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Corumbá, MS
14 de Dezembro de 2017
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“Ou se toma uma providência, ou vai desandar”, diz delegado que já fechou mais de 30 “bocas de fumo”

Ricardo Albertoni em 05 de Outubro de 2017

Imagens: Anderson Gallo

Rodrigo Blonkowski, é delegado titular responsável pelo cartório de furtos, roubos e tráfico de drogas da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá

“Eu nunca estourei tanta boca de fumo como aqui em Corumbá. Nunca.” A afirmação do delegado titular responsável pelo cartório de furtos, roubos e tráfico de drogas da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, Rodrigo Blonkowski expõe a situação da cidade em relação ao tráfico de drogas.

O combate realizado pela Polícia Civil através do SIG (Setor de Informações Gerais) do 1º DP, que já fechou 33 pontos de venda de drogas e prendeu 66 pessoas, mostra o quanto o comércio de entorpecentes se estabeleceu e se ramificou na região, sendo em muitos casos a principal fonte de renda de algumas famílias, se consolidando como “estilo de vida” para os que se beneficiam dessa prática. De acordo com Blonkowski, que já trabalhou nas cidades de Ivinhema, Itaquiraí e Caarapó, Corumbá possui semelhanças com as outras cidades onde trabalhou por ser um corredor do transporte de entorpecentes.

Por outro lado, a quantidade de pontos de venda de drogas aponta que a cidade possui diferencial preocupante. “Quando eu trabalhei na região de Itaquiraí, que é próximo de Eldorado, de Mundo Novo, existia droga, muita. Qual a espécie? Maconha. Ali é um corredor de droga, igual aqui. Qual a diferença entre aquela região, fronteira Sul com essa fronteira? É que lá a droga não fica. Lá a droga passa, passa de tonelada, assim como aqui. Só que aqui a droga tem ficado. Eu nunca estourei tanta boca de fumo quanto em Corumbá. Nunca”, ratificou o delegado ao Diário Corumbaense.

Para tentar diminuir a quantidade de pontos de venda de drogas na região, desde o início de 2017, sob coordenação do delegado Rodrigo Blonkowski, o SIG tem investigado e fechado diversas “bocas de fumo” como são conhecidos esses locais onde são comercializados os entorpecentes. A repressão firme e intensa modificou direta e indiretamente a rotina dos traficantes. Os policiais identificaram nesse período mudança de hábitos e inclusive a diminuição de delitos relacionados ao tráfico de drogas.

Após o levantamento de informações, a descoberta das relações entre os pontos de venda e o enfraquecimento desse comércio em alguns lugares considerados críticos, a Polícia Civil iniciou nova linha de atuação, desta vez, combatendo a raiz do problema: o fornecedor.

“No começo, quando chegamos em Corumbá e começamos essa repressão precisou de um choque. Fecha tudo, o que aparecer fecha, estoura tudo, a repressão firme, um choque de ordem.  Hoje, você acaba percebendo que com a prisão de um fornecedor você acaba estourando dez bocas de fumo. Porque se quebrar o fornecedor, eles não terão de onde pegar. A ênfase do nosso trabalho hoje é essa, o fechamento desses pontos de fornecimento de entorpecentes e não apenas das biqueiras”, explicou o delegado.

Maconha

Durante as ações, uma situação chamou a atenção dos policiais. O crescente aumento da maconha em Corumbá. A presença da droga em grande quantidade na cidade se destaca porque mostra um comportamento anormal do tráfico indicando que o caminho inverso está sendo praticado na região, já que o entorpecente não é encontrado no país vizinho, o que indica que a BR-262,  trecho Corumbá/Campo Grande, uma das principais vias de transporte de drogas do Estado também está sendo utilizada inversamente pelos traficantes para abastecimento de maconha comercializadas nas “bocas de fumo” de Corumbá.

“Na Bolívia não tem um pé de maconha. A gente sabe que a maconha vem do Paraguai e está chegando por uma rota que vai até Campo Grande, de lá é distribuído para outras cidades, inclusive Corumbá”, frisou o delegado.

O oferta da maconha em grande escala evidencia hábito que culturalmente não era comum na região. Essa mudança de comportamento em relação ao consumo de determinado tipo de entorpecente pode ser explicada pela influência de turistas, migrantes e imigrantes.

“Corumbá tem suas peculiaridades, aqui existem pontos positivos mas também existem muitos pontos negativos. Uma cidade turística que atrai tanto turistas do Brasil como do mundo inteiro. É uma cidade que atrai muitas pessoas de fora e essas pessoas de fora trazem consigo coisas boas e ruins. Antes, no início do combate ao tráfico, a gente começou em janeiro, até meados de março, abril, se encontrava pasta base e cocaína, exclusivamente. Hoje, em todas que a gente estourou pra frente disso, se encontra pasta base, cocaína e maconha, ou seja, se diversificou. Antes, eram umas trouxinhas de maconha, hoje, a gente já começou a pegar de quilo. Isso tem influência dessa miscigenação que tem na cidade. Porque o cara pode falar que no Rio de Janeiro, no Paraná é “normal” pra ele e acaba vindo com esse vício e  espalhando aqui. E não é baixa renda, todas as classes sociais têm utilizado a maconha.”

Parceria das instituições

De acordo com o delegado, o trabalho das instituições dentro das suas esferas de atuação é imprescindível para que o resultado seja positivo tanto na diminuição do tráfico quanto como forma de desestimular a prática desse crime na região.

“Corumbá é uma cidade aparentemente tranquila, mas para o número da população ela é bem complicada. Há presença de facções criminosas e isso tem gerado uma preocupação aos órgão de segurança. Em cidades da divisa com São Paulo, como Nova Andradina, Bataguassu, Batayporã, já se instalou núcleo de facção que não sai mais e são cidade pequenas e não tão atrativas porque Corumbá é fronteira com a Bolívia. Nós estamos em uma situação em que ou se toma uma providência ou vai desandar. Esse choque, esse combate efetivo tem que ser feito pela Polícia Civil, pela Polícia Militar, pela Polícia Federal, pela PRF, para que o cara diga: 'Pô, lá não dá pra ir'. Se você deixar solto, fica atrativo. Quanto mais pessoas caminhando no mesmo sentido, mais fácil de resolver o problema. Se a gente caminha sozinho, vai ter resultado, mas poderia ser 10, 15 vezes  maior se tivesse a participação de outras pessoas”, destacou.

Parceria com a População

Uma das principais ferramentas para o trabalho do SIG é a informação. A maior parte dos fechamentos de locais de venda de drogas aconteceu através de denúncias anônimas realizadas pela população com informações fundamentais  para que a Polícia Civil pudesse realizar os flagrantes. Além dos serviços de contato com a instituição pelos telefones principais foram criados mais dois canais de comunicação com a população: o WhatsApp do SIG (67) 9 9272-6380 e o e-mail sigcorumba@gmail.com.

O delegado também reforçou a importância do registro de ocorrência das vítimas de crimes. De acordo com Blonkowski, as informações servem como base para traçar panorama da cidade e identificar possíveis locais onde o tráfico é praticado. 

“A população tem se sentido incomodada e tem observado que em determinado bairro da cidade está acontecendo um aumento de tráfico de drogas, aumento de roubos, de furtos e tem procurado a Polícia Civil. E é importantíssimo o registro de ocorrência, às vezes a pessoa pensa em não ir na delegacia registrar ocorrência porque na opinião dela não dá nada. Isso está sendo visto. Todo boletim de ocorrência é analisado e com essas informações você consegue pelo menos mapear a cidade, ter uma noção de aumento de delitos em determinados pontos, de certa forma,  mapear  e ter uma visão panorâmica da cidade”, reforçou.

Não compensa

Cerca de 80% das bocas de fumo estouradas em Corumbá eram mantidas por jovens de 18 a 25 anos. O levantamento mostra um dado alarmante e levanta a importância de um trabalho paralelo à repressão na tentativa de resgatar jovens que muitas vezes entram para o mundo do crime em decorrência de uma referência negativa na família. Dentro disso, o papel da Polícia Civil é o de mostrar que a tentativa de fazer do tráfico de drogas um meio de vida não compensa.

“80% das bocas de fumos tinham jovens, ou seja, de 18 a 25 anos, pessoas já envolvidas com tráfico de drogas. Isso é um ponto negativo. É filho, tio, que já tem um exemplo negativo, isso é um ciclo. Na minha opinião, o tráfico de drogas tem que ser combatido da forma mais rigorosa possível, só que tem que ter um trabalho concomitante a isso, de educação, oferecer uma oportunidade para esse jovem, tentar resgatar. Tem que ter, mas não é meu papel. Acredito que seja de suma importância, mas não é meu papel. Por isso a importância de agregar. Cada um fazendo o seu, mostrando que o tráfico não compensa e próprio 'boqueiro', a pessoa que vende droga, acaba acompanhando as notícias e em algum momento a hora dele vai chegar. Pode demorar um pouco, mas chega”, finalizou.

Ações e Compartilhamento
Comentários:

Ivano Maldonado : Parabéns delegado....Não se assuste...se alegre com seu trabalho! !!!! Nossoa filhos ageadecem

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