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Corumbá, MS
23 de Outubro de 2017
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Ruas de Corumbá são "tomadas” por crianças em busca dos doces de Cosme e Damião

Ricardo Albertoni em 27 de Setembro de 2017

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

As ruas de Corumbá foram tomadas por crianças, adolescentes e pais em busca dos disputados “saquinhos” de doces

Como em todos os anos, nesta quarta-feira (27), dia de Cosme e Damião as ruas de Corumbá foram tomadas por crianças, adolescentes e pais em busca dos disputados “saquinhos” de doces oferecidos pelos devotos dos santos irmãos. Cosme e Damião também são considerados padroeiros dos farmacêuticos, médicos e faculdades de medicina, porém, são bastante conhecidos pela ligação com as crianças. Por essa relação com os pequenos, existe como tradição em alguns lugares do Brasil a distribuição de doces como forma de homenagear os santos ou cumprir uma promessa feita a eles. 

A devota Durvalina Lima Mauriense distribui as guloseimas há cinco anos. Ela cumpre  promessa por graça alcançada, que não pode ser revelada, e deve ser cumprida por sete anos. Tradicionalmente ela distribui pela manhã e logo cedo, sem qualquer manifestação por parte dos moradores da casa de que a distribuição dos cerca de 350 kits está prestes a se iniciar, filas já se formam no portão da residência. “Todos os anos distribuímos pela manhã e desde cedo as crianças já fazem fila aqui na frente. Sou devota de São Cosme e Damião e é uma alegria, uma retribuição pela graça alcançada”, explicou Durvalina ao Diário Corumbaense.

Para manter viva a tradição, muitos trazem os filhos. Alguns ainda nem nasceram e já fazem parte da corrida pelos doces. Andréia Abreu de Oliveira, grávida de 06 meses, moradora do bairro Aeroporto, percorreu com companhia das duas filhas, Alice de 02 anos e Dandara de 07 anos, mais de 3 quilômetros desde às 06h da manhã. Ela diz que é importante passar a tradição para os mais novos. “Desde a infância faço isso, na casa da minha avó sempre repartiu e agora estou passando a tradição para os filhos”, disse Andréia que revelou que só iria para casa quando as mochilas estivessem cheias. “Peguei três até agora mas pretendo ficar até encher a mochila”, garantiu.

Andréia Abreu de Oliveira, grávida de 06 meses, percorreu com companhia das duas filhas, Alice de 02 anos e Dandara de 07 anos, mais de 3 quilômetros

A tradição não consiste apenas na distribuição de doces. Muitos devotos oferecem café da manhã, almoço e até jantar. A dona de casa Ana Lúcia Cruz do Nascimento, que mantém a tradição há mais de 30 anos, ofereceu por volta das 08h um café da manhã  em sua residência com dois dos produtos preferidos da criançada: refrigerante e cachorro quente. A distribuição, que já deixou de ser uma promessa, passou a ser muito mais um dia de confraternização familiar, já que vários membros da família se envolvem na ação.

“Já perdi as contas, mais de 30 anos. Começou com uma promessa, mas a pessoa faleceu e a família optou por continuar, então, não é mais promessa, é nossa tradição. Eu costumo fazer o chá, optamos por isso porque muitas crianças saem de casa às vezes sem comer. Antes era o leite, mas como está muito quente, decidimos oferecer o refrigerante. É muito gratificante ver essa criançada correndo pra lá e pra cá e acaba sendo uma confraternização familiar já que todos se envolvem com os preparativos”,  disse Ana Lúcia a este Diário.

A dona de casa Ana Lúcia Cruz do Nascimento, que mantém a tradição há mais de 30 anos, ofereceu por volta das 08h um café da manhã em sua residência

O atrativo diferenciado agrada quem recebe, principalmente quem acaba saindo cedo de casa, como no caso de Rosana Pessoa Calonga, que veio para as ruas com o filho de 04 anos. “Desde cedo, às 06h, estamos andando pelo bairro e agora viemos aqui lanchar na casa da minha tia. Pegamos quatro saquinhos até agora e à tarde vamos para a parte alta, parando somente à noite”, disse Rosana.

Por existir grande concentração de crianças nas ruas, a orientação é para que os motoristas redobrem a atenção e aos pais, para que fiquem atentos.

História de Cosme e Damião

Os irmãos gêmeos Cosme e Damião eram médicos e viveram na Ásia Menor. Ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro. Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Na religião católica, o dia 26 de setembro lembra os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo. Eles são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis. São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças. Na Igreja Ortodoxa, os santos são celebrados no dia 1º de novembro. Já os ortodoxos gregos comemoram em 1º de julho. São Cosme e Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles. Com informações do Portal EBC.

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