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Corumbá, MS
19 de Agosto de 2017
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Em Corumbá, Nossa Senhora de Copacabana promove celebração fronteiriça

Lívia Gaertner em 07 de Agosto de 2017

Fotos: Lívia Gaertner/Diário Corumbaense

Em Corumbá, as homenagens a Nossa Senhora de Copacabana têm missa e cortejo dançante

A cada seis de agosto, as ruas de Corumbá ganham cores e ritmo tradicionalmente bolivianos. O Dia da Independência do país vizinho também é a data quando se celebra Nossa Senhora de Copacabana, santa considerada a padroeira da Bolívia, e de grande devoção entre quem vive nas cidades desta fronteira.

Extremamente religiosos, os bolivianos rendem devoção a muitas santas, porém a “Mamita de Copacabana”, como carinhosamente referem-se à imagem de Nossa Senhora, é uma das mais celebradas, tendo igual importância a parte de fé e a festiva.

Desde que surgiram as comemorações em Corumbá, isso há cerca de 15 anos, as celebrações à Virgem de Copacabana mostram um forte apelo fronteiriço. No lado brasileiro, em Corumbá, é celebrada a missa, que precede o cortejo dançante pelas ruas da cidade e, no lado boliviano, na cidade de Puerto Quijarro, o cortejo também acontece, porém antecede uma grande festa com comida, bebida e mais dança que entra madrugada adentro.

“Como a data não é feriado no Brasil, optamos desde o início por fazer a festa na Bolívia porque não podemos abusar. Nós gostamos muito de dançar até altas horas e isso podia não ser bem entendido, ainda mais porque a maioria das vezes a data cai em dias da semana. Lá, sendo feriado, festejamos mais tranquilos”, explicou ao Diário Corumbaense, Daniel Alvarez, artesão que viveu em Corumbá e iniciou as celebrações de Nossa Senhora de Copacabana aqui na fronteira.

A imagem a qual a comunidade boliviana da fronteira rende homenagens é a mesma trazida por Daniel da cidade de La Paz e seguindo a tradição, a cada ano, ela fica sob os cuidados de uma família que recebe a tarefa de preparar os festejos do próximo ano. Daniel se diz muito feliz por ver a festa crescer em todos esses anos.

“No início, era pequena, apenas uma missa que fazíamos, depois foi ganhando esse aspecto com as danças. Meu propósito era meu irmão conseguir a casa dele aqui e conseguiu. Como muita gente vem para trabalhar nesse pedaço de chão brasileiro, rendemos homenagens à santa do mesmo modo como fazemos na Bolívia porque os brasileiros nos recebem com os braços abertos, nos acolhem”, afirmou o artesão que, hoje, voltou a viver em La Paz, mas anualmente retorna a Corumbá para participar das celebrações que iniciou na fronteira.

A cada ano, uma família fica responsável pela preparação das celebrações em homenagem à santa

Este ano, além da Morenada, dança originalmente paceña, também participou do cortejo (entrada folclórica), uma dança bastante curiosa. Oriunda de Sucre, Pujjlay, além de passos sincronizados mostra habilidade para se equilibrar em grandes tamancos de madeira, muitas vezes, realizando saltos.

Do Titicaca ao bairro carioca

As origens da devoção à imagem de Nossa Senhora de Copacabana estão atreladas, segundo uma pesquisa realizada por Anna Paula Egito Barbosa Corrêa, Cristina Hatsumi Tabata e Suzana Vinicia Mancilla Barreda, aos cultos dos povos indígenas que habitavam a Bolívia, na cidade de Copacabana, localizada no entorno do Lago Titicaca.

Para substituir esses cultos, os dominadores espanhóis introduziram no povoado uma imagem da Virgem Candelária, que no local, recebeu o nome de Virgem de Copacabana, se tornando uma das maiores e mais importantes representações de Nossa Senhora, na América do Sul. O nome Copacabana deriva da expressão kotakahuana do dialeto aymara, que significa "vista do lago".

No século XIX uma réplica da imagem da Virgem foi feita e levada ao Rio de Janeiro, onde foi criada uma pequena igreja para Nossa Senhora de Copacabana, constituída por comerciantes espanhóis, e algumas chácaras e sítios. E assim foi criado o que, hoje, é o famoso bairro carioca de Copacabana.

Galeria: Virgem de Copacabana - 2017

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