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22 de Novembro de 2017
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Rachado, PT de MS pode ter debandada de 300 filiados em setembro

Campo Grande News em 19 de Agosto de 2017

O resultado das eleições para o Diretório Estadual do PT, em abril deste ano, deve deixar marcas profundas no Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul. Descontentes com os rumos da legenda, a expectativa é que cerca de 300 militantes deixem o partido em um ato de desfiliação no mês de setembro.

Quem pode comandar a debandada é o ex-presidente estadual do PT, Antônio Carlos Biffi, que avalia deixar o partido, prestes a completar 30 anos como filiado. "Isso é uma coisa que estamos confirmando. Estamos fazendo consultas em todo o Estado para decidir qual é a melhor decisão", explicou Biffi em entrevista ao Campo Grande News na manhã desta sexta-feira (18). "A última coisa que queremos é sair, mas estão nos empurrando para fora".

O descontentamento com os rumos do partido teve início com a vitória do deputado federal José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que venceu Biff e ficou com a presidência estadual. Entretanto, a situação piorou com demissão de 8 dos 9 funcionários do diretório sem o pagamento de salários e verbas rescisórias garantidas por direitos trabalhistas.

Motivo que fez Kelly Cristina Costa, ex-secretária de finanças e integrante das fileiras do PT por 21 anos, e desde 1996 em Mato Grosso do Sul, a se desfiliar.

"Minha saída está relacionada, especialmente, ao descaso promovido pelo atual presidente com os meus companheiros demitidos do partido, que foram demitidos sem justa causa e não tiveram seus direitos trabalhistas garantidos, ao contrário do que prega os princípios do PT", publicou Kelly no Facebook, no dia em que oficializou sua saída, 15 de agosto.

Segundo Kelly, no próximo dia 13 de setembro, haverá um ato com a expectativa de que até 300 membros do partido oficializem a saída do partido. "Deve sair uma quantidade boa", diz. Ela acredita que inicialmente 200 pessoas devam se desfiliar, mas que o número pode ser ampliado com a saída de Antônio Carlos Biffi.

Thaís Helena, ex-vereadora de Campo Grande e membro do diretório municipal em 2005, se afastou do partido, mas ainda não oficialmente, o que pretende fazer no ato marcado para o próximo mês.

"O descontentamento com o partido é grande. A gente não pode defender para fora o que não faz dentro, o que, principalmente em Mato Grosso do Sul, tem deixado a militância muito descontente. A gente não pode ser contra a reforma trabalhista e defender a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), sendo que dentro faz outra coisa", diz Thaís Helena.

Além desses fatores, Biffi acredita que o Partido dos Trabalhadores no Estado perdeu autonomia e está sendo utilizado para interesses particulares do atual presidente. "Virou anexo do mandato e é muito ruim isso. Tem que ter direção autônoma, não pode ser coadjuvante de deputado A ou B", defende.

O curioso da situação é que tanto o ex-deputado federal quanto Kelly Cristina Costa trabalharam no governo Zeca do PT, e, entre críticas, elogiaram o trabalho feito no período entre os anos 1999 e 2006.

"Tivemos grandes avanços no governo Zeca, mas o rumo do partido está muito ruim. Tem que estar com a militância e movimentos sociais e não apenas para usar o partido para eleições. Agora estão com dificuldade de relacionar com a militância", relata Biffi, ex-deputado federal e ex-secretário do governo Zeca.

Conversas com outros partidos reforçam a saída de Biffi da legenda. Presidente estadual do PDT, o deputado federal Dagoberto Nogueira confirmou que já o procurou para tê-lo em seu partido e disputar as eleições em 2018.

"Quero fazer uma chapa competitiva de deputado federal e deputado estadual, para isso estamos chamando as pessoas que têm compromisso com os trabalhadores e o País. Já conversei com ele [Biffi] e fiz o convite, e ele está conversando com o grupo dele avaliando a possibilidade dele estar junto conosco", relatou Dagoberto.

A reportagem tentou entrar em contato com o deputado e presidente do partido, Zeca do PT, mas a assessoria informou que ele está em viagem no interior do Estado e sem sinal de celular.

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