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Corumbá, MS
12 de Dezembro de 2017
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Fé e tradição marcam mais uma vez o Banho de São João no porto de Corumbá

Da Redação em 24 de Junho de 2017

À meia-noite deste 24 de junho, o céu de Corumbá se encheu de fogos de artifício, celebrando o nascimento de João Batista, um profeta que previu o nascimento de Jesus Cristo. São João é conhecido também por ter batizado Jesus e assim, nasceu a simbologia cultivada nas águas do rio Paraguai: banhar a imagem de São João na noite do dia 23 até a madrugada do dia 24 de junho, assim como ele havia feito com o Messias.

Fotos:Anderson Gallo/Diário Corumbaense

De acordo com a Fundação de Cultura, 110 andores de São João desceram a Ladeira Cunha e Cruz

Em Corumbá, essa passagem bíblica se perpetua e remonta às origens de fundação da cidade, chegando inclusive a tornar-se Patrimônio Cultural Imaterial de Mato Grosso do Sul pela sua singularidade. De acordo com a Fundação de Cultura da cidade, 110 andores de São João desceram a Ladeira Cunha e Cruz desde às 17 horas do dia 23, até a madrugada do dia 24. A fé era evidente em cada rosto embalado pela ladainha na descida da ladeira Cunha e Cruz: “Se São João soubesse, que hoje era seu dia, descia do céu à terra, com prazer e alegria”.

Festeira que venceu concurso de andores foi até o rio Paraguai com imagem de São João agradecer graça alcançada

A festeira Elaine Ortiz ganhou motivos especiais neste ano para realizar o festejo de São João em sua casa. Primeiro, foi para agradecer uma bênção alcançada e segundo, por ganhar um prêmio de andor mais original da Fundação de Cultura. Esta foi a primeira vez que o andor da família conquistou o primeiro lugar no concurso. De acordo com Elaine, sua família participa da tradição da descida dos andores de São João há quase 80 anos, realizando os festejos no bairro Generoso.

Clarice afirmou que passou por baixo dos andores de São João para garantir proteção o ano todo

“A festa em minha família passa de geração para geração. Minha avó fazia os festejos de São João, depois minha tia e hoje eu e minha mãe fazemos questão de continuar com a tradição. Descer com São João a ladeira do Porto Geral neste ano foi muito especial porque minha mãe meses atrás enfrentou um problema sério de coluna. Eu e ela pedimos com muita fé a São João e ele nos deu essa graça. Hoje minha mãe está com saúde e só temos a agradecer. Só isso, agradecer”, disse Elaine ao Diário Corumbaense.

Visitando Corumbá pela primeira vez, Agenor disse estar encantado com a fé e a cultura de Corumbá

Ver a descida dos andores pela ladeira ao som das bandas que louvavam São João foi encantador. As bandeirolas, fogos de artifícios que anunciavam os andores e as lamparinas revelaram a alegria do povo, que  se junta de forma democrática e festiva em devoção ao santo que batizou Jesus Cristo.

O empresário Agenor de Souza, 62 anos, que visitou a cidade pela primeira vez, se disse encantado com tanta animação fé e respeito. “Através de amigos que vieram aqui há alguns anos ouvi falar pela primeira vez da festa junina de Corumbá. Decidi vir para cá e conhecer de perto. Estou encantado com a cultura. A população está de parabéns  pela tradição, pela organização, pelo respeito, pela fé demonstrada nesta ladeira. Vou levar para Santa Catarina a melhor imagem que tive de animação, de fé, de alegria. Pretendo voltar outras vezes, pois estar aqui, nesta noite e ver toda essa simbologia , essa fé, é lindo, é contagiante”, contou a este Diário.

Também é tradição passar por baixo dos andores sete vezes, para pedir um namorado ou casamento, mas também para pedir bênçãos. Clarice Bezerra, por exemplo, agradeceu pelas dádivas alcançadas e pedia bênçãos a ela e à sua família.“Vivi toda minha vida em Corumbá, respiro esta tradição de louvor à São João, estar aqui neste dia 23, passar por baixo dos andores é uma fé, é agradecimento. Não pedi casamento, mas sim paz, harmonia e saúde em meu lar, aos meus familiares. Que todos se sintam abençoados descendo esta ladeira e cultivando nossa tradição”, destacou.

No encontro dos andores, o cumprimento de respeito e fé

O ritual

O ritual do “batismo” de São João tem influências portuguesas. Organizado pelas comunidades, com o passar do tempo incorporou o cururu e siriri, ritmo e dança presentes às festas indígenas e africanas. E são os festeiros os principais responsáveis pelo espetáculo. Eles mantêm viva a maior e mais autêntica festa junina do Brasil Central. Este ano, a Prefeitura cadastrou 86 festeiros do Banho de São João como agentes de preservação cultural. São eles que organizam o ritual.

Segundo historiadores, a tradição do Banho de São João foi introduzida na região por volta de 1882. O ato de levar a imagem do santo em procissão ao Porto Geral, uma das referências históricas da cidade, é movido pelas crendices, superstições e fortes emoções. Dizem os mais antigos que o banho renova as forças do santo e abençoa tudo o que se relaciona a água com o homem.

A louvação ao santo tem dois momentos marcantes, durante a procissão pelas ruas da cidade. Ouve-se primeiro a ladainha: “Deus te salve João/Batista sagrado/O teu nascimento/Nos tem alegrado”. Logo, a banda imprime um ritmo carnavalesco e o povo pula de alegria, cantando: “Se São João soubesse que hoje era o seu dia/ Descia do céu à terra/Com prazer e alegria”. Durante o banho, o povo entra na água, toca a imagem, se percebe a religiosidade dominante. Aos gritos de “Viva São João”, escuta-se batuque da umbanda na beira do rio, anunciando a presença de entidades num grande terreiro. Os pagadores de promessas se ajoelham com emoção e fé fervorosa. O andor retorna para a casa do festeiro, subindo a Ladeira, onde é tradição cumprimentar quem desce, até a madrugada do dia 24.

Galeria: Arraial do Banho de São João - 2017

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