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Corumbá, MS
14 de Dezembro de 2017
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Mês de alerta prova que ações de prevenção ao câncer ajudam a salvar vidas

Lívia Gaertner em 03 de Outubro de 2017

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Na sala de costura da Rede Feminina, equipe trabalha da confecção de camisetas para caminhada

A cada outubro, o alerta é reforçado em todo o país: tratar a saúde como prioridade, principalmente a das mulheres. Por isso, o mês foi associado à cor rosa e às ações de prevenção ao câncer de mama. Atividades informativas dão visibilidade à prevenção, tratamento e histórias de vida a fim de conscientizar a população de simples hábitos que podem salvar vidas.

Foi numa dessas ações que uma amiga de Corina Garcia descobriu um nódulo na mama e hoje está em tratamento, segundo contou ao Diário Corumbaense. “Foi bem nessa época quando estava tendo atividades do Outubro Rosa e ela passou por uma avaliação oferecida em uma ação. De lá para cá, ela vem se tratando, por isso é importante nunca deixar de falar e incentivar as pessoas a pararem suas rotinas corridas e prestarem um pouco mais de atenção nelas”, disse.

Outras já resolvem dar atenção quando percebem que algo não caminha como antes. Foi assim que Regina Helena de Guimarães, 63 anos, teve o diagnóstico que não queria, porém advindo de décadas de hábitos nocivos à saúde.

“Fui ao cardiologista e reclamei de falta de ar, nos exames ele viu algo e constatou que estava com câncer nos pulmões. Eu fumei por 40 anos e depois de ter sido encaminhada para cirurgia em Campo Grande nunca mais tive vontade do cigarro. Passei por seis meses de tratamento quimioterápico em Corumbá e, hoje, faço acompanhamento”, disse Regina que também tem uma relação bastante forte com o mês de outubro pois foi no dia 30, cinco anos atrás, que ela enfrentou a cirurgia de retirada do nódulo de seis centímetros de um dos pulmões.

Antes de descobrir o câncer, não arredava o pé do trabalho duro, porém depois, ela teve que aprender a lidar com algo que exigisse menos e foi através do apoio das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Corumbá que ela ganhou nova profissão: a de costureira.

“Eu virava massa, construía, carregava material para armar concreto, então achava que não ia me dar bem. No início, os artesanatos saíam todos feios (risos), mas agora domino a costura”, disse.

Camisetas são trocadas por 1 quilo de alimento não perecível mais a quantia de 15 reais

Regina é uma das integrantes do projeto “Amor em Retalhos”, desenvolvido pela ONG que existe há quase 12 anos, com o objetivo de dar apoio aos pacientes e suas famílias durante o tratamento de vários tipos de câncer. Este ano, as costureiras do projeto estão sendo responsáveis por confeccionar 2 mil camisetas que serão usadas durante a 5ª Caminhada Contra o Câncer, evento que será realizado no dia 28 de outubro, às 08h, com saída em frente a sede da Rede, e que integra a programação do Outubro Rosa em Corumbá.

“Outubro é apenas para lembrar porque o cuidado tem que ser o ano todo. Câncer, hoje em dia, tem cura, porém desde que seja com o diagnóstico precoce por isso é muito importante a prevenção e hábitos saudáveis”, disse a este Diário, Sabina Acosta da Costa, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

Com a estrutura existente hoje, a ONG consegue atingir cerca de 150 pacientes por mês com atendimentos psicológicos, fisioterápicos e doação de cestas básicas. Os alimentos, segundo Sabina, são essenciais em casos onde o paciente não tem condições financeiras, mas precisa manter uma dieta equilibrada visando o fortalecimento do organismo para o recebimento do tratamento. Por isso, as voluntárias estão também de 3ª a 5ª feiras oferecendo café da manhã e lanche da tarde aos pacientes no Centro de Oncologia que passam pela quimioterapia e radioterapia.

Atualmente, a Rede Feminina conta com 23 voluntárias, incluindo profissionais da fisioterapia, psicologia e nutrição, além de demais funções, que atuam entre 3ª e 5ª feiras, das 07h às 17h, na sede localizada na rua XV de Novembro, 1199.

“Começamos numa salinha dentro do Hospital com 4 voluntárias. No início, nosso acompanhamento era mais solidário, não tínhamos acompanhamento de profissionais psicólogos, nós mesmas é que dávamos essa amparo, ajudávamos os pacientes a irem para Campo Grande, pois aqui não tinha o tratamento”, lembrou. Motivadas por esse quadro, as voluntárias foram decisivas na implantação do Centro de Oncologia em Corumbá. “Movimentamos um abaixo-assinado por toda a cidade”, recordou Sabina.

Apesar dos avanços, a ONG ainda possui demandas como a conquista da sede própria. Hoje, com o valor do aluguel seria possível, conforme a presidente, manter o custeio das cerca de 40 cestas básicas fornecidas aos pacientes. Para saber mais sobre o trabalho dos voluntários e formas de colaborar, a Rede Feminina mantém de portas abertas sua sede e também disponibiliza o telefone (67) 3231-3057.

Câncer de Mama é o mais comum nas mulheres

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), um a cada quatro tipos de câncer que afetam as mulheres é de mama. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), do Ministério da Saúde, estima que entre 2016 e 2017, surgirão no Brasil quase 58 mil novos casos da doença.

 “O câncer de mama é o mais comum nas mulheres e é o de que elas mais morrem no mundo todo. Só que a possibilidade de cura aumentou muito nos países da Europa, Estados Unidos e Japão, principalmente, mas não aconteceu a mesma coisa nos países do hemisfério Sul”, afirmou Luiz Antonio Santini, ex-diretor-geral do INCA – Instituto Nacional do Câncer.

A seu ver, o que mais chama a atenção é que a mortalidade não se expressa de maneira semelhante entre as diversas camadas de renda da população. “Ela é muito maior entre as camadas de renda mais baixa. Isso reflete o acesso ao tratamento em tempo adequado”.

Por isso, na sua opinião, o Outubro Rosa é um movimento importante para esclarecer as mulheres sobre as possibilidades de detectar precocemente e "até de curar o câncer de mama, ou de obter uma expectativa de vida com qualidade por mais tempo”.

É preciso que as mulheres procurem médicos especialistas e realizem outros exames específicos, recomendou. “Não pode focar só na mamografia, que é somente um componente do processo”.

Outubro Rosa

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, visando estimular a participação da população no controle do câncer de mama. Em 1991, a Fundação Susan G. Komen for the Cure lançou o laço cor-de-rosa, que foi distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova Iorque. A data é celebrada anualmente em todo o mundo no mês de outubro, com a meta de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.

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