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Corumbá, MS
19 de Julho de 2018
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Os limites da vida pública e privada dos políticos

Coluna Ampla Visão, com Manoel Afonso em 29 de Março de 2018

A VELHA  pergunta que aflora em ano eleitoral:  quais os limites que devem existir entre a conduta na vida privada e a postura pública dos cidadãos que exercem mandatos eletivos e cargos na administração pública?  E é bom sempre lembrar que hoje há um confronto crescente entre os defensores da privacidade das pessoas e aqueles partidários da transparência total.  

QUESTÕES  Não seria a conduta na vida privada patrimônio do homem público?  Não   seria o passaporte para ingressar no espaço público? E quem chegou ao poder,  não pode ignorar os holofotes vigilantes da sociedade. Os escândalos por aí recomendam cautela de quem cuida de interesses públicos para não cair nas tentações das benesses  ou vantagens amorais inclusive.    

ALERTAS  não faltam para aqueles políticos sob risco de ter a biografia e perfil  manchados por deslizes na vida privada. Basta olhar para os casos locais com prisões por escândalos sexuais e corrupção inclusive, no país e também no exterior nos últimos anos.  A opinião pública de olho no retrovisor para rever a postura lá atrás dos homens públicos. E com a internet então - nada escapa!

ESTRAGOS    Sem discutir o mérito do caso, vale destacar a publicidade dada por um jornal (ligado aos servidores públicos estaduais) ao processo judicial movido pela J & F Investimentos (Joesley e Welesy Batista) contra a deputada federal Tereza Cristina C. da Costa (DEM) para recebimento de dívida no suposto valor de R$ 4,5 milhões, segundo aquela publicação.

VEJA!   Se fosse um caso envolvendo os dois empresários (que dispensam referências por motivos óbvios) e uma pessoa comum passaria despercebido. Mas o fato de se tratar de uma parlamentar (que não se alinha politicamente ao sindicato dos serviços públicos) e que na época do negócio com os irmãos Batista ocupava uma secretaria  na administração estadual, enseja questionamentos críticos e até maldosos.

NA JUSTIÇA  Suspeitos de ilicitudes na ‘Lava Jato’ principalmente, os políticos têm avocado o direito de se defender no processo. Mas isso não basta para preservar a credibilidade. Aliás, após decisões do STF,  a visão da opinião pública se baseia mais na moral do que no direito. Já no caso da deputada de notória reputação ilibada,  sua versão pessoal sobre o episódio evitaria exploração política.  E fecho a porteira.

FLAVIO ROCHA  O  ingresso na política do dono das Lojas Riachuelo – assinando a filiação no Partido Republicano Brasileiro é o fato emblemático nesta fase crítica  da  política nacional.  Para o senador Pedro Chaves (PRB), a vinda do empresário cria condições de protagonismo ao partido - que defende a vertente liberal da economia e respeita os valores da família. Seria ele o novo nome que a população tanto sonha?

‘ MAIS UMA’   O STF lembra cachorro desdentado, late muito mas não morde. Agora inocentou o senador Romero Jucá (MDB) que fora relator da MP cortando impostos de empresas, entre elas de Jorge Gerdau, que ‘coincidentemente’ doou R$ 1,3 milhão ao diretório do MDB de Rondônia, beneficiando o senador. O STF só jogou pesado contra o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB).

 ‘OLHANDO’  Após o desastre de 2014, o ex-deputado Londres Machado (PR)  adotou a ‘cidadania mineira’.  Ouve muito e mede bem as palavras . Sobre o PR lembra, “como nas eleições anteriores, a decisão virá lá de cima”, mas diz que o deputado Paulo Correa já caminha com o governador Reinaldo (PSDB). E arremata: “os partidos valem muito pouco atualmente – não decidem mais”.  

PESQUISAS  Conferi os números como apostador cético das loterias . A última que levou a chancela ‘Vox Populi’, ouvindo só 500 pessoas em Campo Grande, tem um componente ‘esquisito’ que tira a objetividade da amostra. O ex-prefeito Nelson Trad (PTB) aparece como candidato ao Governo, quando pretende disputar o Senado. Como diria o narrador Galvão Bueno ao seu comentarista Arnaldo Cesar Coelho: “Pode isso Arnaldo?”  

JANELA   partidária virou balcão e movimentará o quadro eleitoral em todo o país até 07 de abril próximo. É o troca-troca partidário, menos por ideologia, mais pela tentativa de sobrevivência.  É muito dinheiro para os candidatos: R$ 888 milhões do generoso Fundo Partidário e mais  R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral.  Agora político parece jogador de futebol: com seu passe caro quem der mais leva!

FUNDO PARTIDÁRIO  Criado em 1965 como fonte de financiamento.  Não deve ser confundido com o Fundo Eleitoral.  O dinheiro vem de dotações da União, multas, doações e outros recursos legais. A liberação é mensal de igual valor. O critério da distribuição:  5% à todos os partidos registrados no TSE e 95% proporcionalmente ao número de deputados na Câmara Federal.

FUNDO ELEITORAL Criado em 2017. O dinheiro baseia-se na compensação fiscal da TV e rádio recebida pela propaganda partidária em 2016 e 2017, além de 30% do valor dos recursos das chamadas emendas impositivas (obrigatórias) dos parlamentares. Até 1º de junho do ano eleitoral os recursos estarão disponíveis em banco. 2% dos recursos vão para todos os partidos, 35% entre os partidos com pelo menos 1 deputado federal, 48% entre os partidos proporcionalmente ao número de deputados em 28/08/2017 e 15% entre os partidos pela proporção do número de senadores naquela mesma data.

VALORES: Ao MDB o Fundo Partidário destinará R$ 234,3 milhões; ao PT R$ 212,3 milhões; ao PSDB R$ 185,8 milhões; ao PP R$ 134,3 milhões; ao PSB R$ 118,8 milhões: ao PSD R$ 112 milhões; ao PR R$ 109,9 milhões; ao DEM R$ 89,1 milhões.  Essas as siglas mais beneficiadas pelo critério de distribuição.

DE NOVO?  Tudo leva a crer que o deputado estadual Mauricío Picarelli (PSDB) deva concorrer ao seu 9º mandato. Perto dos 70 anos que completa neste abril  e mesmo fora da televisão aberta onde atuou por 34 anos,  ele continua interagindo com o público via  internet e como pastor da Igreja Batista. É o desafio da reinvenção do artista e político.    

BASTIDORES  Gente do andar de cima da política insinua mas não abre o jogo sobre os próximos capítulos da sucessão estadual. Há um clima de expectativa sobre eventuais surpresas envolvendo composições partidárias. É parte da democracia embora não garanta sucesso nas urnas. É preciso consultar o povo – que anda ‘deconfiado’ - como  sempre dizem os paraguaios aqui residentes.

INTERROGAÇÃO? Murilo Zauith não atendeu aos apelos do ex-governador André (MDB) e foi para o Democratas. Ao deixar o PSB o ex-prefeito de Dourados cria assim a expectativa de um outro grupo político em condições de disputar o Governo ou  Senado. Dependerá da evolução dos entendimentos e de novas filiações, entre elas, do deputado Barbosinha (PSB).

DESAFIOS  Não fugirá a regra, inclusive dos conflitos internos a ser contornados. A presença  do deputado Zé Teixeira se contrapõe a postura do deputado Mandetta, crítico da administração estadual. Enfim, a região da Grande Dourados verdadeiramente inserida no processo sucessório. E mais: O deputado Elizeu Dionízio sai do PSDB rumo ao PSB; o deputado George Takimoto e o ex-deputado Paulo Duarte trocando o PDT pelo MDB  e o coronel David deixa o PSC indo para o PSL.

DETALHES  O governador Reinaldo (PSDB) com ações administrativas no interior e capital ao mesmo tempo em que se aproxima de lideranças  expressivas. Seus gestos indicam a intenção de composição mas sem perder a condição de protagonista. Sua firmeza lembra aquela postura de não recuar  (apesar dos apelos do ex-governador André - MDB) – a candidatura à prefeitura da capital e depois ao próprio governo.

PONTO FINAL  O PT colhe no sul do país a semente de ódio que plantou ao longo dos anos. Incoerência dos petistas que reclamam - pois o próprio ex-presidente Lula ameaçou várias vezes  colocar nas ruas o exército do companheiro João Pedro Stédile. Os petistas não se conformam com a indignação dos adversários. Qualquer semelhança com a Venezuela seria mera coincidência?

“A credibilidade do país é proporcional aos juros que os banqueiros lhe cobram”.  ( Millôr  Fernandes)

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