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Corumbá, MS
19 de Agosto de 2018
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Com ameaças em rotina de trabalho, agentes de saúde afirmam que situação está "insustentável"

Lívia Gaertner em 22 de Março de 2018

Caso de polícia é o que vem se transformando a rotina de agentes de saúde que atendem a região do bairro Cristo Redentor, em Corumbá. Somente nesta semana, dois boletins de ocorrência relatando casos de injúria e ameaça foram registrados na Delegacia de Polícia Civil por funcionários do Posto Estratégia Sáude da Família Fernando Moutinho.

O caso mais recente aconteceu nesta quinta-feira, 22 de março, quando a mãe de uma gestante de 7 meses procurou a unidade de saúde para iniciar os exames pré-natais da filha, conforme contou a agente Eliete Soares ao Diário Corumbaense.

“A paciente chegou alterada com a filha gestante de sete meses e queria ser atendida na hora e eu disse que o atendimento era a partir das 08 horas, depois me perguntou onde faria exame de sangue e eu expliquei o procedimento e que demoraria de 20 a 30 dias, foi aí que ela me chamou de palhaça e mandou eu tomar vergonha na cara, como se a culpa por isso fosse minha. Saiu da unidade me xingando, falando que vai me pegar na rua e bater na minha cara”, relatou.

Na última segunda-feira, 19, uma enfermeira que atende no mesmo posto também procurou a Delegacia para registrar que foi ameaçada por um paciente que cobrava atendimento imediato, bem como o fornecimento de remédios. No registro policial (1697/2018), a enfermeira disse que  foi surpreendida pelo paciente enquanto ela foi à cozinha da unidade e a ameaçou dizendo que cobraria a retirada da profissional da unidade de saúde. Por sua vez, o paciente buscou a Delegacia de Polícia onde também registrou sua versão do fato que foi classificada como “preservação de direito” no boletim de ocorrência 1700/2018. Ele afirmou que foi maltratado pela enfermeira.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Depois de registrarem casos de ameaça na delegacia, agentes foram até à Prefeitura cobrar segurança para continuarem trabalho

Sob pressão

“A nossa rotina é desgastante, e todos os dias estão acontecendo episódios como esse no Cristo (bairro), a Prefeitura está ciente disso. Estamos trabalhando sob pressão porque a cada dia a gente não sabe o que vai acontecer, se alguém vai vir para cima da gente, se vai bater. Não estamos mais suportando. Já fui xingada muitas e muitas vezes lá, nunca reclamei, porém agora chegamos a uma situação insustentável”, classificou a agente Eliete Soares.

Há três anos e meio trabalhando na região do bairro Cristo Redentor, a agente afirma que a animosidade por parte dos usuários da unidade de saúde chegou num ponto crítico. A opinião é compartilhada por outros profissionais que acompanharam a agente na Delegacia na manhã desta quinta-feira e, posteriormente, à Prefeitura, onde foram cobrar providências junto à Secretaria Municipal de Saúde.

“Cada dia que passa estão aumentando os casos. Não temos guarda (municipal) lá, apenas a gente mesmo e o paciente chega querendo atendimento imediato, porém temos regras no atendimento e eles não entendem isso e chegam a querer bater na gente. Antes, era apenas falta de educação, agora já há a agressividade, pois cada vez que se posta algo nas redes sociais, na mídia, o paciente já chega agressivo, mas não sabe o que se passa lá, temos todo um cronograma que precisa ser seguido, não é apenas chegar e ser atendido”, disse ao esclarecer que os procedimento adotados na unidade de saúde são pré-estabelecidos.

No Posto Estratégia Saúde da Família Fernando Moutinho há 26 profissionais divididos em equipes. Um dos mais experientes é o agente Gilson de Oliveira Melgar que reforça o cotidiano de pressão pelo qual passam os profissionais.

“A gente ganha para estar lá? Sim, ganhamos, mas só que os pacientes têm que entender que há toda uma agenda que precisa ser respeitada se não foge do que é o propósito da Estratégia em Saúde da Família. Trabalho há 13 anos na Saúde e estou vendo que a situação está  passando do limite, então eu também fico constrangido, já com medo de sair na rua e apanhar porque tem paciente que acredita que temos por obrigação levar medicamento na casa dele”, frisou.

Na avaliação dele muito desses casos poderia ser evitado com o esclarecimento da população acerca da rede de saúde que o Município dispõe. Em conversa com este Diário, ele reforçou resumidamente a rotina da unidade em questão.

“Das 07h às 08h da manhã, é agendamento de consultas, depois das 08h é o encaixe de emergência. O que é urgência e emergência? Pessoas que apresentam quadro com febre, vômito e diarreia. Hoje mesmo, encaixamos uma criança que apareceu com 39 graus de febre, porém tem pessoas que chegam alteradas e não entendem o procedimento. Casos de urgência e emergência é com a UPA e o Pronto-Socorro. De resto, temos toda uma programação”, esclareceu.

Orientação

Procurada pelo Diário Corumbaense, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu uma nota onde afirmou estar ciente da situação enfrentada pelos funcionários na ESF Fernando Moutinho e que buscará formas de esclarecer à população sobre o funcionamento da mesma, bem como de toda rede de serviços que o Município dispõe no setor e ainda deixou à disposição o telefone da Ouvidoria da Saúde para reclamações. Confira a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Saúde está ciente da situação e esteve em diálogo com funcionários da UBS na manhã desta quinta-feira, 22 de março. O Município vai passar a trabalhar na orientação de moradores da região quanto aos direitos e deveres que cada um tem de usufruir da Atenção Básica em Saúde. Trata-se de uma UBS muito requisitada pelos moradores e a Secretaria deve agora buscar apoio também junto ao Conselho Municipal de Saúde para traçar estratégias a fim de trabalhar com a população como exercer o controle social de maneira organizada e de acordo com pressupostos do SUS. A Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza o telefone da Ouvidoria da Saúde para reclamações: 0800 647 2255”.

Ações e Compartilhamento
Comentários:

Lázaro Aparecido Honorato: Olá boa tarde... sou estudante do curso de técnico agente comunitário de saúde.. na cidade de Bueno Brandão... Ficamos tristes quando isso acontece..por que levamos a oportunidade de pessoas serem atendidas de forma humana...

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