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23 de Novembro de 2017
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Bovino Pantaneiro é declarado como Patrimônio Cultural e Genético do Estado

Lívia Gaertner em 11 de Novembro de 2017

O Bovino Pantaneiro foi declarado como Patrimônio Cultural e Genético do Estado de Mato Grosso do Sul esta semana, através do decreto legislativo 589/2017, publicado no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul, na edição da última quinta-feira, 09 de novembro.

Autor da matéria, o deputado Felipe Orro (PSDB), destacou que o bovino pantaneiro constitui patrimônio natural portador de referência e identidade às ações e a memória da sociedade sul-mato-grossense. Na justificativa da proposta, o parlamentar fez um retrospecto da história e importância da raça para a identidade do Estado.

"A origem dos bovinos pantaneiros se confunde com os primórdios da pecuária no Pantanal. Também chamado de cuiabano, jofreano, taquati, taboqueano ou tucura, este bovino está intimamente associado às tradições culturais do povo pantaneiro, estando eternizado nas poesias e nas modas de viola como 'boi soberano', 'boi fumaça', 'boi cigano', entre outros", afirmou Orro.

Embrapa Pantanal

Boi Tucura surgiu do cruzamento entre raças e se adaptou ao ambiente pantaneiro

O deputado explicou ainda que os primeiros registros da raça ocorreram por volta do ano 1500, quando os ancestrais ibéricos, portadores de genes taurinos, foram inicialmente introduzidos pelos canais do Rio da Prata e Rio Paraguai, por expedições espanholas que vinham em busca de metais preciosos no Peru. Posteriormente, de 1725 a 1736, com o Ciclo do Ouro, outros grupos genéticos de origem portuguesa foram trazidos para o Pantanal. Assim, do cruzamento das raças surgiu o chamado bovino pantaneiro, com DNA essencialmente europeu e oriundo essencialmente da miscigenação de 11 raças, sendo cinco espanholas e seis portuguesas.

Em 1928, criadores da Nhecolândia, na região compreendida pelos rios Taquari, Negro, Miranda e Paraguai, introduziram touros das raças Shorthorn e Hereford, com o intuito de melhorar as características zootécnicas do gado pantaneiro. Orro reiterou que o bovino pantaneiro entrou em decadência no início do século XX, em função de cruzamentos com outras raças, em especial os zebuínos, como a raça Nelore, mas é um grupo genético altamente adaptado ao ambiente peculiar do Pantanal.

"Saber que existe um gado europeu geneticamente resistente e adaptado às condições ecológicas extremas do Pantanal é algo maravilhoso e merece ser preservado como patrimônio cultural e genético do nosso Estado", concluiu.

Perigo de Extinção

O decreto legislativo pode ainda chamar a atenção para a raça que, segundo pesquisas da Embrapa Pantanal, corre risco de extinção, já que há apenas 500 indivíduos na região. Raquel Juliano, coordenadora do Núcleo de Preservação do Tucura, explica que a introdução do bovino Pantaneiro em sistemas produtivos pecuários, seja qual for o modelo pecuário, e o uso desse material genético pelos produtores é a única garantia para evitar a extinção da raça.

“A sobrevivência desses animais está seriamente ameaçada pela falta de interesse em criá-los. Hoje, a única forma de impedir a extinção desse patrimônio genético é a expansão do número de criatórios e o monitoramento dessas populações. Essa expansão possibilitará seguir com as pesquisas direcionadas à avaliação de qualidade da carne e carcaça, resistência genética a enfermidades, além do melhoramento genético da raça, como ocorreu com o resgate da raça Caracu”, diz.

A Embrapa Pantanal, em parceria com outros centros de pesquisa e Universidades, dedica-se, desde 1984, a estudar características genéticas, produtivas, reprodutivas e sanitárias dessa raça cujos animais se adaptaram muito bem às condições do Pantanal, suportando as altas temperaturas da região sem grandes alterações na capacidade reprodutiva. Além disso, eles têm cascos fortes, que suportam o pastejo dentro d’água por longos períodos. Outra vantagem do Bovino Pantaneiro é sua aptidão, tanto para a produção de carne quanto de leite. Com informações da Assembleia Legislativa e da Embrapa Pantanal. 

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