bombeiros Militar de Corumbá estão na região do Pantanal combatendo os focos de queimadas concentrados, em sua maioria, do lado esquerdo da margem do rio Paraguai. Também há fogo em áreas próximas do centro urbano de Corumbá e Ladário. 


Na quarta-feira, 11 de março, equipes dos bombeiros se deslocaram para as regiões conhecidas como Morro do Sargento e Baía do Tuiuiú, onde existem focos de queimada, conforme imagens de satélite. Ainda há registros de focos na APA Baía Negra, em Ladário. No São Lourenço, o fogo também existe, mas a equipe deve se deslocar para o local ainda, dando prioridade às regiões próximas à área urbana dos dois municípios. 


Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Queimadas seguem próximas às áreas urbanas de Corumbá e Ladário, encobrindo as cidades de fumaça

O que chama a atenção dos bombeiros é que neste período do ano era para estar ocorrendo registro de grande quantidade de chuva no Pantanal. Focos de queimadas seriam mais comuns no mês de junho, final do outono e início do inverno.

Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a região pantaneira está entre as mais quentes do país. Na segunda-feira (09), registrou temperatura de 39,1°C. Na terça-feira (10), Corumbá seguiu com as altas temperaturas, com os termômetros chegando aos 38,6° Celsius e em consequência disso, a cidade também aparece como um dos municípios mais secos do país, quando a umidade relativa do ar chega a media aos 21%.

 

Dados das queimadas


Conforme o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Corumbá segue liderando o ranking de queimadas no Brasil. Nas últimas 48 horas, o município apresentou um salto no que se refere aos focos, de 43 passou para 144 focos de calor. Esse número representa 61,1% dos focos de incêndios no Brasil. 

Ainda de acordo com o INPE, nos primeiros 12 dias de março, a cidade registrou 197 focos de queimadas, um crescimento de 91 focos se comprado até quarta-feira (11). Com os números em alta, Corumbá também aparece como principal cidade a registrar focos de calor de janeiro a março, com 308 registros, o que representa 21,6% das queimadas do Brasil.


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