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Caminhada cobra atenção de todos para crimes sexuais contra crianças e adolescentes

Lívia Gaertner em 18 de Maio de 2018

O recado foi dado por quem potencialmente é alvo daquilo que a sociedade quer exterminar: o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Durante uma passeata que percorreu as principais ruas do centro de Corumbá, estudantes das redes pública e particular de ensino deram o recado com cartazes e faixas buscando chamar a atenção de todos para esse crime que deixa sequelas e ainda atinge muitas vítimas.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Caminhada pelas ruas do centro de Corumbá buscou chamar a atenção da sociedade para a responsabilidade em combater o crime sexual contra crianças e adolescentes

Segundo estatísticas da Daiji (Delegacia da Infância, Juventude e do Idoso), em Corumbá, em 2017, foram registrados 36 casos de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes (estupro de vulnerável). Em 2018, até o momento, já são nove casos com oito autores presos e um adolescente infrator que não teve a internação determinada pelo Poder Judiciário. O delegado titular da Daiji, Rodrigo Blonkowski, confirmou ainda um dado preocupante, mas que se repete como um padrão. Dos nove casos, seis foram praticados por pessoas próximas à vítima.

“O abuso mexe muito com o psicológico da criança porque, geralmente, ele acontece por alguém muito próximo dela. Imagine: alguém que é para te cuidar, te proteger, é ela que te agride, que te fere, por isso mesmo temos que fazer esse enfrentamento”, ponderou Adelma Galeano, assessora de políticas sociais da Secretaria Municipal da Assistência Social.

“Estamos fazendo um mês de intenso movimento em todas as escolas da zona urbana e rural, da rede pública e privada. Vamos contabilizar o número de estudantes atingidos com nossa equipe, capacitamos 53 técnicos para que eles façam ações concomitantes ao longo do ano”, explicou ao Diário Corumbaense.

Perigo por perto

Aluna do 3º ano do Ensino Médio na escola Dom Bosco, Ariane, fez questão de ir na linha de frente da caminhada deste 18 de maio por saber que o perigo ronda nossas crianças e adolescentes fazendo vítimas bem próximas.

“É muito importante sempre falar para que as pessoas vejam como isso dói em muita gente. Eu conheço uma amiga que sofreu isso ocasionado por um tio, ela sofreu a vida inteira e agora que está conseguindo sair disso, graças a Deus. Por isso é muito bom fazer essas ações. Eu sempre converso com amigos para ficarem atentos porque, querendo ou não, pode acontecer com qualquer um”, disse a jovem a este Diário.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Estudante Ariane lembra que o perigo pode fazer de qualquer criança ou adolescente uma vítima

Colega de Ariane, Heitor também diz conhecer alguém que foi abusado e atesta que a necessidade de conscientizar, de vigiar deve ser mantida sempre em alerta. “Acho que é uma coisa horrível. A pessoa que passa por isso, jamais esquece, é um trauma de verdade. Tenho um amigo que foi vítima de abuso e ele ainda tem receio de sair na rua. Busco conversar sempre com outras pessoas para que isso não se repita”, afirmou o adolescente.

Vigilância constante

A secretária municipal de Assistência Social, Glaucia Fonseca dos Santos Iunes, disse que somente a constância nas ações é que pode ajudar a combater essa mazela da sociedade. “Dezoito de maio é uma data pontual porque o combate é todo dia. É uma luta constante, diária. O que, na verdade, a gente quer com essa caminhada, é sensibilizar, informar, orientar para exterminar o abuso e exploração sexual”, destacou.

Ela disse ainda que um dos desafios está justamente em identificar a criança  que é vítima, pois, em muitos casos, essa falta de esclarecimento dos adultos e a falta de um maior entendimento de mundo pela vítima, acaba ocultando muitas situações criminosas. “A criança tem muita dificuldade para saber o que realmente está acontecendo, então, a gente pede para as pessoas de uma forma geral ficarem atentas aos sinais porque a criança muda mesmo”, falou.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Secretária Gláucia Iunes e assessora Adelma Galeano lembram que omissão também configura crime

“Fique atento ao seu filho. Se ele chegou em casa com material, com mimos, procure saber quem e o porquê está dando. Às vezes, tem-se um aliciador ali, um vizinho, um parente e você não está sabendo. Queremos conscientizar a população, fazer entender que precisa educar o olhar, que o problema da exploração que é mais velada, que não enxerga, às vezes, o seu filho pode estar sendo explorado e você não perceber porque os sinais são muito sutis”, completou a assessora Adelma Galeano, que ainda frisou: “A omissão é crime, é um problema de todos. Não é preciso ter certeza. Se você suspeitou, denuncie. A Constituição Federal, desde 88, colocou que a criança é um cidadão de direitos e ela deve ser protegida, amada e amparada. Hoje, temos o Disque 100, que é o canal mais rápido para fazer a denúncia”, lembrou.

Comitê Municipal

Implantado em março deste ano, o Comitê Intersetorial de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescente tornou-se ferramenta importante dentro desse luta ao articular, informar, sugerir e apoiar ações. Em fase de elaboração de seu regimento interno, o Comitê deverá comandar a elaboração de um plano de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes no município de Corumbá.

“Entendemos que tem que ser feito a muitas mãos e com a escuta da criança e do adolescente porque o plano é para e por causa dele. Vamos convidar a comunidade para vir unto na elaboração desse plano”, avisou Adelma Galeano sobre futuras ações no fortalecimento do enfrentamento aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Corumbá.

18 de maio

A data foi escolhida como dia de mobilização contra a violência sexual porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. A proposta do “18 DE MAIO” é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.

 

Galeria: Caminhada Fim do Abuso e da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

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