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Corumbá, MS
26 de Setembro de 2017
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Pesquisa de aluno do IFMS de Corumbá contra corrosão do aço pode ser apresentada na Europa

Marcelo Fernandes em 14 de Abril de 2016

Um estudante de Corumbá foi convidado a participar de um dos principais congressos científicos do mundo voltado para a juventude, que será realizado no período de 24 a 31 de julho na cidade de Lisboa, em Portugal. Eros Frederico da Silva, 18 anos, concluiu no ano passado o curso técnico médio integrado em Metalurgia do Campus Corumbá Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) recebeu o convite após participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia  (Febrace) em março passado na cidade de São Paulo. Mas, para se apresentar no evento europeu precisa de apoio para custear as passagens – ida e volta entre Brasil e Portugal – e a taxa de inscrição de 450 euros (cerca de R$ 1.800).

Eros, que já foi aprovado no curso de Direito da Universidade Federal (UFMS) em Corumbá e aguarda o início do ano letivo – ele não se programou financeiramente para deixar a cidade e seguir na área em que se formou profissional técnico –, apresentou na feira de ciências realizada na Escola Politécnica da USP a pesquisa com o tema “Caracterização quanto à corrosão do aço AISI 1020 exposto à solução de ácido nítrico (HNO3)”. Foi esse trabalho que lhe rendeu o convite para o 34th Youth Science Meeting (34º Encontro Ciência da Juventude, numa tradução livre).

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Eros tem histórico de premiações em feiras de ciências

“Queríamos saber como esse aço [o AISI 1020] se comportava em meio ácido. Analisando-o em meio ao ácido nítrico, descobrimos que colocado em ácido nítrico ele cria camada protetora contra a corrosão. Hoje, estamos estudando a possibilidade de aplicar isso como efeito protetivo aos navios para tentar diminuir custos com a proteção. É para redução de gastos. Estamos fazendo a sequência do trabalho junto com a Marinha, são testes para ver se há essa viabilidade, sabemos que não corrói”, explicou Eros ao Diário Corumbaense o tema de sua pesquisa, que consumiu um ano e meio de estudos. Antes de levá-la para a Febrace, a pesquisa foi apresentada ao IFMS como Trabalho de Conclusão do Curso Técnico de Metalurgia.

O jovem cientista contou que precisou ler muito e pesquisar sobre o tema, quando surgiu a ideia, em meio a uma aula da disciplina de Corrosão e Tratamento de Superfícies do professor Tobias Eduardo Schimtzhaus, que foi seu orientador. “Não tinha base nenhuma, estava no quarto período. Tive de pesquisar e ler sobre o assunto para realizar a pesquisa. Foi meu trabalho de conclusão de curso aqui no IFMS e submeti à feira de ciência e engenharia da USP, ao comitê científico. Analisaram e a escolheram para ser apresentada lá”, disse.

A escolha pelo material a ser pesquisado se deu por conta da maior utilização industrial. “Hoje o ácido AISI 1020 é um dos mais utilizados por toda a indústria. Daí a importância de se estudar esse tipo de aço e como ele se comportava em meio ao ácido nítrico. A partir desses estudos descobrimos uma forma de proteger o material da corrosão. Submetemos a vários níveis de concentrações [de ácido nítrico] e em algumas ele não corroeu por conta da proteção que teve, que ele criava. A partir disso, estudamos a viabilidade de usar essa proteção nos cascos dos navios. É um dos problemas que temos muito no setor turístico de Corumbá, assim como na Marinha e Exército”, completou o estudante.

Busca apoio para viagem e inscrição

O convite para a participação na Youth Science Meeting (YSM) veio após a pesquisa dele ter sido apontada como uma das melhores na categoria de Engenharias pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. “Fomos lá com um banner que continha o resumo da pesquisa. Passaram [na bancada] avaliadores e professores de várias instituições e comitês específicos da feira. Após a premiação, na cerimônia da Febrace recebi o convite”, lembrou ao contar a experiência vivida de 14 a 18 de março na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia  .

Agora, Eros Silva corre contra o tempo para garantir presença entre os jovens cientistas de várias partes do mundo na 34th Youth Science Meeting. Ele precisa tirar passaporte, comprar passagens aéreas do Brasil para Portugal e garantir a quitação da taxa de inscrição na YSM. Para tudo isso precisará de praticamente R$ 7 mil. Quantia que não dispõe.

Ele explicou o valor. “O passaporte é 257 reais, não preciso visto. Mas tenho que pegar direto para Portugal, não pode fazer escala em Madri (Espanha), porque lá precisa visto. Há alguns voos que vão primeiro para lá e tenho que ter cuidado com isso. As passagens, ida e volta, saem por cerca de 5 mil reais. É período de alta temporada, verão europeu e as passagens ficam mais caras nessa época. A Feira não vai bancar. Antes, eles supririam estas despesas, agora não. Há a taxa de inscrição que inclui todos os gastos em Portugal, desde translado dentro de Lisboa, alimentação e hospedagem. Essa taxa é de 450 euros (cerca de 1.800 reais), que banca a permanência durante a semana do evento”, disse ao afirmar que “toda ajuda é bem-vinda”.

“Receber um convite como esse é muito importante. Estamos numa cidade em que a Universidade e a Embrapa fazem pesquisas. Para o jovem, o apoio à pesquisa não é tão grande. Receber um convite para representar seu país num dos maiores eventos científicos do mundo é de grande importância para mim, para a instituição e para a cidade. Mostra que o trabalho que a gente faz aqui é bom, mesmo tendo dificuldade. Mostra que nosso esforço vale a pena”, afirmou Eros Frederico da Silva, que nasceu em São Paulo e mora em Corumbá desde quando tinha 1 ano de idade. O Brasil deve contar com outros representantes, além do estudante de Corumbá.

Arquivo Pessoal

Foi a participação na Febrace, em março deste ano, que garantiu convite para feira em Portugal

A participação dele em feiras de ciências não é novidade. Na Feira de Ciência e Tecnologia do Pantanal, do IFMS, se credenciou para a Feira de Ciências e Engenharia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e foi premiado em 1º lugar. Por conta disso foi convidado a participar como ouvinte de um evento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Orientadores destacam viabilidade do trabalho científico

Orientador de Eros, o professor Tobias Eduardo Schimtzhaus, destacou a este Diário o objetivo prático da pesquisa “Caracterização quanto à corrosão do aço AISI 1020 exposto à solução de ácido nítrico (HNO3)”. Para ele, é possível “vislumbrar aplicação no setor industrial, quanto a proteção à corrosão de diversos equipamentos que estão expostos a ambientes agressivos. Esse enfoque tem âmbito amplo, podendo atuar em indústrias petroquímicas, automotivas e navais, que é o enfoque que demos ao trabalho em função de estar numa região que tem rio. A pesquisa durou 1 ano e meio. Não fizemos estudos de viabilidade econômica, mas já existem tratamentos similares que são viáveis economicamente. O processamento demanda estrutura não muito grande. Demanda mais conhecimento a respeito dos fenômenos que uma estrutura sofisticada”, afirmou.

Na avaliação da coorientadora da pesquisa, professora Samara Melo Valcacer, o destaque que a pesquisa do estudante conseguiu mostrar, pode ajudar a divulgar ainda mais o trabalho desenvolvido pelo Instituto Federal. “É a primeira vez que alguém do Instituto Federal conseguiu tamanha visibilidade, que foi fundada numa base que diferencia o Instituto de outras escolas, que é a pesquisa. Estamos tentando mostrar isso através das feiras e, através do Eros, a gente vai poder abrir e mostrar essa  nossa educação prática, nossa educação é tecnológica. O que o Eros fez foi aplicar o conhecimento que tinha, que aprendeu em sala. Mostra que essa possibilidade é real. Esperamos que o Eros consiga ir [para a feira em Portugal} e se destaque ainda mais”, finalizou.

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