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Corumbá, MS
18 de Agosto de 2017
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Cerca de 5 mil pessoas devem passar pela exposição “Pantanal: paraíso das águas”

Caline Galvão em 03 de Novembro de 2016

Desde o dia 22 de outubro até 30 de novembro, a população pode conferir a exposição “Pantanal, paraíso das águas” na Estação Natureza Pantanal, localizada na ladeira José Bonifácio, em Corumbá. A mostra tem o intuito de oferecer conhecimento sobre o bioma Pantanal e incentivar a sua preservação, principalmente a conservação do rio Paraguai. Diversas escolas, turistas e moradores da região de Corumbá e Ladário já passaram pelo local. Espera-se que cerca de 5 mil pessoas visitem a exposição que é aberta das 09h às 11h20 e das 14h às 17h20 de terça a sexta, e das 14h às 18h aos sábados. 

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Exposição conta com diversas fotografias, palestra educativa, vídeo sobre o Pantanal e muitas histórias

Ivonete Guaragni, administradora da Estação Natureza Pantanal, explicou que a ideia de realizar uma exposição com essa temática em novembro é porque há duas datas emblemáticas neste mês. No dia 12 de novembro é celebrado o Dia do Pantanal, já o dia 14 é o Dia do rio Paraguai, sendo essa uma ótima oportunidade de fomentar a educação ambiental no sentido de preservação deste bioma. “A ideia é mostrar a importância de todo esse ciclo que a gente tem no Pantanal para a biodiversidade da nossa região e também para as pessoas que moram aqui”, disse Ivonete. A exposição está repleta de imagens, fotografias, histórias e vídeos educativos.

“Todo mundo que chega aqui é capaz de entender a exposição porque é interativa, através de imagens, de som, os próprios vídeos os ajudam a entender. A ideia é que todo mundo que passe pela exposição, compreenda um pouquinho mais de como funciona toda essa planície pantaneira, essa dinâmica das águas e a gente precisa de mais pessoas contribuindo para a sua conservação”, reforçou Ivonete ao Diário Corumbaense. Pela exposição já passaram diversas pessoas e grupos escolares, inclusive instituições educacionais de Ponta Porã já estiveram em Corumbá conhecendo a mostra.

Na tarde de terça-feira (1º), o professor de matemática Alan Márcio Alzamende, da Escola Estadual Leme do Prado, de Ladário, levou sua turma do 8º ano à Estação Natureza Pantanal. Para ele, essa é uma oportunidade de os alunos conhecerem melhor o bioma e preservá-lo. “A criança faz aquilo que ela aprende, então, se ela cresce e não preserva o meio ambiente é porque não foi ensinada. Se você ensina desde pequenas que elas têm que cuidar, senão vai faltar, eles cuidam sim, com certeza”, disse o professor.

Estudantes ouvem palestra sobre os diferentes ambientes aquáticos do bioma

A aluna Polyana Joana Larica, de 15 anos, afirmou que depois da palestra algumas informações foram, pela primeira vez, compreendidas por ela. “Algumas coisas sobre baías, vazantes, salinas, eu não sabia a diferença”, disse Polyana. Ela credita que a educação ambiental sendo ensinada aos adolescentes tornarão essas pessoas mais responsáveis com o meio ambiente do que os adultos. “Os adultos hoje não estão pensando em preservação, só em jogar lixo, sujar, eles não estão cuidando. Conhecendo desde criança e adolescente, a pessoa vai preservar melhor o Pantanal”, disse a estudante.

Mário Ferreira, de 13 anos, também contou que só entendeu a diferença entre os ambientes aquáticos do Pantanal depois da visita à exposição. “Eu não sabia a diferença entre planalto e planície, nem entre vazantes, baías e os outros ambientes”, afirmou. Para ele, essa oportunidade oferecida aos estudantes de conhecer melhor o bioma vai incentivá-los a preservá-lo melhor.

Ocupação irregular do planalto e lixo urbano são ameaças ao Rio Paraguai

Para Carlos Padovani, pesquisador da Embrapa Pantanal que se dedica aos estudos na área de impactos ambientais e na questão das inundações e estiagens do rio Paraguai, a maior dificuldade para preservação de um dos principais rios da América do Sul é a ocupação irregular e o uso inadequado das terras por agricultores.

“A maior ameaça é a atividade humana na região de planalto, fora do Pantanal, porque o rio Paraguai, assim como os outros rios que forma a bacia do Alto Paraguai, todos eles nascem na região do planalto. As cabeceiras de todos os rios estão no Planalto. Mas nessa região do Planalto, nos últimos 30, 40 anos, aconteceu uma grande alteração no ambiente em função do desmatamento para o avanço da fronteira agrícola. As regiões foram convertidas para pastagens e agricultura e essa conversão se deu em cima de solos muito vulneráveis à erosão e como nosso regime de chuvas é grande, com solos muito frágeis, isso leva ao aumento de processo de erosão”, explicou Padovani.

Estudantes observam o rio Paraguai do mirante da Estação Natureza Pantanal

Ele disse ainda que o depósito dos sedimentos advindos dessa ocupação irregular no fundo dos rios, processo chamado de assoreamento, causa diminuição da capacidade do rio de conter toda a água e as áreas inundadas ficam maiores, podendo atingir espaços onde não havia cursos de água. Além disso, a fauna aquática fica aterrada com o assoreamento. Esses sedimentos vêm também com todo tipo de agrotóxicos vindos da agricultura e alguns inseticidas e herbicidas têm tempo de vida longo e acabam sendo transportados da área do Planalto para o Pantanal, afetando fauna e flora aquática e terrestre, além de diminuir a capacidade potável da água do rio.

Além da poluição vinda da agricultura, há a contaminação feita pelas cidades com esgoto urbano e lixo industrial. “A gente ainda não está notando esses efeitos, mas eles estão acontecendo. É como uma doença que a gente não nota e quando percebe já está comprometendo tudo, essa é uma preocupação que existe, principalmente com a conservação das nascentes”, afirmou o pesquisador.

Para ele, iniciativas como da exposição “Pantanal, paraíso das águas”, de tentar traduzir toda informação técnico-científica sobre o bioma para a população, é muito importante para a sua preservação.

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