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Corumbá, MS
21 de Maio de 2018
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Recomendação de vacinação contra febre amarela é mantida em Corumbá mesmo sem registros desde 2008

Lívia Gaertner em 18 de Janeiro de 2018

Apesar de várias cidades do País estarem vivendo momentos delicados com confirmações de casos e até mortes ocasionadas pela febre amarela, Corumbá mantém-se sem registros da doença, seja em animais (macacos) ou pessoas, segundo acompanhamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Mesmo com esse quadro positivo, a Gerência de Vigilância em Saúde, emitiu nota técnica não descartando a condição de alerta e reafirmando a recomendação de vacinação, algo que já é praticado durante o ano todo. “Em Corumbá, a vacinação é recomendada por sua característica geográfica de mata e tudo mais, porem não temos registros de mortes de macacos. Quem nunca tomou nenhuma dose deve procurar um posto de saúde para regularizar a situação vacinal”, orienta a gerente de Vigilância em Saúde, Viviane Ametlla.

Foto: Arquivo Diário Corumbaense

Vacinação contra febre amarela é recomendada em Corumbá devido suas características geográficas

Ela lembrou que recentemente o Ministério da Saúde alterou o protocolo sobre a imunização da febre amarela. Desde abril de 2017, o país passou a adotar o esquema de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde. “Grande parcela da população de Corumbá já está imunizada de acordo com esse novo protocolo. A atenção deve se voltar para quem nunca foi vacinado contra a doença”, disse ao reforçar o pedido de imunização para esse grupo de pessoas.

Viviane declarou ao Diário Corumbaense que o município tem doses que garantem o abastecimento dos postos e explicou que, diferentemente do que vem acontecendo em outras cidades do país, principalmente nas regiões Sudeste, Corumbá faz uso integral da dose justamente por ser uma área de recomendação vacinal habitualmente.

“O que acontece com a dose fracionada é que essas cidades não tinham a recomendação e consequentemente as pessoas não tinham o hábito de se vacinar contra a febre amarela. Quando surgiram os casos, houve uma procura muito grande e o Ministério da Saúde adotou a imunização fracionada (cuja eficácia comprovada é de 8 anos), porém aqui seguimos com aplicação integral”, explicou.

A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina das unidades de estratégias de saúde da família e estão disponíveis no mês de janeiro nas seguintes unidades: ESF Aeroporto-II (Rua Santos Dumont, 47), ESF Padre Ernesto Sassida (Rua José Fragelli s/nº - Dom Bosco), ESF Ênio Cunha (Al. Tamengo , s/nº - Cervejaria), ESF Pedro Paulo II ( Batista das Neves, 119 – Centro), ESF Luiz Feitosa Frageli (Av. Rio Brancos/nº - Universitário), ESF Fernando Moutinho (Al. Maciel de Barros, 48 – Cristo Redentor), ESF Lucia Maria de Carvalho ( Rua Círiaco de Toledo s/nº - Guanã). Nas demais unidades de saúde, as vacinadoras estão de férias.

Atenção

Além da vacina, como medida preventiva, a população deve ficar atenta ao presenciar mortes de macacos, animais considerados hospedeiros e amplificadores do vírus.

“A gente solicita que a população nos comunique caso se depare com algum desses animais mortos, porém não deve entrar em pânico porque a causa da morte só será confirmada após exames laboratoriais”, frisou Viviane sobre a importância desses comunicados ao Centro de Controle de Zoonoses por meio do telefone (67) 3907-5579.

O último caso registrado de febre amarela em Corumbá foi no ano de 2008 na zona rural. A pessoa infectada morreu devido ao quadro evolutivo da doença transmitida pela picada de mosquitos infectados com o vírus.

Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta; icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos) originando daí o nome da doença; hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem a doença grave podem morrer.

Foto: Ricardo Albertoni

Viviane Ametlla, gerente de Vigilância em Saúde do Município, pede que população fique atenta também a mortes de macacos na região

A doença

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. A doença tem importância epidemiológica por sua gravidade clínica e potencial de disseminação em áreas urbanas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti.

Há dois diferentes ciclos epidemiológicos de transmissão, o silvestre e o urbano. Mas a doença tem as mesmas características sob o ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico. No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados.

A pessoa apresenta os sintomas iniciais 3 a 6 dias após ter sido infectada. Os sintomas iniciais da febre amarela incluem súbita febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença.

No país

De acordo com o informe nº 9 - 2017/2018, do Ministério da Saúde, que realiza o monitoramento da febre amarela no Brasil, entre os dia 1º a 14 de janeiro, foram notificados 470 casos em humanos. Destes, 35 foram confirmados e 20 deles levaram os infectados à morte. O número é bem maior quando se trata de animais. Em todo território nacional, houve 2.442 notificações, sendo que 411 delas resultaram positivamente para a doença.

Em São Paulo, a cidade de Mairiporã decretou situação de emergência e calamidade na saúde pública por 180 dias, devido à febre amarela que já causou a morte de 10 pessoas no município. Foram recolhidos 230 macacos mortos, 97 deles com febre amarela confirmada.

Na cidade de Santo André, também em São Paulo, um homem de 56 anos, morreu no último domingo, 14 de janeiro, com suspeita de febre amarela. A família suspeita que ele tenha contraído a doença na cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde passou as festas de fim de ano. Material foi coletado para exames cujo resultado deve ficar pronto dentro de 15 dias.

Em boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde no dia 16 de janeiro, Mato Grosso do Sul não registra nenhum caso de febre amarela. No ano passado, seis macacos foram encontrados mortos no Estado, mas os resultados foram negativos para a doença. Os animais foram encontrados em Corumbá, Dourados, Ladário e Campo Grande.

 

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