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Corumbá, MS
27 de Maio de 2017
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Estudantes de Psicologia da UFMS/CPAN realizaram quase 600 atendimentos em semestre

Caline Galvão em 11 de Abril de 2017

Fotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

A maior parte da demanda da clínica é de crianças, seguidas de mulheres com problemas em relacionamentos

Há 35 anos contribuindo com a saúde mental dos moradores da região de Corumbá, Ladário e fronteira, a Clínica-Escola de Psicologia da UFMS/CPAN realizou, só no segundo semestre letivo de 2016, cerca de 600 atendimentos. Recebendo demanda espontânea e indicação da rede pública de educação, saúde e também da Justiça, a clínica auxilia diretamente na formação de novos psicólogos. Coordenada há quase nove anos pelo professor Luís Fernando Galvão, a Seção de Psicologia tem projeto de firmar convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) e colaborar ainda mais com a população da região.

Todos os acadêmicos de Psicologia têm obrigação de passar por estágio supervisionado nos dois últimos semestres do curso e a Seção de Psicologia é uma das ferramentas para essa demanda curricular. De acordo com Luís Fernando Galvão, há três cursos de psicologia na UFMS e cada um tem clínica-escola. No campus Pantanal da Universidade Federal, os alunos têm opções de estágio, uma relacionada à psicologia em promoção de saúde, que é exatamente o que a clínica-escola faz, e a outra é relacionada à psicologia e processos de gestão, ligado à psicologia do trabalho. Eles podem fazer um dos estágios ou os dois.

Na clínica-escola são desenvolvidas práticas da psicologia clínica que consiste em oferecer atendimento psicoterápico à população. Sendo demanda espontânea ou indicada, o interessado comparece pela primeira vez e faz cadastro, onde é traçado seu perfil e sua renda familiar. Caso essa renda seja superior a três salários mínimos e meio, é cobrada taxa simbólica de R$ 12,00 por cada atendimento, conforme tabela regulada pela UFMS. Se a pessoa for menor de idade, o responsável é quem faz a inscrição, e no local há sistema de plantão das 08h às 11h e das 14h às 19h, sempre no período letivo.

“A demanda é bastante expressiva, nós nunca conseguimos dar conta de 100%, sempre há demanda maior do que a nossa capacidade de atendimento, a procura vem especialmente pelas instituições relacionadas às prefeituras, escolas, e diretamente ligada à Secretaria de Educação ou à Secretaria de Saúde, tanto de Corumbá, quanto de Ladário”, afirmou ao Diário Corumbaense Luís Fernando Galvão.

“A Universidade Federal talvez seja a única instituição em Corumbá e Ladário que atende casos de baixa e média complexidade do ponto de vista da saúde mental, casos leves e moderados. São pessoas que vêm aqui, mas continuam desenvolvendo suas atividades escolares, produtivas e sociais. Os casos moderados e graves, especialmente os graves, são atendidos pela rede do CAPS [Centro de Atenção Psicossocial] da Prefeitura. Na unidade básica de saúde do centro também há psicólogos, mas a demanda é muito grande e o atendimento é restrito”, disse o coordenador da Clínica-Escola de Psicologia.

Segundo o coordenador da clínica, Luís Fernando Galvão, a clínica tem função social importante e pode ser ampliada se conveniada ao SUS

Convênio com SUS pode ampliar atendimento na região

O curso de Psicologia do Campus do Pantanal da UFMS foi o primeiro bacharelado da área no Estado de Mato Grosso do Sul e o terceiro a ser instituído dentro de uma universidade pública federal do Brasil. Está em plena comemoração pelos seus cinquenta anos de existência. “É um curso que tem uma contribuição histórica no cenário da psicologia brasileira”, disse Luís Fernando Galvão.

Os atendimentos realizados pelos acadêmicos contam com a supervisão dele e também de dois professores, Wilson Ferreira de Melo e Carmem Adélia Saad Costa e são trabalhadas duas correntes teóricas: psicodinâmica e comportamental. A Seção de Psicologia possui seis salas para atendimento, sendo uma delas com temática infantil, além de dois setores administrativos, uma recepção, três banheiros e sala de convivência dos estudantes. De acordo com o professor Luís Fernando, a maior clientela da clínica é composta por crianças que começam a ter seus problemas detectados a partir do baixo rendimento escolar relacionado supostamente a problemas comportamentais. Escolas, professores e mães percebem a diferença e buscam auxílio na psicologia. O segundo maior público é composto por mulheres entre 25 e 45 anos, geralmente por questões de ordem relacional. Mas há também demanda de adolescentes e de homens adultos, que são menos dispostos a falar sobre seus problemas com algum profissional da psicologia.

A Clínica-Escola tem função social muito importante por atender à demanda que não teria condições de ser atendida em outro espaço para casos leves e moderados, conforme Luís Fernando. Por conta disso, o coordenador da clínica, juntamente com a direção, tem o interesse de efetivar convênio junto ao SUS (Sistema Único de Saúde). Já houve primeiro contato com a administração municipal anterior e deverá haver novo encontro com a atual administração pública municipal para expor o projeto. O que está faltando no momento é a conclusão da reforma da Seção de Psicologia, para ser estruturada conforme as exigências do SUS, para fechamento do convênio. Para o professor, essa iniciativa será outra contribuição para a formação dos alunos que já têm leitura teórica sobre saúde pública, além de contribuir para facilitar o fluxo de encaminhamento de toda rede da região. 

Colocar a teoria na prática não é fácil, relatam estudantes de psicologia

Concluinte do curso, a estudante Waleska Freitas de Arruda Maia afirmou que não foi tão fácil passar da teoria para a prática. “Quando a gente entra nesse contato com a clínica, a gente fica um pouco temerosa porque sente que tem um papel um tanto delicado na vida do paciente, mas esse período de adaptação é compreendido dentro da clínica”, disse Waleska que explicou que com o passar do tempo, o estudante vai trabalhando com mais de um caso. “A teoria e a prática é um tanto diferente quando você tem esse contato inicial, mas nada que se afaste muito. Depois que tem esse período de adaptação, de uns 3 e 4 meses, a gente consegue administrar isso e cada um vai se permitindo dar essa oportunidade de dar entrada de outros pacientes para atendimento”.

Estudantes afirmaram que sem a prática na Universidade seria bem mais difícil exercer a profissão

Rosa Marília Batista de Moraes também sentiu dificuldade em colocar a teoria da psicologia na prática. “É um pouco difícil no início porque tem a adaptação, mas com o tempo e as supervisões, fica mais fácil. No começo, a gente fica temerosa porque é um contato novo, a gente chega com aquela expectativa, mas com o tempo vai se acostumando. A teoria dá uma base para você atender o paciente e quando o acadêmico chega aqui, ele já sabe como funciona”, disse Rosa Marília.

A acadêmica Bruna de Oliveira Farias disse ao Diário Corumbaense que não teria condições de  sair do curso de Psicologia sem passar pela prática clínica ainda na Universidade. “Os estudantes têm a opção de escolher o outro tipo de estágio que é oferecido aqui, só que o estágio oferecido na clínica prepara a gente para ter uma perspectiva do sujeito como um todo e é fundamental que os alunos, mesmo não tendo essa paixão por atendimento clínico, passem por esse estágio para ter essa compreensão de como as pessoas são dentro de cada contexto que elas estão inseridas, e isso é muito importante”, opinou Bruna.

As três estudantes relataram que em alguns casos específicos, acreditaram que não iriam conseguir trabalhar, mas com ajuda dos professores, elas realizaram o atendimento. Bruna, por exemplo, relatou que algumas vezes chegou a questionar os professores por não saber mais o que fazer em certos casos. “Mas a gente começa a entender que cada pessoa tem uma personalidade e que isso não é estático, é dinâmico. Na psicologia, a gente não tem algo que talvez tenha nas outras formações, que é uma coisa mais direcionada, mais objetiva, mas aqui a gente aprende que cada pessoa é de um jeito e a gente tem que lidar com essas pessoas com os recursos que elas têm. A gente já se viu diante dessas situações que pensava que não saberia ajudar essa pessoa, mas, na verdade, isso vai sendo construído junto com o paciente”, concluiu Bruna Farias. 

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